terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gore na Antárctida

Soube-se há cerca de duas semanas que o profeta Gore iria visitar a Antárctida, na presença dos seus apóstolos seguidores. Os padres e aprendizes também vão...

É neste contexto que se fazem outras expedições, como as dos jornalistas alarmistas do Público, que relatam a pouca vergonha da investigação nacional que se faz neste domínio, e que nenhuma vantagem traz para o nosso País, para além de permitir umas espectaculares férias a uns quantos "cientistas"! Vejam o seguinte exemplo:

Por outro lado, o voo foi aberto a investigadores de outros países, que podem usá-lo nos seus trânsitos, o que foi possível devido ao financiamento de quase cem mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) destinado ao aluguer do avião.

É fácil perceber o que Al Gore vai fazer. Na Antarctida nem tudo é gelado, como se pode ver pelo exemplo da ilha de Deception, onde se podem tomar uns banhos de sauna... Basta ele enquadrar uma paisagem sem neve para logo um Planeta estúpido ficar aflito!

A realidade da Antárctida é contudo muito diferente, como este relato de uma expedição australiana confirma. E os próprios cientistas confirmam que não há aquecimentos para aqueles lados... A visualização da extensão de gelo confirma que está bem acima da média, e pior, que tem estado a subir ao longo das últimas décadas! Enfim, vamos ver se não haverá uma re-edição da história do MS Explorer. Por enquanto, fiquem com uma lista de alguns dos 116 religiosos que se sabe irem a bordo:








segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Climate4you

De vez em quando tropeço em sites verdadeiramente fabulosos. Via Watts Up With That, segui um link para o Climate4you. O site regista informação, essencialmente em gráficos, que cobrem vários dos dados meteorológicos e climáticos. Para além disso, reforça com uma componente histórica, uma vertente muito do agrado do Ecotretas. O site também parece isento, dado que não transmite uma posição alarmista. Afinal, transmite uma mensagem clara, que é a dada pelos números. Como a do gráfico que exemplifico ao lado, que descreve a variação anual do nível médio do mar. Para onde é que ele se dirige? Para baixo, claro!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Blog do Ano - Natureza

Há uma semana havia convidado os leitores a votarem no Ecotretas para o Blogs do Ano 2011. Hoje, sairam os resultados finais, e sem surpresa, para quem acompanhou a votação ao longo da semana, o Ecotretas ganhou na categoria Natureza.

Em primeiro lugar, quero louvar a iniciativa do Aventar.eu. Organizar este concurso é uma tarefa que dá mesmo muito trabalho, e a sua opção pelo polldaddy.com revela um conhecimento muito adequado desta temática da votação electrónica. É claro que algumas queixas se levantaram, perfeitamente normais nestas circunstâncias. São inciativas como estas que efectivamente contribuem para dinamizar os conteúdos em Português, e dar a conhecer muitos blogs. No meu caso isso não foi muito notório, dada a grande exposição que o blog já atinge, mas o certo é que eu próprio descobri muitos outros blogs muito interessantes, e que vou passar a seguir!

Em segundo lugar, quero elogiar os outros sites a concurso, na categoria Natureza. Em particular, ao Armindo Tavares, do Canários Arlequim Português, que demonstrou muito fair-play!

Finalmente, o mais importante! Quero agradecer a todos os leitores que votaram em mim. Eu era um dos blogs mais desfavorecidos nesta votação: não podia pedir aos meus amigos que votassem em mim! Mas podia pedir aos meus leitores: foi isso que fiz no blog e por email. Dois leitores foram particularmente importantes; não os vou aqui referir explicitamente, mas eles sabem quem são, até porque vou agradecer pessoalmente! Mas todos responderam de forma muito significativa!

O Ecotretas vai continuar a tentar corresponder a esta onda verde, de esperança, que procura um Mundo ecologicamente mais são, mas livre destes ecologistas da treta, que nos chateiam todos os dias. Continuaremos a expor os disparates que se dizem e fazem à volta da Ecologia. Nos próximos dias agradecerei de uma forma muito peculiar toda esta V/ dedicação. O meu muito obrigado!

sábado, 28 de janeiro de 2012

A cartografia antes de Melgueiro

Após um artigo inicial sobre David Melgueiro, e outro sobre as explorações procurando a Passagem do Nordeste antes de 1660, vamos neste abordar a cartografia disponível à época da possível viagem de Melgueiro.

Por volta de 1490, o cartógrafo alemão Henricus Martellus produziu um mapa do Mundo conhecido até então, visível na primeira imagem abaixo, onde é visível uma faixa de água no norte do continente asiático, indiciando assim a possibilidade da existência de uma passagem do Nordeste. Martellus produziu ainda mais mapas, visíveis neste link. No início do século XVI, em 1507, o cartógrafo alemão Martin Waldseemüller produziu um mapa do Mundo contorverso. Uma análise detalhada da sua obra pode ser consultada aqui. No segundo mapa visível abaixo (retirado daqui), pode ver-se como também é dada a possibilidade de existência da Passagem do Nordeste.



Qualquer um destes mapas, bem como os de Martin Behaim, ao serviço de Portugal na altura, sofrem todavia fortes influência de Ptolemeu, e da sua obra Geographia.

Particularmente relevante neste domínio foram os mapas do cartógrafo Gerardus Mercator. Em 1569 produziu um mapa (imagem abaixo retirada daqui; maior detalhe aqui) com a sua projecção. Embora com notáveis erros em determinados locais do globo, o contorno do norte da Ásia revela-se aproximado com o real, excepto sobretudo na região mais a este da Sibéria. A Passagem do Nordeste é dada como um facto:


Em 1570, Abraham Ortelius, encorajado por Mercator, compilou o primeiro atlas moderno do Mundo, Theatrum Orbis Terrarum. Como se pode observar na imagem seguinte, também aqui toda a costa norte da Ásia é dada como navegável:


Na Biblioteca Nacional da Rússia encontramos mais uns mapas importantes. O primeiro mapa abaixo (imagem retirada daqui), de Abraham Ortelius, é dado como sendo de 1570, mas noutra fonte é dado como sendo de 1584. No mapa é perfeitamente visível o estreito de Anian, e é clara a possibilidade de contornar a Sibéria pelo norte. O segundo mapa, de Jodocus Hondius, de 1600, é baseado no mapa de Mercator de 1569, incorporando a expedição de Barents de 1595-1597. O terceiro mapa, de Hessel Gerritsz, é de 1613, e mapeia a Rússia, e a sua costa norte, incluindo também Novaya Zemlya. Pormenor importante sobre esta sequência é o facto de todos estes mapas serem feitos por Holandeses, ao serviço dos quais Melgueiro se encontrava.



Ainda antes da viagem de Melgueiro, há a destacar o trabalho do cartógrafo Willem Blaeu. Também ele um holandês, foi em 1633 nomeado cartógrafo oficial da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1635 produziu o Nova totius terrarum orbis geographica ac hydrographica tabula, visível abaixo:


Note-se como este mapa é muito mais real que o de Mercator e Ortelius. Blaeu produziu posteriormente mapas mais detalhados, também fruto do seu trabalho na Companhia. Na primeira das imagens abaixo (duas primeiras imagens retiradas daqui), de 1638, vemos em grande detalhe a costa norte da Rússia. Na segunda imagem, num mapa de 1640, podemos observar toda a extensão do mar Árctico. No terceiro mapa (imagem retirada daqui), também de 1638, podemos observar o extremo este do continente asiático, com mais alguns detalhes que os mapas anteriores.


O mistério envolvendo estes mapas, bem como outros, é abordada de forma interessante neste artigo. Em qualquer caso, é seguro dizer-se que David Melgueiro teria acesso a esta informação quando terá eventualmente efectuado a Passagem do Nordeste, em 1660.

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Biodiesel custou 70 milhões em 2011

Há todas e mais algumas razões para perceber que os biocombustíveis estão a ser uma gigantesca fraude! Há um ano prognosticavamos que o gasóleo estaria a 3.50 € em 2020 por via da subida relativa aos biocombustíveis. A previsão vai no sentido correcto, acelerada também pela subida do preço do petróleo...

Ontem, o Jornal de Negócios revelou que o custo de incorporar biocombustíveis no gasóleo triplicou no ano passado. A Autoridade da Concorrência estimou que os encargos para os primeiros três trimestres de 2011 foram de cerca de 53.9 milhões de euros, o que projectado para o total do ano, e com um desconto por via da queda do consumo, coloca o encargo anual, da medida estúpida, em 70 milhões de euros!

Esta incorporação do biodiesel nos combustíveis resulta de imposições comunitárias. Mas, como somos mais papistas que o Papa, em vez dos 5% a que estavamos obrigados (Decreto-Lei nº 117/2010, alterado recentemente pelo Decreto-Lei nº 6/2012), incorporamos quase 7%, segundo dados da APPB (Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis). Ou seja, estamos a alimentar determinadas empresas, como a Iberol, Fábrica Torrejana, Prio (Grupo Martifer), Biovegetal (Grupo SGC) e Sovena (Grupo Nutrinveste). E se ainda estivessemos a alimentar os nossos agricultores, eu até daria o benefício da dúvida, mas não me parece que seja esse o caso, como este artigo indicia. Dados mais concretos, como deste documento do LNEG, referem que para 2007, apenas 3% dos óleos vegetais foram de produção doméstica! Não admira que haja tanto secretismo à volta desta matéria!

Felizmente, os Estados Unidos acabaram com a subsidiação à produção de etanol. Infelizmente, há deturpações ainda mais estúpidas! Ainda assim, estamos no bom caminho, até porque pela primeira vez em 10 anos, a produção mundial de biocombustível desceu em 2011.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vem aí o Arrefecimento Global!

Todos nós Portugueses temos experimentado o frio dos últimos tempos, embora o sol durante o dia seja enganador. Na Europa central, a queda de neve tem sido épica. Isso era há duas semanas, mas agora os Alpes levaram com outra carga! No Brasil, o nosso conhecido blog Ciência Alternativa descreve-nos o desastre do Verão do hemisfério Sul. No Canadá, a neve não pára e até as escolas têm que fechar! Na Sibéria, o frio extremo não é de estranhar, mas eles resolveram exportar algum para os países mais a sul. No Japão, a queda de neve é brutal. No Alaska, os quebra-gelos praticamente não dão conta dos recados... Mais a sul, na costa oeste dos Estados Unidos a neve caiu em grandes quantidades, e na Florida, estava tudo gelado há umas semanas. Até nevou no deserto do Saara!

Alguém detecta aqui algum padrão? Vejam o gráfico abaixo (visível aqui), que descreve as temperaturas observadas pelo satélite AQUA, na sua altitude mais baixa, nos últimos dez anos. Estão a ver onde estão as temperaturas medidas pelo satélite? Em mínimos absolutos!


Mas há mais! O pior ainda deve estar para vir. Vejam por exemplo, no gráfico abaixo (retirado daqui), a previsão da anomalia da temperatura, para os próximos dias, para a Europa inteira. Nada como uma boa dose de Arrefecimento Global, para arrefecer o ânimo de todos aqueles que nos andaram a enganar ao longo dos últimos anos:


Mas, os cientistas estão a sair da casca. Agora, parece que vem aí o Arrefecimento Global. As previsões dos ciclos solares são de arrepiar! Os próximos tempos vão ser realmente muito giros... A discussão segue no Watts Up With That, que se antecipou uns minutos...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Passagem do Nordeste antes de David Melgueiro

Depois do artigo inicial sobre David Melgueiro, iremos neste reflectir sobre o conhecimento disponível à época. Foram várias as expedições procurando a Passagem do Nordeste, e sobre muitas delas pouco reza a História. Para enquadrar a possibilidade da verdadeira realização da viagem de Melgueiro, é preciso perceber o que o precedeu.

Começaremos pelo norte da Rússia, onde os Pomors chegaram aos mares do Norte durante o século doze, através dos estuários de Dvina/Norte e Onega. Da sua base de Kola, exploraram todo o mar de Barents, incluindo Spitsbergen e Novaya Zemlya. Mais tarde, os Pomors descobriram e mantiveram a Passagem do Nordeste entre Arkhangelsk e a Siberia. Com os seus navios, designados koch, especializados para a navegação nas díficeis condições do Árctico, os Pomors atingiram locais longínquos da Sibéria, como Mangazeya, a este da penínusula de Yamal. Neste excelente documento de Nataly Marchenko, encontramos uma mapa alusivo às navegações dos Pomor:


No início do século XVII, nos três meses de Verão, o transporte de mercadorias através de barco era frenética. O desaparecimento de Mangazeya ficou sobretudo a dever-se a razões políticas, pois em 1619 foi punida com a pena de morte quem negociasse na região, depois de em anos anteriores o volume de trocas comerciais aí ter superado o de toda a Rússia, sem que esta conseguisse aí cobrar impostos... Curiosamente, Mangazeya foi devastada por um fogo em 1662, que levou à sua evacuação, tendo sido redescoberta em 1967. Mais informação sobre Mangazeya pode ser vista neste documento, em russo.

Entretanto, em Roma, o diplomata Dmitry Gerasimov, em 1525, avançara com uma possível ligação entre o Atlântico e o Pacífico. Em 1553, Hugh Willoughby, comandou três navios, com o piloto Richard Chancellor, em busca da passagem do Nordeste. Os navios foram separados por ventos fortes, e enquanto Willoughby aportou a uma baía próxima da actual fronteira entre a Finlândia e a Rússia, tendo morrido durante o Inverno, Chancellor conseguiu atingir o Mar Branco, e daí regressar a Moscovo por terra. Mais tarde, Chancellor conseguirá descobrir o que aconteceu a Willoughby, recuperar alguma da sua documentação, e nela encontrar referências a Novaya Zemlya. Entretanto, Steven Borough, que também participara na expedição de Willoughby, numa segunda expedição em 1556, descobriu o estreito de Kara, mas teve que voltar para trás, em função do gelo. Um século antes de Melgueiro, Borough passou o Inverno em Kholmogory, no Mar Branco.

Willem Barentsz, navegador holandês, foi o explorador que mais activamente procurou a Passagem do Nordeste, no final do século XVI. Na sua primeira viagem, em 1594, conseguiu atingir a costa oeste de Novaya Zemlya, mas teve que voltar para trás por causa do gelo. No ano seguinte, Barentsz fez a sua segunda tentativa, mas perante um mar de Kara gelado, foi obrigado a voltar atrás, tendo a expedição sido considerada um fracasso.

Na terceira e última viagem, na qual viria a morrer, Barentsz começou por descobrir Spitsbergen, donde prosseguiu para Novaya Zemlya. Quase na ponta norte da ilha tiveram que passar o Inverno seguinte, tendo sido construída uma cabana. No Verão seguinte regressaram para Sul, mas entretanto Barentsz morreu no regresso. Uma boa descrição desta viagem está disponível no livro The North-west and North-east passages 1576-1611, de Philip Alexander.

Os holandeses foram dos mais activos na procura da Passagem do Nordeste. Note-se que este é um factor que importa na equação da viagem de Melgueiro, uma vez que o Pai Eterno, no qual terá efectuado a Passagem do Nordeste, era um navio holandês. Ainda antes de Barentsz, Olivier Brunel tentou em 1584 encontrar a rota para leste pelo norte. No início do século XVII, vários navegadores ao serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais procuraram activamente a passagem, nomeadamente Henry Hudson.

Segundo Leonid Sverdlov, Membro da Sociedade Geográfica Russa, existirá evidência de que um empreendimento comercial terá partido de Ob ou Yenisey, e contornado o Cabo de Chelyuskin, a ponta mais a norte da Ásia, tão cedo quanto 1617-1620. Achados arqueológicos de 1940-1945 no golfo de Sim e na ilha de Faddeyevsky parecem servir de evidência para tal empreendimento. Aliás, à ilha de Faddeyevsky está associada "Kettle Island", oficialmente descoberta em 1773 pelos russos Ivan Lyakhov e Protod’yakonov, e que deram o nome à ilha por nela terem encontrado uma chaleira de cobre. Quem aí a deixou continua hoje a ser um mistério...

Em 1648 Semyon Dezhnyov tornou-se o primeiro europeu a passar o estreito de Bering, ou de Anian, como era conhecido anteriormente. Na companhia de Fedot Alekseyev, Andreev e Afstaf’iev, navegaram pelo rio Kolyma até ao Oceano Árctico, contornaram a península de Chukchi, até ao rio Anadyr, já no Pacífico. A descoberta não teve grande divulgação, tendo mesmo sido alvo de desacreditação. Ainda segundo a lenda, alguns dos barcos da expedição terão sido desviados para o Alaska, mas nenhuma evidência existe, para além do desaparecimento de grande parte da expedição, dado que apenas o barco de Dezhnyov, um de sete, chegou ao Anadyr.

Ainda na primeira metade do século XVII destacaram-se os exploradores russos Mikhail Stadukhin, Ilya Perfilyev, Ivan Rebrov, Elisei Buza, Poznik Ivanov e Dimitry Zyryan, que exploraram as zonas dos rios Yana, Indigirka e Kolyma. Destaque também para Kurbat Ivanov, que em 1660 (mesmo ano da partida de Melgueiro) partiu da baía de Anadyr para o Cabo Dezhnyov. Na sequência desta viagem Ivanov criou um mapa de Chukotka e do estreito de Bering.

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html