terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O criminoso Peter Gleick

Peter Gleick é um cientista alarmista, que já testemunhou várias vezes no Congresso Americano. Agora, e depois de uma investigação cerrada por parte dos cépticos, admitiu que foi ele quem se fez passar por terceira pessoa, roubando documentos a uma instituição privada (Heartland Institute), e passando-os aos lobos verdes, que sedentos de sangue, não hesitaram em espalhar essa informação, a mais substancial da qual é reconhecidamente falsa.

É isto que os supostos cientistas do clima e das alterações climáticas andam a fazer. A manipular informação. A roubar a informação da Resistência. A criar documentos falsos. Porque eles próprios sabem que têm que começar a cometer outros crimes, para esconder os crimes que andaram a cometer nos últimos anos!!! E que ainda nos tentavam dar lições de moral?

Por cá, os papagaios do costume embandeiraram em arco! Agora, esta notícia provavelmente só terá uma referência nas primeiras páginas do Correio da Manhã, aquelas dedicadas aos crimes do dia-a-dia. Mas não tenham dúvidas: este caso vai ter provavelmente ainda mais impacto que o Climategate! Vai mostrar a verdadeira natureza desta Ciência da treta, e dos seus pregadores. Sigam para já o thread no Watts Up With That, e esperem outras novidades brevemente...

Actualização: Este criminoso era ainda é presidente da Task Force em Ética Científica, da AGU (União de Geofísica dos Estados Unidos)
Actualização II: O criminoso já andou por território nacional, a vender o peixe na Fundação Gulbenkian...
Actualização III: O crime de Peter Gleick é de Wire fraud, punível com pena de prisão até 20 anos...
Actualização IV: Também já não vai aquecer o lugar na NCSE...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Palhaçada de Esclarecimento

Há cerca de um mês havíamos referido a estranheza acerca de um espectáculo concebido por David Marçal, Aquecimento Esclarecido. Agora, um leitor apontou-nos na direcção de dois vídeos que resumem o espectáculo. Os meus receios iniciais saíram muito reforçados, tal é a quantidade de disparate dito. Para se perceber o que vai na mente destes cientistas, tentem ver até ao final os dois vídeos. Eu só vi mesmo para me certificar de que é uma palhaçada completa, de início ao fim!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poluição solar com chumbo

Um leitor chamou-nos a atenção para um artigo de Perry Gottesfeld e Christopher Cherry, da Universidade de Tennessee, que apareceu na edição de Setembro passada da revista Energy Policy. Eles evidenciam aquilo que já repetidamente aqui referimos: que a energia solar não é tão verde quanto isso!

Nesse artigo, eles referenciam que a energia solar que depende da existência de baterias, tem o potencial de libertar mais de 2.4 milhões de toneladas de poluição de chumbo, na China e Índia. Segundo o artigo, em 2022 a poluição de chumbo pode ser equivalente a um terço da actual produção de chumbo!

O estudo refere ainda que nos países referidos, China e Índia, a quantidade de chumbo que resulta em poluição é absolutamente assustadora, com 34% na China e 22% na Índia! Tal deriva das actividades de mineração, manufactura e reciclagem, entre outras, como é visível na imagem acima. Não admira pois que estejam a ser fechadas muitas dessas instalações...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A falácia da Balança Comercial

É um tema recorrente, e o Diário Económico voltou com ele à carga recentemente. Foi igualmente utilizado na peixeirada pelo Carlos Pimenta. É a ideia de que as energias renováveis contribuem para diminuir o défice da balança comercial, por se evitar a importação de combustíveis. O artigo do DE é tão tendencioso que termina com um "só assim será possível continuar a diminuir a dependência e a factura energéticas do País."

Nada de mais errado! Para o exemplificar, peguemos num dos melhores exemplos da demagogia verde: a central da Amareleja. Os verdes adoram-na, esquecendo-se que, por exemplo, para a construção desta central foi autorizado o abate de 414 azinheiras adultas e 319 jovens. A central da Amareleja tem uma potência instalada de 45.78MW, correspondente a 2520 painéis. Era suposto produzir 93 GWh por ano, mas em 2010, a central produziu apenas 88 GWh, dos quais 61 corresponderam à Acciona, e os restantes à Mitsubishi. Tudo isto porque a Mitsubishi tem uma participação de 34.4%.

Quanto é o valor pago pela energia da Amareleja continua a ser um segredo bem guardado! O valor dado neste documento da Assembleia Municipal de Moura continua a ser o valor mais fidedigno que encontrei até hoje, de 0.317€ por kWh.

O confronto com outros valores denota que o valor é provavelmente mais elevado. Segundo este documento da ERSE, em 2010 produziram-se 166.5 GWh de origem fotovoltaica. Tal revela que a central da Amareleja foi responsável por quase 53% desse total. Segundo o mesmo documento da ERSE, o preço de referência do mercado regulado foi em 2010 de 39.20 €/MWh, enquanto o preço médio da energia fotovoltaica foi de 329.80 €/MWh.

Considerando apenas o caso da Amareleja, e uma produção de 88 GWh em 2010, as contas são fáceis de fazer: se não existisse central fotovoltaica, teríamos que comprar 88 GWh a 39.20 €/MWh, o que dá um custo de 3.450 milhões de euros. Note-se que este é o custo da energia, e não dos combustíveis importados... Enquanto isso, para produzir os mesmos 88 GWh, e considerando o custo de 317 €/MWh, pagou-se aos donos da central da Amareleja cerca de 27.896 milhões de euros! Mas, se se utilizar o valor médio da ERSE, então o valor sobe para 29.022 milhões de euros. Este último valor está muito mais próximo dos 29.975 milhões de euros inscritos nas contas anuais da Acciona, relativamente à sua participada "Amper Central Solar Moura, S.A.".

Resumindo, para evitarmos pagar menos de 3.45 milhões de euros a estrangeiros, entregamos 29.022 milhões de euros a estrangeiros, neste caso à Acciona e Mitsubishi. Noutros projectos é a mesma coisa, e se não é a empresas estrangeiras, é para o serviço da dívida. E este ano a história é semelhante, embora o custo do preço de referência do mercado regulado tenha subido de 39.20 €/MWh para 51.84 €/MWh. Como é que isto beneficia a nossa balança comercial, ultrapassa-me...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Peixeirada no Prós e Contras

A Fátima Campos Ferreira, no Prós e Contras de ontem, debateu com vários participantes, o tema do "Insustentável Custo da Energia". O vídeo do programa está disponível nestes links, primeira parte, e segunda parte. Também já está disponível no youtube, com a primeira de dez sequências abaixo.

O programa foi uma verdadeira peixeirada. O pior de todos foi o habitual Carlos Pimenta, que chegou a gritar e exaltar-se na parte final do programa (a partir do minuto 56:05 do segundo vídeo). Quem assim faz perde toda a credibilidade! Também exibiu os gráficos do costume, já aqui no blog completamente descredibilizados. Tal é o exemplo do custo dos MWh da energia eólica, nos 74 €/MWh (minuto 21:11 do primeiro vídeo), que desmontamos aqui, e que actualizamos aqui.

Particularmente mal esteve também Patrick Monteiro de Barros! Nem sequer iniciou a defesa da sua dama, o nuclear, com medo da mesa oposta... Ele, como todos os restantes, já perceberam que o nuclear seria igualmente um erro enorme em Portugal! No meio, por diversas vezes, a Fátima Campos Ferreira ainda tentou puxar umas palmas da audiência, para as renováveis... Mas ninguém bateu palmas!!! Mas quem deve ter ficado com as orelhas a arder foi o António Mexia, sucessivamente referido, mas convenientemente ausente...

Resumindo, o que ninguém explicou mesmo é como se baixa a factura! E como se pode ver pela reacção do público, ao minuto 36:36 do segundo vídeo, o que o Zé e a Maria queriam era baixar a tarifa da electricidade! Mas era tão fácil explicar essa parte... Considerando que há cerca de 6 milhões de consumidores de energia doméstica, devia-se:

  • Acabar com as tarifas feed-in das eólicas e solar. Representaram cerca de 556 milhões de euros em 2011. Dá uma poupança média de 7.72 euros por mês.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Microgeração, a forma mais anti-social de geração de electricidade. Custa cerca de 16 milhões de euros por ano (pag. 33 deste documento da ERSE), o que dá 0.22 euros por mês de poupança média.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Cogeração não renovável. É uma poupança de mais 290 milhões de euros (pag. 33 deste documento da ERSE), o que daria a cada consumidor uma poupança mensal de 4.03 euros.

Estas três simples medidas dão um total de poupança mensal de 11.97 €, em média para cada consumidor. E como se pode ver aos 40:20 do segundo vídeo, os Portugueses estão perfeitamente de acordo que estes "direitos adquiridos" têm igualmente que acabar! Na factura exemplo dada no Prós e Contras, no valor de 84.76 €, tal representaria uma poupança de mais de 14%. Era assim tão difícil explicar isto???



Nota: A ERSE resolveu apagar o documento que referencio neste artigo... O que terão eles a esconder??? Podem ver que ele até ainda é referenciado nesta pesquisa do Google, sendo ainda visível um previsualização desse PDF, podendo-se igualmente confirmar a sua referência noutros sites da Internet... Se alguém precisar, tenho cópia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Melgueiro e as condições meteorológicas excepcionais

Nos quatro posts passados sobre David Melgueiro, abordamos primeiro o relato da suposta viagem, depois as tentativas anteriores, bem como a cartografia da época. Finalmente, neste post abordamos outros factores que podem indiciar que a Passagem era susceptível de ser concluída com êxito. A sequência completa desta investigação de David Melgueiro está disponível aqui, estando a versão em inglês disponível aqui, tendo sido igualmente publicada no Watts Up With That.

Do último post destacamos novamente Damião Peres, que referiu na sua "História dos descobrimentos portugueses" de 1959, a "eventualidade de terem existido condições meteorológicas excepcionais". Foi esta frase que me lançou nesta cruzada!

Sabia bem que não havia registos de temperaturas fiáveis à época. Mas sabia que haviam sido calculadas temperaturas para esse século pela dendrocronologia. De todos os trabalhos até hoje, há um que é dos mais referenciados na comunidade científica: "Annual climate variability in the Holocene" de Keith R Briffa, publicado em 2000 na Quaternary Science Reviews, e disponível aqui em PDF. Da análise visual que se pode fazer das médias de temperaturas que Briffa publicou na Figura 1 do seu paper, visível no gráfico abaixo, podemos ver que há efectivamente por volta de 1660 uma subida de temperaturas:


Sabia que Steve McIntyre já havia analisado estes estudos, e neste artigo encontrei informação importante para contextualizar o estudo de Briffa, bem como os dados originais deste. A importância deste trabalho é que a média de Briffa é chamada de "Northern Chronology Average", porque é obtida a partir de séries a latitudes elevadas. Tais temperaturas representam pois uma boa estimativa das temperaturas experimentadas ao longo da História, na zona por onde se faz a passagem do Nordeste. Daqui facilmente cheguei ao gráfico seguinte, utilizando os dados médios compilados por Briffa:


Aí se verifica que o ano do início da viagem de David Melgueiro, mas sobretudo os anos imediatamente anteriores, foram anos com temperaturas, no norte do hemisfério norte, claramente superiores à média. Aliás, foram as temperaturas mais elevadas em cerca de dois séculos! Tais temperaturas poderão ser uma prova de que terão existido as "condições meteorológicas excepcionais" de que Damião Peres falava.

Para uma melhor contextualização dos registos da Passagem do Nordeste, na imagem anterior anotei as datas mais relevantes da Passagem do Nordeste. Particularmente relevante são os anos frios experimentados por Barentsz, mas que mesmo assim ainda conseguiu contornar a parte norte da ilha de Novaya Zemlya, não muito longe do Cabo Chelyuskin, a parte mais a norte da Ásia. Note-se que as temperaturas experimentadas por Melgueiro terão sido melhores que as do próprio Nordenskiöld, que também teve a seu favor, nos seus dois anos de viagem, temperaturas acima da média...

Esta evidência não prova todavia que a viagem de David Melgueiro se tenha realizado. Apenas a torna mais provável, segundo as próprias palavras de Damião Peres. Os dados concretos praticamente não existem, e um manto de secretismo parece ter envolto esta história. Buache queixava-se mesmo que registos holandeses da suposta viagem não estavam disponíveis. Quem sabe, as provas definitivas estão aí algures...

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html

Dados que indiciam possibilidade de viagem de Melgueiro

Este é o quarto episódio na saga da análise da possibilidade da Passagem do Nordeste ter sido efectivamente realizada por David Melgueiro. Depois de termos introduzido a viagem, verificado os antecedentes, e a cartografia disponível, e antes de passarmos ao post final, analisaremos neste outras evidências que permitem equacionar a possibilidade da realização da viagem.

Edmund Burke, um autor irlandês, no seu Annual Register de 1760, descreve outros pormenores que evidenciam como uma passagem do Nordeste, e a viagem de Melgueiro, era possível:

This testimony is confirmed by several collateral proofs of a north passage to India; the captain aud crew of a vessel called the Epervier, who having suffered shipwreck in 1653, near the islands of Japan, were thirteen years prisoners at Corea, affirm that many of the whales, which they saw in the sea between Corea and Japan, had hooks and harpoons in them belonging to the French and Dutch, who generally fish for these animals at Spitzbergen, the northern extremity of Europe.

Burke vai mesmo mais longe, avançando com relatos da época:

Capt. Wood also reports, in 3 paper published before he performed his voyage, that two Dutch vessels had proceeded as high as lat. 89, which is within one degree of the pole, and there found the sea free and open, though of an unfathomable depth, as appears by four of their journals, which, though separately kept, concurred in this fact, Wood adds, that a Dutchman of great veracity had assured him, that he had even passed under the pole, and found the weather as warm as at Amsterdam. Nor will this appear strange, when it is considered that there being no ice in this part, for the reasons already assigned, the Sun must necessarily give a considerable warmth to the air, by remaining so long above the horizon: so that, upon the whole, the reality of a passage through the North Sea to India seems to be a fact supported by every kind of proof that the subject will admit, except the living testimony of mariners who have made the voyage.

Este último texto é igualmente relatado por Johann Reinhold Forster, no seu livro History of the voyages and discoveries made in the North, nas páginas 426-427.

Sobre o Inverno de 1660-1661, há ainda um relato muito interessante do diário de Samuel Pepys, onde ele relata um Inverno particularmente quente, embora relativo ao Reino Unido, e que poderá ter contribuído para reunir as condições para a viagem de Melgueiro:

It is strange what weather we have had all this winter; no cold at all; but the ways are dusty, and the flies fly up and down, and the rose-bushes are full of leaves, such a time of the year as was never known in this world before here.

Todo este enquadramento permitiu a alguns historiadores equacionar a possibilidade de que esta viagem de David Melgueiro tenha sido efectivamente possível. Talvez a mais reconhecida dessas opiniões seja a de Damião Peres, que na sua "História dos descobrimentos portugueses" de 1943, nos descreve (com realces da minha responsabilidade):

Viagem de David Melgueiro sob bandeira holandesa
Em 1701, o oficial da marinha francesa La Madelène, que se achava em Portugal ao serviço da diplomacia do seu país, como agente secreto, comunicou ao Conde de Pontchatrain sensacionais notícias relativas a uma viagem do Japão para Portugal, realizada, através do Oceano Ártico cerca de quarenta anos antes, por um navio holandês cujo comando era exercido pelo capitão português David Melgueiro. A dita embarcação, que se chamava O Pai Eterno, saíra do Japão em 14 de Março de 1660, correra a costa da Ásia para o norte, atingira cerca de 84° de latitude setentrional, e daí fora até às vizinhanças da Spitzberg, donde, passando entre esta ilha e a Gronelândia e por oeste da Escócia e da Irlanda, viera demandar a foz do rio Douro. No Porto veio a morrer, por 1673, o dito capitão português, como testemunhava um marinheiro do Havre, que aí então ainda o vira.
A carta de La Madelène onde tais informações se encontravam, datada de 14 de Janeiro de 1701, foi publicada em 1853 pelo geógrafo Filipe Bouache numa memória intitulada Considérations geographiques et physiques sur les nouvelles découvertes au Nord de la grande mer appellée vulgairement la Mer du Sud avec des cartes qui y sont relatives, cuja substância se repetiu no ano seguinte num artigo das Memoires de Mathematique et de Physique tirées des registres de l'Académie Royale des Sciences.
Publicando a referida epístola, Buache mostrou-se convicto de que Melgueiro descobrira de facto uma nova via de comunicação entre os oceanos Pacífico e Atlântico - a chamada passagem de nordeste - percorrendo o Ártico de leste a oeste, após ter ali penetrado pelo estreito que separa a Ásia da América, estreito que ele, Buache, vira representado num mapa português, existente em Paris, desenhado em 1649 pelo cartógrafo Teixeira.
A opinião de Buache não logrou geral aceitação, combatendo-a sobretudo o geógrafo Nordenskiold, alegando: a) ser inverosímil a facilidade com que a viagem fora feita; b) não atingir a latitude de 84 graus boreais a costa asiática, que a epístola de La Madelène dizia percorrida até aí.
Sem dificuldade alguma desfez Jaime Batalha Reis - ao divulgar em Portugal, há meio século, os estudos de Buache - os argumentos de Nordenskiold, afirmando: a) que nada se sabe a respeito das facilidades ou dificuldades encontradas durante a viagem, pois quanto a isso é totalmente omissa a breve notícia redigida por La Madelène; b) que nela não se afirma ter sido costeada a Asia até 84º Lat. N., mas sim o navio correra ao norte até 84 graus, tendo primeiro acompanhado a costa.
Recentemente, mostrou-se também pouco inclinado a aceitar como realmente seguido por Melgueiro o dito itinerário um historiador português - o Visconde de Lagoa. Para este autor são suspeitas as condições em que a notícia da viagem de Melgueiro se tornou conhecida: fixada, tardiamente, por «um tal M. La Madelène, oficial de marinha francês em serviço de espionagem diplomática em Portugal, notícia, por seu turno, inspirada na outiva de um marinheiro do Havre que residiu no Porto e foi íntimo confidente de Melgueiro, a cujos derradeiros momentos assistiu», não tendo havido, por parte dos holandeses, qualquer esforço de propaganda dum tal efeito, que os honraria tanto como aos portugueses, mas antes, como até já La Madelène supunha, um deliberado propósito de ocultar o relato coevo, decerto redigido. Quanto à citação do mapa de João Teixeira, feita por Buache, crê o Visconde de Lagoa haver nela um equívoco, devendo tratar-se não dum mapa do dito cartógrafo português, mas sim duma das cartas do atlas anónimo atribuído a Baptista Agnese, de que existe um exemplar na Sociedade de Geografia de Lisboa, e na qual «se vê, de facto, o traçado da viagem em questão».
Observaremos, quanto a esta última afirmação, que no referido mapa atribuído a Baptista Agnese está de facto marcada uma viagem em regiões nórdicas, entre o Extremo-Oriente e um porto setentrional da costa ocidental da Península Ibérica, o qual bem pode ser o Porto. Simplesmente, tal percurso de nenhum modo corresponde à descrição da viagem que se atribui a Melgueiro, realizada pelo norte de Ásia e da Europa, ao passo que aquele liga o Pacífico ao Atlântico pelo norte da América setentrional, parecendo corresponder à discutida viagem de Maldonado (1588), em que se diz ter tomado parte o piloto português João Martins. De resto, o que Buache afirmou não foi que um percurso como o de Melgueiro se encontrava traçado num mapa português de 1649, mas sim que neste se via marcado o estreito existente entre a Ásia e a América do Norte; ora esta modesta afirmação nada tem de extraordinário, pois esse estreito, com a denominação de Aniam, se encontra efectivamente em muitas cartas anteriores à data em que se diz feita a viagem de Melgueiro. E até, quanto a nós, o facto de já se conhecer tal estreito, dá verosimilhança à iniciativa atribuída a Melgueiro, que por ele se meteria à busca duma passagem para a Europa, muito mais curta do que a habitual através do Pacífico, do Índico e do Atlântico.
No entanto, tem de reconhecer-se que não constitui prova documental suficiente para uma afirmação absoluta o documento de La Madelène, publicado por Buache, e que a extrema dificuldade duma extensa viagem pelas águas do Ártico, semeadas de gelos, põe de sobreaviso contra optimismos de aceitação. Contudo, nem esta extrema dificuldade significa impossibilidade — não só porque pode crer-se na eventualidade de terem existido condições meteorológicas excepcionais, como sobretudo porque as águas do Ártico correm para oeste pelo norte da Ásia e da Europa, — nem quanto ao documento invocado e à sua autoria se divisa qual o móbil determinante duma fraude. E assim, sem poder afirmar-se peremptoriamente que o descobrimento da passagem do nordeste foi feito em 1660 pelo capitão português David Melgueiro, nada impede de crer que tão sensacional feito foi efectivamente realizado.

Este pormenor das correntes do Árctico é hoje confirmada em vários sites. A análise das correntes favorece naturalmente uma Passagem de Nordeste de este para oeste, sobretudo dadas as características dos navios da época.

Igualmente curioso é o facto do mapa de Spitsbergen de Blaeu, de 1662 (imagem retirada daqui e visível abaixo), ser o primeiro que mapeia a costa norte de Spitsbergen. Note-se que as referências à viagem de Melgueiro referem que ele terá passado entre Spitsbergen e a Gronelândia, pelo que teria tido que fazer a viagem pela costa norte de Spitsbergen. Ainda assim, mesmo que não tenha qualquer relação com Melgueiro, evidencia como era conhecido que aquelas águas ficavam livres do gelo polar durante o Verão.



Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carro aquecido de forma renovável

O frio que tem grassado por essa Europa fora não tem sido um problema para Pascal Prokop. Ele tem na sua carrinha Volvo 240, de 1990, um aquecimento que consome recursos renováveis, neste caso lenha. Como podem ver abaixo, este é um aquecimento sustentável, que obteve a respectiva licença de circulação, embora emita um pouco de fumo a mais que o carro normal, como podem ver nas imagens abaixo:


Sinceramente, não sei o que motivou este Prokop. Mas uma coisa é certa: não é um equipamento de ar condicionado, e terá certamente pouca utilização num contexto de Aquecimento Global. Fiquem com mais um vídeo, e vejam como ele está melhor preparado para a próxima Idade do Gelo:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Previsões vergonhosas do Instituto de Meteorologia

O Instituto de Meteorologia lançou ontem, com grande fanfarronice, e papagueado pelos do costume, os cenários climáticos para o continente no século XXI. A motivação é simples (realces da minha responsabilidade):

Por forma a contribuir cientificamente para a sustentação destas medidas de adaptação, o Instituto de Meteorologia, I.P. desenvolveu, em parceria com o Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa e integrado no consórcio Europeu ECEARTH, a realização de cenários globais para o clima de Portugal continental, cujos resultados serão igualmente integrados no próximo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Quando cheguei à parte dos gráficos, entrei praticamente em choque com as imagens das anomalias de precipitação e temperatura até 2100:


O primeiro problema começa quando o Instituto de Meteorologia avança referindo um estudo supostamente recente, mas em que depois se verifica que os cenários futuros afinal começam em 2006! Será que o Instituto de Meteorologia não tem dados mais recentes? Mas se se ampliarem os gráficos, como se observa abaixo, rapidamente se percebe que a curva preta, que segundo o IM corresponde ao "período de 1850-2005", afinal termina em 2000!

Sobre o gráfico da anomalia de precipitação, o primeiro acima, nem é preciso verificar o que quer que seja. O Instituto de Meteorologia utilizou dois cenários, o cenário RCP4.5 (menos gravoso) e RCP8.5 (mais gravoso). Mas reparem que, em grande parte das próximas décadas, quando um vai para cima, o outro vai para baixo! O leitor é capaz de se imaginar a fazer uns rabiscos no gráfico, e a fazer uma previsão igualmente válida? Ou então imaginar como seria o gráfico se o Aquecimento Global/Alterações Climáticas pudessem ser resolvidas com um estalar de dedos? Será que ficaria uma recta horizontal, como aquela que aparece nos monitores cardíacos quando um paciente morre?

Quanto às temperaturas, a escandaleira é ainda maior! Comecemos pela imagem à esquerda abaixo (clicar nas imagens para observar em maior detalhe ainda), retirada da página 5 do Boletim Climatológico do Ano 2010, e que representa a variabilidade da temperatura média anual em Portugal Continental. Agora, vejam na imagem da direita a ampliação da imagem acima. Vejam primeiro como conseguiram acelerar a subida! Mas a aldrabice é fácil de desmontar se verificarmos que as médias de 2006 e 2011 (este ano foi precisamente de 16.00ºC) foram praticamente idênticas aos valores de 1948 (que também registou exactamente 16.00ºC!) e 1949. Vejam onde ficam estes dois anos recentes no gráfico abaixo:


Agora se repararem que os outros anos da década passada foram bastante inferiores aos de 2006 e 2011, a desmontagem das previsões está completa! É preciso ter muita lata, e ser muito incompetente, para publicitar estes gráficos da treta!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O desatino Alemão

Os Alemães andam desatinados! É nisto que dá o gelo do Aquecimento Global. Em Portugal, isso tem sido notório nos últimos dias, com as críticas de Angela Merkel à Madeira, mas que nem são as mais graves, porque até se pode concordar com a argumentação. Hoje soube-se que o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, critica as relações de Portugal com Angola, pelo facto de eles estarem a investir em Portugal.

O problema dos Alemães é que começam a perceber que nós, ao contrário da Grécia, temos outras alternativas. Sempre fomos, ao longo da História, um povo mais preparado para a globalização, de que praticamente todos os povos da Europa. Um bom exemplo do problema dos Alemães é que a E.ON, que queria comprar a nossa EDP, não tinha o dinheiro dos Chineses, e pior, por causa da decisão louca da Merkel, de encerrar as centrais nucleares, está a despedir 11000 pessoas por via dessa decisão. Decisão que afecta directa e indirectamente muitas empresas alemãs, e que tem um custo brutal, conforme cálculos da própria Siemens.

O problema dos Alemães é que, na verdade, ninguém gosta deles, nem sequer os vizinhos. Neste momento, as poucas razões para se gostar dos Alemães são alguns dos seus produtos, como é o exemplo dos carros. Que estão a ser comprados em grande quantidade pelos Chineses, que assim estão a manter a economia alemã. Mas Schulz não vê certamente problema aí...

Mas o grande problema dos Alemães são eles próprios. Agora que eles estão a descobrir que andaram a ser enganados pelos Verdes e alarmistas ecologistas, que têm uma forte implantação naquele país, e ainda pelos políticos submissos à Religião Verde, é que vai ser lindo!

P Gosselin tem referenciado no seu blog exemplos extraordinários de como os Media estão a reagir. O golpe de misericórdia foi a feliz coincidência do lançamento do livro "Die kalte Sonne: Warum die Klimakatastrophe nicht stattfindet", de Fritz Vahrenholt e Sebastian Lüning, com a vaga de gelo que assola especialmente a Europa central.

A importância do livro está no facto de que Fritz Vahrenholt é um alarmista revoltado. Vejam esta entrevista que deu à Der Spiegel, numa tradução para português do colega blogger Maurício Porto. Vahrenholt é um especialista em energias renováveis, e um dos pais da Religião Verde moderna da Alemanha. Mas parece que é um dos que sabe fazer contas, e há dois anos, ao rever um relatório do IPCC na área das energias renováveis, descobriu numerosos erros. Ele perguntou a si próprio se o mesmo se verificaria no domínio do Clima? O que ele descobriu deixou-o indignado, ao ponto de ter concluído:

I couldn’t take it any more. I had to write this book.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ecotretas - o livro

Aquando do anúncio da vitória para o Blog do Ano, categoria Natureza, havia prometido um agradecimento peculiar aos leitores. E aí ele está, a compilação de todos os posts do Ecotretas, num formato de livro digital, em PDF.

São quase 750 páginas, nesta edição, onde compilei todos os posts do blog, desde o seu início até ao final de 2011. São 1410 posts feitos ao longo dos anos, e que agora reúno num formato fácil de leitura em computador, iPad ou em qualquer outro equipamento que suporte um PDF tão grande! O PDF não tem uma formatação profissional, mas ainda assim tem uma capa e um Índice extenso. Os links e as imagens estão funcionais, pelo que basta clicar neles para iniciar a navegação! Gostaria de ter feito um Índice remissivo por categoria, mas confesso que não sei como o fazer em LibreOffice (ou noutro Office qualquer).

O documento/livro está disponível aqui. Tem quase 60MB, pelo que pela taxa Canavilhas, assunto hoje discutido na Assembleia da República, custa a módica quantia de 0.0012 € em taxas... Não é muito, mas não posso dizer que é de borla... Hei-de todavia verificar se posso reaver esses créditos da SPA, como autor que sou.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que se passa na Quercus?

Alertado por um leitor, constatei que há alguma coisa estranha a passar-se na Quercus! Nas últimas eleições, Susana Fonseca, a anterior Presidente, passou a Vice-Presidente. E assim tem sido referenciada ao longo de 2011. Mas olhando para a lista dos Órgãos Sociais, não aparece lá! E procurando bem, Francisco Ferreira, também anunciado como Vice-Presidente, nomeadamente na conferência de Durban, também não faz parte das listas dos Órgãos Sociais?

Ocorre-me que é um problema de actualização do site da Quercus. Mas a bota não bate com a perdigota. O Presidente está correcto, mas os Vice-Presidentes que passam para a imprensa não são os que estão no site? Algo de muito estranho se passa na mais importante organização ecologista deste País...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vem aí o frio (outra vez)

Há uma semana e meia tinha alertado para o frio que aí vinha. Agora que a segunda vaga vai chegar nas próximas 48 horas, nada como recordar algumas das melhores fotos deste Inverno na Europa. A minha favorita retirei-a daqui e é a primeira imagem abaixo. Vejam como um carro suporta este arrefecimento. O Expresso também elaborou uma infografia muito interessante, donde retirei a segunda imagem abaixo, da Suiça:


Maurício Porto fez uma lista interessante do que os italianos estão a passar. 160 000 pessoas estão sem electricidade! O meu local preferido em Itália é certamente Veneza, e dá que pensar ver os canais a congelar (imagens do Daily Mail):


Ainda do Daily Mail, vemos magníficas imagens de Lyon e Londres (Hyde Park):



Esta foi uma semana que fez umas centenas de mortes, muitas ainda concerteza por contar... Eu, pessoalmente, já estou com saudades do Aquecimento Global... Mas, outros celebram aquele que é um dos melhores Invernos, para o ski, das últimas décadas!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Living on thin ice

Living on thin ice was Al Gore's motto for his ongoing trip to Antarctica. This guy, who happens to have a Nobel prize, and believes that the temperature of the Earth is “several million degrees” at “2 kilometers or so down”, might have thought that it had surfaced somewhere, and that Antarctica was one of the last places where he could find a leak. So he's down under trying to find that missing heat...

Some days ago I started a list of who has joined Gore's party. It can be found at the bottom of this post, with the appropriate links. If you know anyone who is on the cruise and not included in the list, please let me know. It has paid off, as it is now simple to track what is happening to the Gore mission. The first symptom is that the Climate Reality posts are not even talking about the voyage, so inconvenient it is... It is talking about the heat in America, where he could have experienced higher temperatures in Winter, than the Summer in Antarctica. But you know Mother Nature: everywhere Al Gore goes, the Gore effect kicks in! Even the NOAA scientists onboard agree, with days "mostly spent in thick driving snow" while observing "humpback whales (...) victims of an apparent krill overdose".

So following the links from Gore's friends do reveal some wonderful icy pictures. Check them out below, to find out how Gore, and friends, are trying to find the missing heat! View more original pictures, following the links below the pictures:


www.forseti.is/Myndasafn/2012/2012_01_30_sudur2/

yfrog.com/h276fgnsj

instagr.am/p/nVaWy/


https://twitter.com/#!/SvenLEX/status/165521757187485696/photo/1

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Votar de forma céptica

Em Janeiro pedi aos leitores a votação no Blogs do Ano 2011, que acabei por ganhar na categoria Natureza. Agora, outra votação muito importante surge a nível internacional, e na qual surgem sites bem conhecidos dos leitores do Ecotretas.

O blog do Anthony Watts, Watts Up With That?, surge como concorrente em duas categorias, melhor ciência/tecnologia e prémio carreira. O Climate Audit, de Steve McIntyre, concorre para melhor blog canadiano. Nas antípodas, a decisão é particularmente difícil, entre a JoNova e o Australian Climate Madness. Finalmente, para melhor blog europeu, temos o Tallbloke’s Talkshop, recentemente incomodado pela polícia Inglesa, por causa do Climategate.

A votação é um pouco diferente da que experimentamos em Portugal, e tem felizmente mais mecanismos de verificação. A votação decorre neste link: 2012.bloggi.es Para verem como votar, recomendo o artigo de explicação no WUWT. Não vamos deixar de contribuir com o nosso voto!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Manifesto e o Monstro

Depois de um primeiro Manifesto em 2010, e de uma re-edição em 2011, um conjunto de mais de 50 signatários produziram este ano um Manifesto por uma nova política energética em Portugal III.

A apresentação pública decorre hoje em Lisboa, mas havia sido antecipada por várias notícias nos Media, mas sobretudo pelo Prof. Pinto de Sá, no seu blog. O diagnóstico está bem feito, e refere-se a muitos aspectos que tenho abordado neste blog. Nesse aspecto, as referências ao gás de xisto e à biomassa são dois óptimos exemplos de recursos que não estamos a aproveitar. O Manifesto só peca por insistir no nuclear, que não é uma solução para Portugal, e que o Ministro Álvaro, na minha opinião bem, já descartou.

Mas a verdadeira mais-valia do Manifesto está na identificação do Monstro. O monstro eléctrico que come todos os subsídios, directos e indirectos. E que nos chupa até ao tutano! Mas que está bem identificado... Até a Troika exigiu inicialmente que fosse atacado até ao final de 2011. E que o Governo prometeu domar até ao final deste passado mês de Janeiro. Depois, foi adiado para 2 de Fevereiro. Vamos a ver se o Monstro se continua a mostrar mais forte...

Actualização: O Plano Estratégico da Energia foi adiado mais 15 dias...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gore na Antárctida

Soube-se há cerca de duas semanas que o profeta Gore iria visitar a Antárctida, na presença dos seus apóstolos seguidores. Os padres e aprendizes também vão...

É neste contexto que se fazem outras expedições, como as dos jornalistas alarmistas do Público, que relatam a pouca vergonha da investigação nacional que se faz neste domínio, e que nenhuma vantagem traz para o nosso País, para além de permitir umas espectaculares férias a uns quantos "cientistas"! Vejam o seguinte exemplo:

Por outro lado, o voo foi aberto a investigadores de outros países, que podem usá-lo nos seus trânsitos, o que foi possível devido ao financiamento de quase cem mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) destinado ao aluguer do avião.

É fácil perceber o que Al Gore vai fazer. Na Antarctida nem tudo é gelado, como se pode ver pelo exemplo da ilha de Deception, onde se podem tomar uns banhos de sauna... Basta ele enquadrar uma paisagem sem neve para logo um Planeta estúpido ficar aflito!

A realidade da Antárctida é contudo muito diferente, como este relato de uma expedição australiana confirma. E os próprios cientistas confirmam que não há aquecimentos para aqueles lados... A visualização da extensão de gelo confirma que está bem acima da média, e pior, que tem estado a subir ao longo das últimas décadas! Enfim, vamos ver se não haverá uma re-edição da história do MS Explorer. Por enquanto, fiquem com uma lista de alguns dos 116 religiosos que se sabe irem a bordo:








segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Climate4you

De vez em quando tropeço em sites verdadeiramente fabulosos. Via Watts Up With That, segui um link para o Climate4you. O site regista informação, essencialmente em gráficos, que cobrem vários dos dados meteorológicos e climáticos. Para além disso, reforça com uma componente histórica, uma vertente muito do agrado do Ecotretas. O site também parece isento, dado que não transmite uma posição alarmista. Afinal, transmite uma mensagem clara, que é a dada pelos números. Como a do gráfico que exemplifico ao lado, que descreve a variação anual do nível médio do mar. Para onde é que ele se dirige? Para baixo, claro!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Blog do Ano - Natureza

Há uma semana havia convidado os leitores a votarem no Ecotretas para o Blogs do Ano 2011. Hoje, sairam os resultados finais, e sem surpresa, para quem acompanhou a votação ao longo da semana, o Ecotretas ganhou na categoria Natureza.

Em primeiro lugar, quero louvar a iniciativa do Aventar.eu. Organizar este concurso é uma tarefa que dá mesmo muito trabalho, e a sua opção pelo polldaddy.com revela um conhecimento muito adequado desta temática da votação electrónica. É claro que algumas queixas se levantaram, perfeitamente normais nestas circunstâncias. São inciativas como estas que efectivamente contribuem para dinamizar os conteúdos em Português, e dar a conhecer muitos blogs. No meu caso isso não foi muito notório, dada a grande exposição que o blog já atinge, mas o certo é que eu próprio descobri muitos outros blogs muito interessantes, e que vou passar a seguir!

Em segundo lugar, quero elogiar os outros sites a concurso, na categoria Natureza. Em particular, ao Armindo Tavares, do Canários Arlequim Português, que demonstrou muito fair-play!

Finalmente, o mais importante! Quero agradecer a todos os leitores que votaram em mim. Eu era um dos blogs mais desfavorecidos nesta votação: não podia pedir aos meus amigos que votassem em mim! Mas podia pedir aos meus leitores: foi isso que fiz no blog e por email. Dois leitores foram particularmente importantes; não os vou aqui referir explicitamente, mas eles sabem quem são, até porque vou agradecer pessoalmente! Mas todos responderam de forma muito significativa!

O Ecotretas vai continuar a tentar corresponder a esta onda verde, de esperança, que procura um Mundo ecologicamente mais são, mas livre destes ecologistas da treta, que nos chateiam todos os dias. Continuaremos a expor os disparates que se dizem e fazem à volta da Ecologia. Nos próximos dias agradecerei de uma forma muito peculiar toda esta V/ dedicação. O meu muito obrigado!

sábado, 28 de janeiro de 2012

A cartografia antes de Melgueiro

Após um artigo inicial sobre David Melgueiro, e outro sobre as explorações procurando a Passagem do Nordeste antes de 1660, vamos neste abordar a cartografia disponível à época da possível viagem de Melgueiro.

Por volta de 1490, o cartógrafo alemão Henricus Martellus produziu um mapa do Mundo conhecido até então, visível na primeira imagem abaixo, onde é visível uma faixa de água no norte do continente asiático, indiciando assim a possibilidade da existência de uma passagem do Nordeste. Martellus produziu ainda mais mapas, visíveis neste link. No início do século XVI, em 1507, o cartógrafo alemão Martin Waldseemüller produziu um mapa do Mundo contorverso. Uma análise detalhada da sua obra pode ser consultada aqui. No segundo mapa visível abaixo (retirado daqui), pode ver-se como também é dada a possibilidade de existência da Passagem do Nordeste.



Qualquer um destes mapas, bem como os de Martin Behaim, ao serviço de Portugal na altura, sofrem todavia fortes influência de Ptolemeu, e da sua obra Geographia.

Particularmente relevante neste domínio foram os mapas do cartógrafo Gerardus Mercator. Em 1569 produziu um mapa (imagem abaixo retirada daqui; maior detalhe aqui) com a sua projecção. Embora com notáveis erros em determinados locais do globo, o contorno do norte da Ásia revela-se aproximado com o real, excepto sobretudo na região mais a este da Sibéria. A Passagem do Nordeste é dada como um facto:


Em 1570, Abraham Ortelius, encorajado por Mercator, compilou o primeiro atlas moderno do Mundo, Theatrum Orbis Terrarum. Como se pode observar na imagem seguinte, também aqui toda a costa norte da Ásia é dada como navegável:


Na Biblioteca Nacional da Rússia encontramos mais uns mapas importantes. O primeiro mapa abaixo (imagem retirada daqui), de Abraham Ortelius, é dado como sendo de 1570, mas noutra fonte é dado como sendo de 1584. No mapa é perfeitamente visível o estreito de Anian, e é clara a possibilidade de contornar a Sibéria pelo norte. O segundo mapa, de Jodocus Hondius, de 1600, é baseado no mapa de Mercator de 1569, incorporando a expedição de Barents de 1595-1597. O terceiro mapa, de Hessel Gerritsz, é de 1613, e mapeia a Rússia, e a sua costa norte, incluindo também Novaya Zemlya. Pormenor importante sobre esta sequência é o facto de todos estes mapas serem feitos por Holandeses, ao serviço dos quais Melgueiro se encontrava.



Ainda antes da viagem de Melgueiro, há a destacar o trabalho do cartógrafo Willem Blaeu. Também ele um holandês, foi em 1633 nomeado cartógrafo oficial da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1635 produziu o Nova totius terrarum orbis geographica ac hydrographica tabula, visível abaixo:


Note-se como este mapa é muito mais real que o de Mercator e Ortelius. Blaeu produziu posteriormente mapas mais detalhados, também fruto do seu trabalho na Companhia. Na primeira das imagens abaixo (duas primeiras imagens retiradas daqui), de 1638, vemos em grande detalhe a costa norte da Rússia. Na segunda imagem, num mapa de 1640, podemos observar toda a extensão do mar Árctico. No terceiro mapa (imagem retirada daqui), também de 1638, podemos observar o extremo este do continente asiático, com mais alguns detalhes que os mapas anteriores.


O mistério envolvendo estes mapas, bem como outros, é abordada de forma interessante neste artigo. Em qualquer caso, é seguro dizer-se que David Melgueiro teria acesso a esta informação quando terá eventualmente efectuado a Passagem do Nordeste, em 1660.

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html