quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Reincidência de Jorge Vasconcelos

O antigo presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, deu uma entrevista ao Público na passada segunda-feira, onde defende que o preço da electricidade vai subir 20% a 30% até 2030. Uma reincidência, dado que é mais do mesmo daquilo pelo qual ficou conhecido. Agora, é todavia mais um vidente daqueles que atira números, sem perceber realmente o que poderá acontecer! Na verdade, a manter-se a política vergonhosa no sector, tenho a certeza que o valor será bem superior!

O problema é que o futuro não vai ser o que vai na cabeça deste ex-alto responsável, na Comissão Europeia, ou na imaginação dos alarmistas verdes. O Jorge invoca múltiplas razões, mas elas vão sair quase todas furadas. Uma delas, a da utopia dos custos das emissões de CO2 está a implodir. Depois, há a tenebrosa e contínua associação ao preço de petróleo. Nos Estados Unidos, onde a aposta no gás shale é uma realidade, ao contrário da opção estúpida da Europa, os preços de electricidade têm sofrido cortes, que já chegam aos 50% na produção!

Depois, o Jorge parece estar feliz porque "a partir de 2020 há produtores eólicos que deixarão de ter essa garantia e passar a vender no mercado com custos de produção muito baixos, tendencialmente zero". Mas, porque é que isso não acontece, JÁ? Porque temos que engordar o porco durante estes anos todos?

O que o Jorge não percebe, ou não quer perceber, tal como todos aqueles que ainda estão a tentar defender este sistema, é que a liberalização deve significar uma coisa simples. Eu poder comprar o que quero, e não comprar aquilo que não quero. É simples:
  • Eu não quero pagar energia fotovoltaica cara, como a da Amareleja. Não quero que essa tarifa apareça na minha factura.
  • Eu não me importo de consumir energia nuclear espanhola, porque o custo de produção é baixo. Pagaria um pouco pelo seu transporte até minha casa...
  • Eu não quero energia eólica em minha casa; prefiro comprar energia à central de Sines ou às térmicas a gás

Segunda esta regras, Jorge, o mercado da electricidade funcionaria muito bem. Os produtores adaptar-se-iam, e seriam abandonados os projectos megalómanos! Os Verdes, esses verdadeiramente poucos, poderiam pagar as tarifas principescas das eólicas e do Solar. Se assim fosse, ficaria outro problema rapidamente resolvido, pois os adeptos das energias caras diminuiríam muito rapidamente!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O criminoso Peter Gleick

Peter Gleick é um cientista alarmista, que já testemunhou várias vezes no Congresso Americano. Agora, e depois de uma investigação cerrada por parte dos cépticos, admitiu que foi ele quem se fez passar por terceira pessoa, roubando documentos a uma instituição privada (Heartland Institute), e passando-os aos lobos verdes, que sedentos de sangue, não hesitaram em espalhar essa informação, a mais substancial da qual é reconhecidamente falsa.

É isto que os supostos cientistas do clima e das alterações climáticas andam a fazer. A manipular informação. A roubar a informação da Resistência. A criar documentos falsos. Porque eles próprios sabem que têm que começar a cometer outros crimes, para esconder os crimes que andaram a cometer nos últimos anos!!! E que ainda nos tentavam dar lições de moral?

Por cá, os papagaios do costume embandeiraram em arco! Agora, esta notícia provavelmente só terá uma referência nas primeiras páginas do Correio da Manhã, aquelas dedicadas aos crimes do dia-a-dia. Mas não tenham dúvidas: este caso vai ter provavelmente ainda mais impacto que o Climategate! Vai mostrar a verdadeira natureza desta Ciência da treta, e dos seus pregadores. Sigam para já o thread no Watts Up With That, e esperem outras novidades brevemente...

Actualização: Este criminoso era ainda é presidente da Task Force em Ética Científica, da AGU (União de Geofísica dos Estados Unidos)
Actualização II: O criminoso já andou por território nacional, a vender o peixe na Fundação Gulbenkian...
Actualização III: O crime de Peter Gleick é de Wire fraud, punível com pena de prisão até 20 anos...
Actualização IV: Também já não vai aquecer o lugar na NCSE...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Palhaçada de Esclarecimento

Há cerca de um mês havíamos referido a estranheza acerca de um espectáculo concebido por David Marçal, Aquecimento Esclarecido. Agora, um leitor apontou-nos na direcção de dois vídeos que resumem o espectáculo. Os meus receios iniciais saíram muito reforçados, tal é a quantidade de disparate dito. Para se perceber o que vai na mente destes cientistas, tentem ver até ao final os dois vídeos. Eu só vi mesmo para me certificar de que é uma palhaçada completa, de início ao fim!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poluição solar com chumbo

Um leitor chamou-nos a atenção para um artigo de Perry Gottesfeld e Christopher Cherry, da Universidade de Tennessee, que apareceu na edição de Setembro passada da revista Energy Policy. Eles evidenciam aquilo que já repetidamente aqui referimos: que a energia solar não é tão verde quanto isso!

Nesse artigo, eles referenciam que a energia solar que depende da existência de baterias, tem o potencial de libertar mais de 2.4 milhões de toneladas de poluição de chumbo, na China e Índia. Segundo o artigo, em 2022 a poluição de chumbo pode ser equivalente a um terço da actual produção de chumbo!

O estudo refere ainda que nos países referidos, China e Índia, a quantidade de chumbo que resulta em poluição é absolutamente assustadora, com 34% na China e 22% na Índia! Tal deriva das actividades de mineração, manufactura e reciclagem, entre outras, como é visível na imagem acima. Não admira pois que estejam a ser fechadas muitas dessas instalações...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A falácia da Balança Comercial

É um tema recorrente, e o Diário Económico voltou com ele à carga recentemente. Foi igualmente utilizado na peixeirada pelo Carlos Pimenta. É a ideia de que as energias renováveis contribuem para diminuir o défice da balança comercial, por se evitar a importação de combustíveis. O artigo do DE é tão tendencioso que termina com um "só assim será possível continuar a diminuir a dependência e a factura energéticas do País."

Nada de mais errado! Para o exemplificar, peguemos num dos melhores exemplos da demagogia verde: a central da Amareleja. Os verdes adoram-na, esquecendo-se que, por exemplo, para a construção desta central foi autorizado o abate de 414 azinheiras adultas e 319 jovens. A central da Amareleja tem uma potência instalada de 45.78MW, correspondente a 2520 painéis. Era suposto produzir 93 GWh por ano, mas em 2010, a central produziu apenas 88 GWh, dos quais 61 corresponderam à Acciona, e os restantes à Mitsubishi. Tudo isto porque a Mitsubishi tem uma participação de 34.4%.

Quanto é o valor pago pela energia da Amareleja continua a ser um segredo bem guardado! O valor dado neste documento da Assembleia Municipal de Moura continua a ser o valor mais fidedigno que encontrei até hoje, de 0.317€ por kWh.

O confronto com outros valores denota que o valor é provavelmente mais elevado. Segundo este documento da ERSE, em 2010 produziram-se 166.5 GWh de origem fotovoltaica. Tal revela que a central da Amareleja foi responsável por quase 53% desse total. Segundo o mesmo documento da ERSE, o preço de referência do mercado regulado foi em 2010 de 39.20 €/MWh, enquanto o preço médio da energia fotovoltaica foi de 329.80 €/MWh.

Considerando apenas o caso da Amareleja, e uma produção de 88 GWh em 2010, as contas são fáceis de fazer: se não existisse central fotovoltaica, teríamos que comprar 88 GWh a 39.20 €/MWh, o que dá um custo de 3.450 milhões de euros. Note-se que este é o custo da energia, e não dos combustíveis importados... Enquanto isso, para produzir os mesmos 88 GWh, e considerando o custo de 317 €/MWh, pagou-se aos donos da central da Amareleja cerca de 27.896 milhões de euros! Mas, se se utilizar o valor médio da ERSE, então o valor sobe para 29.022 milhões de euros. Este último valor está muito mais próximo dos 29.975 milhões de euros inscritos nas contas anuais da Acciona, relativamente à sua participada "Amper Central Solar Moura, S.A.".

Resumindo, para evitarmos pagar menos de 3.45 milhões de euros a estrangeiros, entregamos 29.022 milhões de euros a estrangeiros, neste caso à Acciona e Mitsubishi. Noutros projectos é a mesma coisa, e se não é a empresas estrangeiras, é para o serviço da dívida. E este ano a história é semelhante, embora o custo do preço de referência do mercado regulado tenha subido de 39.20 €/MWh para 51.84 €/MWh. Como é que isto beneficia a nossa balança comercial, ultrapassa-me...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Peixeirada no Prós e Contras

A Fátima Campos Ferreira, no Prós e Contras de ontem, debateu com vários participantes, o tema do "Insustentável Custo da Energia". O vídeo do programa está disponível nestes links, primeira parte, e segunda parte. Também já está disponível no youtube, com a primeira de dez sequências abaixo.

O programa foi uma verdadeira peixeirada. O pior de todos foi o habitual Carlos Pimenta, que chegou a gritar e exaltar-se na parte final do programa (a partir do minuto 56:05 do segundo vídeo). Quem assim faz perde toda a credibilidade! Também exibiu os gráficos do costume, já aqui no blog completamente descredibilizados. Tal é o exemplo do custo dos MWh da energia eólica, nos 74 €/MWh (minuto 21:11 do primeiro vídeo), que desmontamos aqui, e que actualizamos aqui.

Particularmente mal esteve também Patrick Monteiro de Barros! Nem sequer iniciou a defesa da sua dama, o nuclear, com medo da mesa oposta... Ele, como todos os restantes, já perceberam que o nuclear seria igualmente um erro enorme em Portugal! No meio, por diversas vezes, a Fátima Campos Ferreira ainda tentou puxar umas palmas da audiência, para as renováveis... Mas ninguém bateu palmas!!! Mas quem deve ter ficado com as orelhas a arder foi o António Mexia, sucessivamente referido, mas convenientemente ausente...

Resumindo, o que ninguém explicou mesmo é como se baixa a factura! E como se pode ver pela reacção do público, ao minuto 36:36 do segundo vídeo, o que o Zé e a Maria queriam era baixar a tarifa da electricidade! Mas era tão fácil explicar essa parte... Considerando que há cerca de 6 milhões de consumidores de energia doméstica, devia-se:

  • Acabar com as tarifas feed-in das eólicas e solar. Representaram cerca de 556 milhões de euros em 2011. Dá uma poupança média de 7.72 euros por mês.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Microgeração, a forma mais anti-social de geração de electricidade. Custa cerca de 16 milhões de euros por ano (pag. 33 deste documento da ERSE), o que dá 0.22 euros por mês de poupança média.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Cogeração não renovável. É uma poupança de mais 290 milhões de euros (pag. 33 deste documento da ERSE), o que daria a cada consumidor uma poupança mensal de 4.03 euros.

Estas três simples medidas dão um total de poupança mensal de 11.97 €, em média para cada consumidor. E como se pode ver aos 40:20 do segundo vídeo, os Portugueses estão perfeitamente de acordo que estes "direitos adquiridos" têm igualmente que acabar! Na factura exemplo dada no Prós e Contras, no valor de 84.76 €, tal representaria uma poupança de mais de 14%. Era assim tão difícil explicar isto???



Nota: A ERSE resolveu apagar o documento que referencio neste artigo... O que terão eles a esconder??? Podem ver que ele até ainda é referenciado nesta pesquisa do Google, sendo ainda visível um previsualização desse PDF, podendo-se igualmente confirmar a sua referência noutros sites da Internet... Se alguém precisar, tenho cópia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Melgueiro e as condições meteorológicas excepcionais

Nos quatro posts passados sobre David Melgueiro, abordamos primeiro o relato da suposta viagem, depois as tentativas anteriores, bem como a cartografia da época. Finalmente, neste post abordamos outros factores que podem indiciar que a Passagem era susceptível de ser concluída com êxito. A sequência completa desta investigação de David Melgueiro está disponível aqui, estando a versão em inglês disponível aqui, tendo sido igualmente publicada no Watts Up With That.

Do último post destacamos novamente Damião Peres, que referiu na sua "História dos descobrimentos portugueses" de 1959, a "eventualidade de terem existido condições meteorológicas excepcionais". Foi esta frase que me lançou nesta cruzada!

Sabia bem que não havia registos de temperaturas fiáveis à época. Mas sabia que haviam sido calculadas temperaturas para esse século pela dendrocronologia. De todos os trabalhos até hoje, há um que é dos mais referenciados na comunidade científica: "Annual climate variability in the Holocene" de Keith R Briffa, publicado em 2000 na Quaternary Science Reviews, e disponível aqui em PDF. Da análise visual que se pode fazer das médias de temperaturas que Briffa publicou na Figura 1 do seu paper, visível no gráfico abaixo, podemos ver que há efectivamente por volta de 1660 uma subida de temperaturas:


Sabia que Steve McIntyre já havia analisado estes estudos, e neste artigo encontrei informação importante para contextualizar o estudo de Briffa, bem como os dados originais deste. A importância deste trabalho é que a média de Briffa é chamada de "Northern Chronology Average", porque é obtida a partir de séries a latitudes elevadas. Tais temperaturas representam pois uma boa estimativa das temperaturas experimentadas ao longo da História, na zona por onde se faz a passagem do Nordeste. Daqui facilmente cheguei ao gráfico seguinte, utilizando os dados médios compilados por Briffa:


Aí se verifica que o ano do início da viagem de David Melgueiro, mas sobretudo os anos imediatamente anteriores, foram anos com temperaturas, no norte do hemisfério norte, claramente superiores à média. Aliás, foram as temperaturas mais elevadas em cerca de dois séculos! Tais temperaturas poderão ser uma prova de que terão existido as "condições meteorológicas excepcionais" de que Damião Peres falava.

Para uma melhor contextualização dos registos da Passagem do Nordeste, na imagem anterior anotei as datas mais relevantes da Passagem do Nordeste. Particularmente relevante são os anos frios experimentados por Barentsz, mas que mesmo assim ainda conseguiu contornar a parte norte da ilha de Novaya Zemlya, não muito longe do Cabo Chelyuskin, a parte mais a norte da Ásia. Note-se que as temperaturas experimentadas por Melgueiro terão sido melhores que as do próprio Nordenskiöld, que também teve a seu favor, nos seus dois anos de viagem, temperaturas acima da média...

Esta evidência não prova todavia que a viagem de David Melgueiro se tenha realizado. Apenas a torna mais provável, segundo as próprias palavras de Damião Peres. Os dados concretos praticamente não existem, e um manto de secretismo parece ter envolto esta história. Buache queixava-se mesmo que registos holandeses da suposta viagem não estavam disponíveis. Quem sabe, as provas definitivas estão aí algures...

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html