quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sinusóide invertida das temperaturas

Pinto de Sá tem hoje um post, sobre as mortes pelo frio, que havíamos aqui abordado, com uma imagem que me chamou a atenção, e que está reproduzida aqui à esquerda. O original do gráfico foi publicado neste documento do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. O gráfico evidencia o número de mortes, em valor absoluto, por cada uma das semanas, desde a semana 40 de 2010.

O gráfico é espectacular porque evidencia como se morre em Portugal muito mais quando está frio do que quando está calor! O gráfico é uma sinusóide semelhante à das temperaturas, ainda que invertida! Por isso, da próxima vez que alguém tentar assustar com as mortes derivadas do Aquecimento Global, lembrem-se que há muitas mais mortes quando esse Aquecimento Global não acontece!

Actualização I: Segundo uma análise há dois anos, no blog Falar do Tempo, na Europa Portugal é o país onde há maior aumento de mortalidade no Inverno. No mesmo blog, há uma referência para 20 estudos deste fenómeno, altamente recomendáveis.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A falácia continuada do peak-oil

O peak-oil é uma das teorias preferidas dos ecologistas. Em 1974, Marion Hubbert, o "pai" da teoria, previu que em 1995 seria atingido o pico da produção máxima de petróleo. Não aconteceu. Desde então para cá, o ano do pico-oil foi-se adiando. Mas um dia acontecerá, certamente!

O problema é que esses profetas da desgraça esquecem-se que o Homem e a Humanidade não estão quietos. Segundo este documento da Citi Investment Research & Analysis, para o qual o leitor Horst Stricker me apontou, o conceito do peak-oil está outra vez a ser enterrado e adiado. Tudo porque os Estados Unidos, e as suas reservas de shale-oil, estão a torná-lo no país com maior crescimento na produção de petróleo. E esse crescimento só não é maior porque Obama, e as melancias, estão a tentar evitá-lo! Mas como o gráfico abaixo evidencia, o crescimento na produção de gás e petróleo é imparável, nos últimos anos, nos Estados Unidos:


O documento evidencia como a Europa está, também neste campo, a perder o comboio. Já aconteceu com o gás xisto, e isso explica porque também o preço de petróleo Brent está a descolar do WTI. Como é visível abaixo, quem está a beneficiar são os Americanos, e quem está na crise somos nós europeus:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Morrer de frio em Portugal

Há uma notícia envergonhada a circular nos Media Portugueses. Imaginem só: é o Ministro da Saúde que disse aos jornalistas que se está a morrer de frio em Portugal! Não foram os jornalistas que descobriram a notícia; tão pouco a procuraram. Foi-lhes entregue de mão beijada por Paulo Macedo:

São dados revelados pelo Instituto Ricardo Jorge, que faz a monotorização apertada destes casos de mortalidade. Há um aumento em termos homólogos e o instituto está a descer mais a fundo na monotorização para sabermos as causas, se é do frio anormal ou de outro tipo de situações
(...)
o importante é que a situação foi detetada, está a ser acompanhada e vai ser alvo de uma análise, para que se descubram os motivos que originaram um pico anormal de mortalidade nas últimas semanas

Nada que não tenha sido anunciado... Segundo esta outra notícia do Jornal i, isto ocorre pela terceira semana consecutiva, sendo que entre 13 e 19 de Fevereiro registaram-se mais de 3000 mortes. Os hospitais estão entupidos com as doenças consequências do frio, como é o caso das gripes, pneumonias e complicações cardíacas. Segunda o relato do jornal i, a OMS diz que a falta de aquecimento das casas é um dos factores de risco, e aponta ainda dados segundo os quais em Portugal 44% das famílias com idosos não tem dinheiro para manter as habitações aquecidas adequadamente.

Porque é que isto tudo acontece? Os alarmistas dizem que o Aquecimento Global vai provocar mais mortes, mas porque é que elas acontecem com o frio do Inverno deveria ser uma pergunta a que eles deveriam responder! Segunda a Grande Investigação do DN, isto deve ser o tal problema do Ambiente que mata 45 portugueses por dia. Mas 45 x 7 dá apenas 315 mortes... Quanto aos Portugueses não aquecerem as casas, já sabemos todos quem são os culpados. Mas há aqueles que gostariam que houvesse mais gente a passar frio!

Esta notícia não é todavia uma novidade. Este tema da morte pelo frio é recorrente todos os anos no blog, como podem ver pelos seguintes exemplos (1) (2) (3) (4). Por isso, não me admirava que quando Paulo Macedo receber os verdadeiros motivos, que os mesmos sejam imediatamente enfiados na gaveta das Verdades Inconvenientes!

Actualização I: As funerárias confirmam o aumento anormal de mortos.
Actualização II: Um comunicado do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge refere que "a evidência científica, nacional e internacional, confirma que os períodos de frio extremo, assim como as epidemias de gripe, estão associadas a excessos de mortalidade"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A bebedeira dos perus portugueses

Na mesma edição de ontem do Expresso, em que surgem os equívocos de Joanaz de Melo, há outro artigo verdadeiramente lamentável. É de Luísa Schmidt, uma socióloga do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e que tem tudo para passar a ser outra presença permanente do blog... No artigo do Joanaz levamos com a Terra Plana; no artigo da Luísa, levamos como o peru do Natal:

O debate sobre energia em Portugal lembra o peru do Natal nos tempos em que eram comprados vivos e embriagados para aceitarem docemente a degola. Hoje, no debate energético, a 'aguardente do peru' é o espetáculo da chicana. E, claro, quanto menor o conhecimento, maior o nível de manipulação.

É mais um artigo que começa bem! Mas, já terá ocorrido à Luísa que são os ecologistas os que têm menor conhecimento, e os que nos andam a manipular? Veja-se como a manipulação começa imediatamente a seguir:

A própria fatura da eletricidade já é um exemplo de péssima informação. Percebe-se mal o que se paga e menos ainda as razões do que se paga.

Na conta da eletricidade, entre outras coisas, temos que pagar: o serviço de carga que nos chega a casa (transporte e distribuição); a segurança de haver sempre alternativa de abastecimento (é como ter um exército em estado de prontidão); e ainda a preparação do futuro para que um dia mais tarde possamos ter eletricidade mais saudável, mais constante e, se possível, mais barata.

Então, a Luísa quer deixar de pagar o transporte da electricidade do topo dos montes, das ventoinhas eólicas, até onde o consumo se efectua? É que os sociólogos não fazem certamente a menor ideia por onde passa a electricidade verde. E nem é preciso fazer um boneco para perceber-se que a energia que é gerada no topo dos montes remotos, a horas inconvenientes, tem que ser transportada para as barragens reversíveis, onde grande parte da energia se perde... E essas barragens ficam igualmente fora de mão (Venda Nova II, Aguieira e Alqueva), pelo que transportá-la depois para as indústrias e grandes cidades é mais uma carga de trabalhos. Mas já sabemos que a Matemática e a Física não são o forte de qualquer sociólogo! Mas a Luísa parece não prezar a energia que consome lá em casa, mas a ideia de um exército em estado de prontidão agrada-me! É que é efectivamente um desperdício ter investido em eólicas, para depois se ter que manter toda a outra infra-estrutura a funcionar, de forma ineficiente e permanente, porque realmente o vento vai e vem quando lhe apetece! Mas o mais grave no raciocínio da Luísa é realmente admitir que a energia eólica possa ser no futuro mais barata; é uma fé ainda mais estupidificante que a fé da nossa Ministra da Agricultura! Mas eu quero energia mais barata, JÁ!, não daqui a 15 ou 20 anos...

Vem tudo isto a propósito da algazarra à volta dos chamados 'subsídios às energias renováveis'. Como se eles fossem uma simples benesse e não uma necessidade indispensável e inevitável.

A questão está de tal modo assanhada que convém ponderar alguns dados adquiridos. 1. Haja o que houver, pelo menos para o próximo meio século, teremos sempre de recorrer a um mix de fontes de energia. 2. Haja o que houver, convém que esse mix tenha cada vez menos fontes de energia vulneráveis, perigosas, poluentes e caríssimas. Conseguir isto prepara-se com muita antecedência e implica decidir gastar agora para obter mais tarde bons resultados. É como pagar os estudos aos filhos.

A verborreia sociológica dá nisto: ela própria consegue definir e enterrar a energia eólica! A energia eólica é vulnerável! A energia eólica é perigosa! A energia eólica polui, de diversas maneiras! E são evidentemente caríssimas!!! A analogia com a educação é perfeita, e revela o estado sociológico do nosso ensino: os nossos estudantes são efectivamente uma geração perdida...

Portugal gasta milhões a comprar combustíveis fósseis. Dependemos deles em 76% e, pelo que se vê, não poderemos pagar contas destas a muito curto prazo. Por isso, o país iniciou em 2000 uma grande mudança e apostou nas energias renováveis. Numa década criou-se um cluster reconhecido internacionalmente como modelar e que, só em 2011, nos poupou 824 milhões de euros em combustíveis fósseis e emissões.

Este problema da Balança Comercial abordei-o recentemente. As contas que aí refiro, se forem lidas pela Luísa, causar-lhe-ão certamente um curto-circuito cerebral... Quanto aos 824 milhões, não faço a menor ideia como foram erradamente calculados, mas são já uma inflação dos 721 milhões que a APREN já mencionava no início do ano. Como é sabido, estes alarmistas começam por um valor, e vão inflacionando, inflacionando, até se tornarem números verdadeiramente estúpidos!

Ora, agora que se construiu o navio, que ele foi lançado ao mar e iniciou a viagem, eis que chegam os 'tubarões' a pretender afundá-lo. Alegam que o contribuinte anda a ser roubado na conta da luz ao ser obrigado a pagar um subsídio às renováveis. Como se não soubessem muitíssimo bem que também o carvão, o petróleo, o gás ou o nuclear precisaram dele, porque o subsídio é uma incubadora de futuro para qualquer mudança de paradigma energético. Se os custos das faturas domésticas subiram recentemente de forma vertiginosa, não foi por causa dos 4,5% de apoio às renováveis, mas sobretudo porque o IVA passou de 6% para 23% e porque o preço dos combustíveis para as termoelétricas disparou.

Chama-se a isto um debate? Seremos todos perus do Natal?

Agora que o navio foi lançado ao mar, quero ver o que vai acontecer aos ratos a bordo. Será que vão saltar? Ou será que se vão afundar com o navio? Mas tubarões não afundam navios. O Titanic afundou-se por excesso de confiança do comandante e assistentes; o Costa Concordia por razões semelhantes... O navio da Luísa está a afundar-se pelas mesmas razões, e Luísa pressente-o. E o problema da Luísa, e dos ecologistas, é que os Portugueses estão a acordar da ressaca da bebedeira que nos enfiaram pelas goelas abaixo!

Afinal o debate é capaz de ser sobre outras coisas bem diferentes da bolsa dos consumidores. Mas, seja o que for, não pode ser decidido pelos capitães dos grandes interesses. A diferença entre as democracias que funcionam e as que só fingem passa por decisões como estas: a tão liberal Inglaterra pôs em discussão pública quatro cenários de mix energético para serem debatidos durante um ano. Por cá, o Governo, dando boleia a um suspeito ânimo antirrenováveis, aprovou medidas e leis para cortar as pernas ao sector, curto-circuitando a sua dinâmica e arredando o assunto da consideração pública.

A questão da energia e dos seus preços é sem dúvida complexa e exigente, tanto mais que os preços irão aumentar com a liberalização do mercado. Mas agir assim não é esclarecer; é apenas embriagar o peru...

Ora aí está! Inglaterra é um bom exemplo, mas quando é que se pôs em discussão pública a nossa aposta nas renováveis? Quando é que as contas nos foram bem explicadas, nomeadamente durante quanto tempo é que iríamos pagar da electricidade mais cara da Europa? Mas ainda bem que se cortou em Portugal as pernas a este sector que enterrou este País. Enfim, agora o peru, todos nós, a acordar da ressaca da aguardente verde, talvez ainda sobrevivamos sem nos cortarem a cabeça. Quanto mais depressa acabarmos com as tarifas feed-in, mais rapidamente voltaremos a fazer glugluglu...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Os equívocos de Joanaz de Melo

João Joanaz de Melo é uma referência habitual no blog. Pelas mais más razões. Asneiras atrás de asneiras são a garantia de que tem aqui um lugar de destaque! Hoje, foi no Expresso, que o Joãozinho deu lugar à sua verborreia habitual. O problema começa logo pelo título "Um equívoco impingido à sociedade portuguesa pela EDP - O mito do hidroelétrico". Ele devia saber que as barragens do PNBEPH, às quais se refere no seu texto, não são um exclusivo da EDP, sendo igualmente de destacar a Iberdrola, e em menor grau a Endesa... O Joãozinho começa com:

Parece óbvio que a energia hídrica é renovável e deve ser explorada ao limite. Óbvio, mas falso - como a crença ancestral de que a Terra é plana. O mito do potencial hidroeléctrico foi impingido à sociedade portuguesa pela propaganda da EDP, com a cumplicidade do Governo. Infelizmente, vale tudo nos negócios e na política. Preocupante é que fazedores de opinião supostamente bem informados e não alinhados façam eco deste mito, como vimos em artigos recentes de António Costa Silva ou Nicolau Santos. A causa desta crença vulgarizada parece residir em quatro equívocos.

É a estratégia habitual do argumento estúpido: a Terra não é plana, mas o que eu digo é verdadeiro! E vai prová-lo, porque há quatro equívocos? Aposto que daqui a uma semana, tal é o seu hábito, vai haver mais equívocos!

O primeiro equívoco é a diferença entre potência e energia. Numa central eléctrica, a electricidade gerada (GWh/ano) é igual à potência (GW) vezes o tempo de operação (h/ano). As nove grandes barragens propostas, com uma potência de 2,5 GW e uma produtibilidade de 1700 GWh/ano, seriam usadas apenas 680 h/ano (8% do tempo). Isto representa um acréscimo de 48% da potência hidroeléctrica instalada (parece muito), mas apenas 19% da produção hídrica, 3% da procura de electricidade e uns míseros 0,5% da energia primária do país.

O primeiro equívoco do Joãozinho é que ele deveria estar-se a referir neste parágrafo às eólicas. Aquelas coisas que têm muita potência, mas só rodam de vez em quando, e quando o fazem é maioritariamente à noite e de madrugada. Ao menos, as barragens podem ser postas a rodar quando precisamos da energia... E quanto às míseras percentagens, ele não nos diz qual a mísera percentagem que produzem as milhares de ventoinhas plantadas no topo dos montes. Sim Joãozinho, porque estás a falar de energia primária!

O segundo equívoco é a diferença entre potencial teórico e recurso utilizável. Só são relevantes os recursos economicamente exploráveis. Ora, o custo do kWh das novas barragens será altíssimo: duas vezes mais caro do que o atual custo médio de produção; cinco vezes mais do que se reforçar a potência em barragens existentes; 12 vezes mais do que o uso eficiente da energia. O potencial de poupança rentável é pelo menos dez vezes superior à capacidade das novas barragens. Por outras palavras, o Programa Nacional de Barragens é uma fraude - um favorecimento das grandes empresas da eletricidade, da construção e da banca, à custa dos consumidores/contribuintes e do tecido económico.

Aqui já o Joãozinho está verdadeiramente enterrado. Como se sabe, as novas barragens são precisas por causa do excesso de eólicas. O custo das eólicas é o que nós sabemos. Ora se a este custo somarmos os custos altíssimos que o Joãozinho refere, vejam como fica o custo final das eólicas: uma barbaridade! Se o PNBEPH é uma fraude, é porque a energia eólica é uma TRIPLA FRAUDE em Portugal!

O terceiro equívoco é a bombagem. Até certo ponto, é um método interessante de armazenar energia (de origem eólica). Acontece que bastariam 1,5 a 2 GW de bombagem. Ora, entre a potência operacional e as obras de reequipamento em curso já temos 2,5GW - de onde, para este efeito, não precisamos de nenhuma barragem nova.

O que é um método interessante para justificar as eólicas do Joãozinho, é na verdade um desperdício gigantesco! É um aspecto muito conhecido. E as contas que o Joãozinho faz era tendo em conta valores anteriores de potência eólica; o problema é que estas reproduziram-se muito para além do que já estava previsto, e já começam até a crescer em alto-mar...

O quarto equívoco é a 'energia renovável'. A água será renovável, mas o território afetado pelas barragens e albufeiras não é: perda de valores sócioculturais, degradação da qualidade da água e do potencial turístico, destruição dos solos, das paisagens e dos ecossistemas. Exemplos trágicos incluem a iminente destruição do vale e linha do Tua, com a provável perda da classificação do Douro Vinhateiro como património mundial.

E então Joãozinho? O que é o território do topo dos montes? O que dizer da destruição que aí foi levada a cabo, quer em termos ambientais, quer paisagísticos? Quanto à linha do Tua, já sabemos como funciona, e para que serve...

Em resumo, a Terra é redonda e o potencial hidroelétrico de Portugal é um mito: novas grandes barragens produziriam uma quantidade insignificante de eletricidade, caríssima e com impactes inaceitáveis.

Enfim, em resumo, o Joãozinho tem uma cabeça oca! Só para terem uma ideia da parvoíce dos equívocos dele, substituam no texto as barragens pelas eólicas, e vejam como os equívocos são tal e qual!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os Pontos Negros do Ambiente em Portugal

O Diário de Notícias, durante os últimos dias, divulgou o que eles entendem como uma "Grande Investigação" do Ambiente em Portugal. Quando soube desta iniciativa, há mais de uma semana, ainda pensei que fosse um conjunto de verdadeiras revelações, como o foram no passado investigações aqui referenciadas, como O estado do Crime, A Máfia Lusitana ou uma ou outra reportagem do Biosfera.

Mas não devia ter esperado tanto de um jornal alarmista como o Diário de Notícias. No primeiro dia a coisa começou logo mal, quando foram enumerados os 10 pontos negros do Ambiente em Portugal. Os iluminados do costume produziram a seguinte lista aberrante:
  1. Pedreiras: Serra D'Aire e Candeeiros
  2. Pedreiras: Serra da Arrábida
  3. Desordenamento do território: Costa de Caparica
  4. Desordenamento do território: Funchal
  5. Desordenamento do território: Armação de Pêra
  6. Barragem: Foz Tua
  7. Barragem: Alqueva
  8. Minas abandonadas: Canal Caveira
  9. Erosão da costa: Esmoriz (Costa de Aveiro/Ovar)
  10. Incêndios: Serra da Estrela

É isto o que de pior se faz pelo Ambiente em Portugal? De tal forma fiquei descansado com tanta superficialidade, que praticamente não voltei a olhar para as extensas reportagens do DN, ao longo dos últimos dias. Mas os incansáveis leitores foram-me enviando vários exemplos dos dislates destas grandíssimas reportagens.

Um dos mais sugestivos que recebi foi o de que as Más condições ambientais matam 45 portugueses por dia. Infelizmente, não tenho acesso ao documento completo, para perceber a base desta argumentação, mas são 16425 pessoas por ano, o que não é brincadeira! É claro que uma percentagem dessas mortes, pequenina, deriva dos acidentes eólicos, mas estes não devem ter sido incluídos! Pelo que tive que ir procurar dados no Pordata, para perceber do que se morre realmente em Portugal (valores 2010):
  • Doenças do aparelho circulatório: 33693
  • Tumores malignos: 24917
  • Diabetes: 4744
  • Acidentes, lesões, envenenamentos e suicídios: 4488
  • Doenças do aparelho respiratório: 11776
  • Doenças do aparelho digestivo: 4627
  • Doenças infecciosas e parasitárias excluindo SIDA e tuberculose: 1816
  • Tuberculose: 205
  • SIDA: 638
  • Suicídio: 1098

A análise de dados mais precisos da DGS (eg. página 52 do documento) evidencia que as contas devem estar realmente muito engatadas, para se poder sustentar o título acima...

Mas é claro que estas grandes investigações deram com aquilo que os mais alarmistas dos alarmistas nacionais queriam que o DN descobrisse. Assim, descobriram a barragem do Tua, e as contas fraudulentas dos ambientalistas. Descobriram agora que o mar está a avançar para os lados de Aveiro, coisa que está a acontecer há pelo menos 150 anos...

Os grandes jornalistas do DN descobriram ainda que a Serra da Estrela tem ardido! Admira-me que não tenham descoberto que nos outros lados arde tanto, ou mais... E descobriram que o maior lago artificial da Europa fora dos roteiros turísticos é um extraordinário problema do Ambiente??? E os títulos estapafúrdios continuam, com pérolas como Nasce uma cidade de Coimbra todos os anos e A Caveira que envenena o ecossistema.

Com grandes investigações como estas, não admira que o Diário de Notícias caminhe para o abismo! Na verdade, segundo dados do jornal I, o DN vendia menos 5465 jornais por dia o ano passado, o que se compreende, quando se fazem investigações da treta, como esta...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Reincidência de Jorge Vasconcelos

O antigo presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, deu uma entrevista ao Público na passada segunda-feira, onde defende que o preço da electricidade vai subir 20% a 30% até 2030. Uma reincidência, dado que é mais do mesmo daquilo pelo qual ficou conhecido. Agora, é todavia mais um vidente daqueles que atira números, sem perceber realmente o que poderá acontecer! Na verdade, a manter-se a política vergonhosa no sector, tenho a certeza que o valor será bem superior!

O problema é que o futuro não vai ser o que vai na cabeça deste ex-alto responsável, na Comissão Europeia, ou na imaginação dos alarmistas verdes. O Jorge invoca múltiplas razões, mas elas vão sair quase todas furadas. Uma delas, a da utopia dos custos das emissões de CO2 está a implodir. Depois, há a tenebrosa e contínua associação ao preço de petróleo. Nos Estados Unidos, onde a aposta no gás shale é uma realidade, ao contrário da opção estúpida da Europa, os preços de electricidade têm sofrido cortes, que já chegam aos 50% na produção!

Depois, o Jorge parece estar feliz porque "a partir de 2020 há produtores eólicos que deixarão de ter essa garantia e passar a vender no mercado com custos de produção muito baixos, tendencialmente zero". Mas, porque é que isso não acontece, JÁ? Porque temos que engordar o porco durante estes anos todos?

O que o Jorge não percebe, ou não quer perceber, tal como todos aqueles que ainda estão a tentar defender este sistema, é que a liberalização deve significar uma coisa simples. Eu poder comprar o que quero, e não comprar aquilo que não quero. É simples:
  • Eu não quero pagar energia fotovoltaica cara, como a da Amareleja. Não quero que essa tarifa apareça na minha factura.
  • Eu não me importo de consumir energia nuclear espanhola, porque o custo de produção é baixo. Pagaria um pouco pelo seu transporte até minha casa...
  • Eu não quero energia eólica em minha casa; prefiro comprar energia à central de Sines ou às térmicas a gás

Segunda esta regras, Jorge, o mercado da electricidade funcionaria muito bem. Os produtores adaptar-se-iam, e seriam abandonados os projectos megalómanos! Os Verdes, esses verdadeiramente poucos, poderiam pagar as tarifas principescas das eólicas e do Solar. Se assim fosse, ficaria outro problema rapidamente resolvido, pois os adeptos das energias caras diminuiríam muito rapidamente!