quinta-feira, 8 de março de 2012

O preço do MWh eólico da EDP

Os resultados das empresas cotadas em bolsa são um manancial de informação, que muitas vezes não se conseguem obter noutros locais. Hoje, sairam os resultados da EDP. Foram mais uma vez uma barbaridade, com mais de 1000 milhões de lucros. Há muito por onde chafurdar nos dados revelados, mas a minha atenção centrou-se nos resultados eólicos. Temos ouvido por aí que os preços eólicos em Portugal são os mais baixos da Europa. Mentira, como observamos aqui e aqui. Os dados seguintes, retirados das próprias contas da EDP, e ordenados por ordem crescente de valor, revelam os valores médios para os países onde opera a EDPR, bem como a quantidade de energia produzida. Referenciam-se também alguns textos do próprio documento, donde se realçam as explicações para os baixos preços dos EUA, por causa ... do gás!

  • Estados Unidos: €32.88/MWh (45.7USD/MWh; 1EUR=1.39USD) : 9330 GWh
    O preço médio de venda (excluindo receitas com incentivos fiscais) da energia vendida através de CAE/coberturas caiu 6% para USD51/MWh, fruto de novos contratos assinados com preços iniciais inferiores, que beneficiam de taxas de actualização anual superiores, e de menores receitas associadas a compensações por cortes na transmissão. O preço médio de venda em mercado caiu 3% para USD30/MWh, reflexo de uma redução dos preços da eletricidade no mercado à vista (baixos preços de gás, fraca procura de electricidade e inverno ameno). No total, o preço médio de venda nos EUA caiu 4% para USD46/MWh.

  • Espanha: €82.5/MWh : 4584 GWh
    a tarifa média eólica em Espanha, incluindo os resultados com coberturas, subiu 4% para €83/MWh

  • França: €87/MWh
    Em 2011, a tarifa média da EDPR em França atingiu os €87/MWh (+3%).

  • Roménia: €89.15/MWh (378RON/MWh; 1EUR=4.24RON) : 245 GWh
    justifica o preço médio de venda de RON378/MWh obtido em 2011

  • Portugal: €99/MWh : 1391 GWh
    Em Portugal, (...) a tarifa média aumentou 5% para €99/MWh, reflexo da indexação à inflação e de uma tarifa média em 2010 inferior devido à aplicação do factor de ajustamento pelas horas de funcionamento, fruto de uma produção acima da média.

  • Polónia: €108.98/MWh (449PLN/MWh; 1EUR=4.12PLN) : 376 GWh

  • Bélgica: €112/MWh
    Na Bélgica, (...) vende a sua energia através de um CAE de 5 anos (maturidade em 2014) a um preço fixo de €112/MWh.

  • Brasil: €119.31/MWh (278R$/MWh; 1EUR=2.33R$) : 170 GWh
    o preço médio de venda aumentou 9% para R$278/MWh

quarta-feira, 7 de março de 2012

A negociata das eólicas

As Verdades Incovenientes associadas aos interesses obscuros que manietam o movimento verde, têm permanecido obscurecidas e ocultas, longe dos olhares e ouvidos da população em geral. Tudo com a conivência dos Media, mais interessados em receber a publicidade desses grandes interesses, que assim conseguem manter a lealdade à Causa, dos meios de comunicação social. Mas neste navio em marcha, começam a surgir brechas, um pouco por todo o lado. Mesmo na Imprensa, como é o caso deste artigo de opinião, particularmente duro, do Eng. Francisco Gouveia, no Notícias do Douro. Veja-se o enquadramento inicial (todos os realces da minha responsabilidade):

Um dia destes, as nossas serras levantam voo de tanta ventoinha que lá andam a pôr!
São as eólicas, um tipo de energia renovável que tem por detrás poderosos interesses do grande “lobi verde”, um bando de oportunistas que se encostou ao movimento ambientalista, e quer transformar uma solução saudável em mais um modo de assaltar o erário público.
Lobi que de verde não tem nada, a não ser a cor do dinheiro
com que enchem os bolsos à nossa custa!

O artigo prossegue com uma excelente identificação donde está o problema. Note-se a correcta separação da EDP e da "gente das eólicas":

O movimento sério a que me refiro, é o movimento ambientalista, também conhecido por “verde”, que segue valores de proteção patrimonial e de não degradação do meio ambiente, que todos devemos respeitar se queremos um planeta onde se possa viver amanhã. Os tais “sempre alguém”, são os oportunistas do costume, que em tudo encontram maneira de fabricar capital, de preferência à custa do erário público, onde ele “pinga” com mais certeza e segurança. E é esta gente das eólicas que, colando-se ao movimento ambientalista como a lapa ao rochedo, nos quer continuar a atirar areia para os olhos e a viver à custa dos 30 e tal% que arrecadam na fatura que a EDP nos cobra.

Francisco Gouveia aborda outros temas interessantes, como a da obsolescência eólica, que temos abordado pouco (eg. aqui e aqui), mas da qual prometo voltar à carga:

Em abono da verdade, a indústria eólica é de rentabilidade muito duvidosa. Ou seja: se atendermos só ao custo do material e da sua instalação (já não contando com alugueres de terrenos, custos de manutenção, transporte, etc.) e à rentabilidade, descobre-se isto: quando passar o período de amortização do investimento e as eólicas começarem a dar dinheiro ao investidor, este depara-se com o seguinte problema: tem que investir novamente porque parte do material componente das turbinas, pás, engrenagens, etc., já se degradou e tem que ser substituído.
Este é o primeiro grande problema. Motivo pelo qual não há nenhuma empresa que se arrisque a investir dinheiro nesta indústria, sem ter a garantia de que o Estado lhe proporcionará uma “renda” (no nosso caso ela vem na fatura da EDP). São os tais “direitos adquiridos” de que tanto falam os empresários das eólicas. Porque eles sabem que se não receberem este subsídio do Estado, o investimento não é rentável. No fundo, estamos a falar de privados que pretendem ser compensados pelo Estado dos prejuízos, em nome do ambientalismo a que se colaram e para o qual se estão marimbando.

Francisco Gouveia evidencia parte do problema económico. Só tem um pequeno problema: é que o consumidor/contribuinte paga mais que duas vezes:

As eólicas produzem energia dependente do vento, e, como tal, não é contínua estando dependente de haver ou não vento, e da velocidade deste. Há necessidade de a armazenar. É o que as barragens também fazem. Armazenam a energia elétrica das eólicas. Mas como nós subsidiamos as eólicas, estas vendem-na a preço baixo à EDP. E esta, depois, vende-a aos consumidores a um preço altíssimo (ao preço que quiser porque é monopolista). Então, o consumidor paga a eletricidade duas vezes: a primeira através do subsídio que o Estado concede às eólicas e que resulta dos nossos impostos, para depois a irmos pagar novamente, e mais cara, na fatura da EDP!

Francisco Gouveia continua a evidenciar as Verdades Inconvenientes que as "lapas" não querem que se saiba. São precisas mais pessoas como Francisco Gouveia:

Por isso investir nas eólicas é tão rentável, sem riscos, pois a cobertura destes riscos é garantida pelo Estado. Por isso, desde que o atual Governo decidiu recentemente não subsidiar a instalação de mais eólicas, todos os processos para novas licenças, pararam! Vejam o que eu disse a princípio sobre a rentabilidade das eólicas!

terça-feira, 6 de março de 2012

Mais uma avalanche de neve

Faz amanhã um ano que coloquei aqui um interessante vídeo de uma avalanche provocada artificialmente. Hoje vi mais uma referência a estes eventos terríveis, que aconteceu nas montanhas Francois-Longchamps, em França. As imagens são bastante impressionantes e demonstram que neve é uma coisa que não falta para aqueles lados, ao contrário do que advogavam os alarmistas do Aquecimento Global, há uns anos atrás. Felizmente, não houve vítimas:

segunda-feira, 5 de março de 2012

Instituto de Meteorologia em negação

O Instituto de Meteorologia destacou hoje o facto de que foi o Fevereiro mais seco desde 1931 em Portugal Continental. O que o Instituto de Meteorologia não realça é que o mesmo mês de Fevereiro foi o segundo com temperatura mínima do ar mais baixa, desde 1931, como se pode ver na imagem abaixo, retirada do Boletim climatológico mensal. Pessoalmente, não esperava outro comportamento do Instituto de Meteorologia que não o de esconder por debaixo do tapete aqueles dados que contrariam a fé no Aquecimento Global.


O que é todavia mais preocupante é que a temperatura mínima teve uma anomalia de uns impressionantes -5ºC durante o mês de Fevereiro. O IM refere envergonhado que se registou a ocorrência de vários dias com temperatura mínima inferior a 0ºC em muitas localidades e o registo de novos valores mínimos absolutos. Ainda mais grave é finalmente admitir que se registaram situações prolongadas de ondas de frio em várias estações da rede do Instituto, tendo em alguns casos atingido mais de 18 dias consecutivos.

O Instituto de Meteorologia é conhecido por avançar com as notícias de ondas de calor, quando elas ocorrem. São inumeros os exemplos, e só no ano passado podem ver exemplos como os de Abril de 2011, Maio de 2011 e Outubro de 2011. O máximo que o IM fez foi a meio do mês de Fevereiro garantir que não tinham sido atingidos os valores mínimos! Apesar de o ter previsto uns dias antes, nenhum alerta ou comunicado de onda de frio foi emitido! E não foram apenas uns dias, conforme se pode perceber no Boletim climatológico mensal: na estação de Alcácer de Sal, a onda de frio durou uns impressionantes 20 dias, entre 8 e 27 de Fevereiro!

São inacções como esta que contribuíram para que as mortes pelo frio tenham disparado nas últimas semanas. Em vez de andar preocupado com o inexistente Aquecimento Global (que agora só consegue ganhar prémios de fantasia), o Instituto de Meteorologia deveria preocupar-se, em primeiro lugar, com os alertas para a maior causa de mortes em Portugal: o frio!

sábado, 3 de março de 2012

Francisco Ferreira e a Quercus?

Um leitor interessado apontou-me para uma pequena passagem da Grande Investigação e que me escapou. Neste artigo do DN, não são as palavras de Francisco Ferreira que interessam, mas um pequena referência sobre o próprio Francisco Ferreira:

Foi presidente da Quercus de 1996 a 2001 e membro da direção até fins de 2011

Neste post de início do mês havia referido que algo não batia certo na lista dos Órgãos Sociais da Quercus. Agora temos uma pequena nota que evidencia que Francisco Ferreira não faz parte da direcção, desde finais do ano passado, apesar de referenciado como Vice Presidente há cerca de um mês...

É mais uma gralha dos jornalistas, ou há aqui um gato escondido com rabo de fora? Se já não faz parte da direcção, e isso é evidenciado pelo próprio site da Quercus, o que é que aconteceu? Foi demitido/afastado? Demitiu-se? Haverá outras hipóteses, que não me ocorrem?

sexta-feira, 2 de março de 2012

(100+n)% de energia renovável

Um leitor atento enviou-me um link para uma notícia deliciosa no Expresso. É a prova provada que o domínio da energia anda a ser gerido de forma criminal neste País. Então, não é que em S. Miguel, com a instalação do parque eólico dos Graminhais, não vai haver que fazer ao excesso de energia que vai ser produzida, especificamente durante a noite? Tal significa que as energias renováveis vão produzir (100+n)% da energia necessária!

O que é que vão fazer a esses n% de energia? Segundo David Estrela, da Empresa de Eletricidade e Gás (EEG), subsidiária da elétrica açoriana EDA, "é possível que nem toda a energia eólica produzida em S. Miguel seja injetada no sistema". O que é que isso significa? Muito fácil: com as tarifas feed-in, vamos estar a pagar a energia para a deitar fora! É que não existe forma de armazenamento, nem sequer é possível dar essa energia aos consumidores! Na improvável possibilidade de não existirem tarifas feed-in para este projecto concreto, significa que o investimento de 15 milhões de euros está incorrectamente dimensionado! Qualquer que seja o ângulo com que se olha para esta realidade, é uma aberração! Até para os praticantes de parapente, como se vê na imagem, retirada daqui.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Dying from cold

Portugal has had in the last weeks a big increase in the total number of deaths. As can be seen in the graph below (original here - in Portuguese), the last weeks have seen several hundreds of excess deaths in Portugal:


The graph shows the inconvenient truth that more deaths occur with the cold. Nothing really new, given the fact that this is observed in many countries around the world. And while people will continue dying, it really shows that the Global Cooling would have more impact than Global Warming. And that is especially true in Portugal, given the claim that 2011 was the 6th warmest year in 80 years, but no excess deaths occurred in the Summer out of the 95% confidence range.

These deaths have been attributed to two factors: the extreme cold that has been occurring in Portugal (and also Europe) and to the very high costs of energy in Portugal. Regarding this last factor, it is one of the main reasons why the Portuguese Economy has sank in the last years. In the last months, electricity costs have soared even more, with a VAT tax increase from 6% to 23% (now one of the biggest in Europe). An additional rise of 4% occurred at the beginning of this year. Even before this, official European statistics already ranked Portuguese electricity taxes the third highest in Europe (after Denmark and Germany), but some quick calculations reveal that almost certainly Portugal will have the highest cost of electricity in Europe, in 2012, considering the mean household income.

Despite all this, the Government is holding back cuts to the very generous feed-in tariffs given to wind and solar producers in Portugal! The only thing they have done is indefinitely suspending issuing licenses for new renewable energy projects, in the beginning of this year. Obviously, the producers are afraid that something more will be done. In the meantime, people associated with the alternative energy producers have come forward stating that the rises should be even bigger! Might be an incentive for people dying faster? Interestingly, it was not the Media that started talking about this, but the Health Minister, a clear symptom how inconvenient these deaths are for the Portuguese Media, mostly aligned with the Green movement.

Update: The number of deaths rose again last week, for the fourth consecutive week, to 3080, from 3030 the week before, as shown in the graph (data here - in Portuguese).