sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pedro Viterbo à nora

Ontem, os Media voltaram a nausear-nos com referências a um conjunto de supostas conclusões de Pedro Viterbo, do extinto Instituto de Meteorologia. Recordemos que ele é um dos dois representantes de Portugal no IPCC. Resumidamente, é dito uma série de barbaridades sobre como serão os próximos Invernos em Portugal, mas para as enquadrarmos, temos que ver o que foi dito antes...

Na Bíblia das Alterações Climáticas em Portugal, o SIAM II, o Aquecimento Global traz claramente menos precipitação a Portugal. Mas vejam o que o livro diz sobre a precipitação no Inverno, na página 72 do PDF (76 do livro) (realces da minha responsabilidade):

No que se refere ao ciclo anual de precipitação, a maioria dos modelos projecta para os meses de Inverno um aumento ligeiro da precipitação acumulada no ponto Norte no período 2070-2099 em relação ao período 1961-1990, tomado aqui como período de referência.

Mais à frente, na página 74 do PDF (78 do livro), refere-se o seguinte:

No Inverno, para os cenários A2 e A1F1, as anomalias de temperatura variam entre +1.5ºC e +4ºC e as anomalias de precipitação entre -25% e +20%. A maioria dos modelos prevê um aumento da precipitação de Inverno em Portugal Continental, principalmente na região Norte.

Todo este texto é confirmado pela imagem da Fig. 2.52, que aparece na página seguinte, e que se visualiza abaixo. O Inverno está no canto superior esquerdo da imagem, e não há dúvidas que as previsões são de aquecimento substancial, e uma previsão favorável de precipitação, sobretudo quando comparado com as restantes estações do ano:


É claro que os tretas invocarão que isto são previsões para 2070-2090, quando a maior parte deles já cá não estarão. Mas olhando por exemplo para a Fig. 2.19 do SIAM II, não há dúvidas que a tendência é praticamente linear! E olhando para as previsões do IPCC, também não há grandes dúvidas que os Invernos vão ser mais quentinhos, embora em termos de precipitação haja alguma redução prevista mais para o sul do País:


É neste contexto que temos portanto que analisar as conclusões de Pedro Viterbo. Vou ter como referência o artigo da TVI24, que parece ter sido o primeiro a sair, sendo certo que parecem cópias chapadas de um texto da LUSA. O parágrafo introdutório prevê Invernos secos e mais frios em Portugal, o que vai manifestamente contra o que o IPCC e o SIAM propagandeiam:

A redução do gelo no Oceano Ártico devido ao aquecimento global pode provocar um aumento de invernos secos e mais frios em Portugal, disse hoje à Lusa Pedro Viterbo, do Instituto de Meteorologia (IM).

Mas não julguem que Pedro Viterbo se passou para os lados dos cépticos! Vejam como o Aquecimento Global é a justificação para a redução do gelo no Oceano Árctico, outra frase infeliz, sobretudo quando nos últimos dias a anomalia de gelo no Árctico foi das mais próximas da normal, nos últimos sete anos! Perante as contradições, Pedro Viterbo começa logo a enrolar-se:

«Há uma indicação de que poderá haver maior frequência destas situações de invernos secos e de secas, mas não sei até que ponto posso dar significância estatística a isto», sublinhou Pedro Viterbo.

E a confusão continua... Será que o IPCC está mesmo certo?

O especialista considera que o estudo estabelece uma tendência, mas não consegue explicar «o facto de os dois últimos anos terem sido muito chuvosos», sendo que o de 2009/2010 foi mesmo o «mais chuvoso de sempre» em Lisboa.

Logo de seguida, Pedro Viterbo dá uma martelada nos poucos argumentos que poderia ter, e que referi acima, e que reside nas previsões serem a tão longa distância. Quando dão jeito, é já a seguir:

Pedro Viterbo admite que o «gelo do Ártico está a diminuir a uma taxa muito superior àquilo que os próprios modelos de clima dizem» e considera que «as previsões de um grande decréscimo na segunda metade do século XXI, provavelmente vão já acontecer na primeira metade do século XXI».

E porque o Aquecimento Global tem que explicar tudo, dá-se o pino final:

De acordo com o estudo, desde que a superfície do gelo caiu para um nível recorde, em 2007, quedas de neve nitidamente mais abundantes do que o normal foram observadas em vastas regiões norte-americanas, na Europa e na China.

Nos invernos de 2009-2010 e 2010-2011, o hemisfério Norte registou a segunda e terceira acumulações de neve mais fortes desde o início dos registos.

Não há dúvidas que estes pseudo-cientistas estão completamente à deriva! Dizem uma coisa e o seu contrário... O problema é que à medida que forem produzindo estudos e mais estudos a granel, serão cada vez maiores as contradições! E nestes tempos da Internet, bastam apenas alguns minutos para desmanchar estes fantoches da Ciência.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tartaruga chéché a 199

Como praticamente todos os leitores já saberão, a notícia do dia é Mário Soares ter sido apanhado a 199Km/h. Parece que ele terá dito que "o Estado é que vai pagar a multa", ou seja e o leitor, e os restantes contribuintes... Como seria de imaginar, o senil ex-Presidente reagiu mal e foi «bastante mal-educado», o que significa em Português, que se fosse outro, iria preso... É nisto que dão as merdomias!

Eu, já há muito deixei de ligar alguma coisa a Mário Soares. Como quase todos os Portugueses, já percebi há muito tempo que ele foi um dos maiores farsantes da nossa Democracia. O problema é que estes artistas dizem umas coisas e fazem outras. Como referi anteriormente, neste artigo e neste outro, já ninguém tem paciência para aturar estas coisas da senilidade... Mas, se era como Soares dizia, que a mão inconsciente e desastrada do homem, que agride e maltrata o planeta e compromete os seus equilíbrios naturais, então os Portugueses vão ter assim, de castigo, uma Páscoa fria... Toma!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva era, até ao último congresso do PSD, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Agora, Jorge Moreira da SIlva passa na prática a número dois do PSD, passando a ser o novo coordenador político do PSD. O País já se tinha safado no passado de o ver como Ministro do Ambiente, que só não foi por uma questão de quotas...

Mas quem é este Jorge Moreira da Silva, um completo desconhecido do público? Sempre foi basicamente um burocrata associado ao que de pior podemos imaginar da fraude do Aquecimento Global e Alterações Climáticas. Veja-se o que ele dizia em 2002, enquanto relator, negociador e autor da Directiva que estabeleceu o novo Sistema Europeu de Comércio de Emissões (todos os realces da minha responsabilidade):

conditions are created that Climatic Change and the Kyoto Protocol are no longer only theoretical items but will constitute in future an important pillar in economic and environmental politics. The Carbon Economy is born. Those who are able to produce with less greenhouse gas emission will be the winners.

É claro que ele se enganou redondamente! Quem está a ganhar são aqueles que mais CO2 emitem, com a China naturalmente à frente, e a Europa justamente no final dessa lista, e com Portugal na última posição! Quase tudo o que ele defende é de meter repulsa. Veja-se outro caso bastante evidente, do que Jorge Moreira da Silva dizia em 2003:

Jorge Moreira da Silva, who is steering a bill through the parliament which will cap industrial emissions of carbon dioxide (CO2), said Europe would have to pay to cut the emissions seen as a contributor to global warming but the EU could show the world it can be done without bankrupting the economy.

"In the short term we will pay. Our products will have the environmental costs included in the price," the centre-right politician from Portugal told Reuters in an interview at the Brussels-based assembly.
(...)
Moreira da Silva said if the scheme can be made cost-effective and credible, it could eventually help convince the United States to come back to the international climate change table.

"If we can prove that this scheme will remove emissions at lower cost, if we prove it works in Europe and it works in the rest of the world when we link it to other (emissions trading) schemes, I guess the U.S. administration might find a reason to ratify Kyoto," he said.

Moreira da Silva believes that, as the climate change problem becomes more evident, eventually all countries will have to reduce CO2 emissions and those that learn how to do so earlier, like the EU, will be at a competitive advantage.

"It might not be now, not in five or 10 years, but some day we will all be obliged to (cut emissions)," he said.

Todas estas afirmações foram desmentidas pelos factos. Não só os Estados Unidos não aceitaram Kyoto, como outros saltaram fora. Obviamente, a única coisa que se provou com o esquema das emissões europeu, foram as incontáveis fraudes que proliferaram no mercado de carbono. E que finalmente o está a afundar à Titanic... E obviamente no problema das alterações climáticas, o que é cada vez mais comum é os ratos saltarem fora do barco.

É provavelmente o que aconteceu a Jorge Moreira da Silva. Saltou fora do cargo de director-geral das Nações Unidas da área de Economia das Alterações Climáticas, no Grupo de Energia e Ambiente, para aturar agora, entre outros, os caciques locais, preparando nomeadamente as próximas eleições autárquicas. Sempre são novos ares, mais perigosos que os do CO2. E como nas eleições os eleitores começam a gostar de desancar naqueles que lhes trouxeram taxas de carbono, talvez o Jorge Moreira da Silva comece a piar mais fino...

Actualização: Um leitor mandou-me vários apontadores recentes que confirmam a análise do salta-fora. A China saltou fora da encomenda de umas dezenas de aviões Airubus europeus. A Q-Cells, outrora o maior fabricante de paineis solares fotovoltaicos, saltou fora do mercado, declarando insolvência. E para comemorar o meu post, o mercado de carbono deu um trambolhão de 14%!

domingo, 1 de abril de 2012

A hora da Terra

A hora da Terra foi comemorada ontem entre as 20:30 e 21:30. Eu, da minha parte, comemorava-a consumindo a electricidade lá de casa sintonizada no Estádio da Luz... Mas tal como há dois anos atrás, esta hora tem que ser comemorada pensando sempre nos desgraçados que vivem na Coreia do Norte. Sempre que esta ideia da WWF recorre por aí, é neles que eu penso, a que se junta agora todos aqueles que em Portugal também comemoram todas as noites esta ideia patética de viver sem electricidade...

A imagem acima (retirada daqui) documenta como a Coreia do Norte é um deserto luminoso, o estilo de local que inspira os ecologistas da treta. Mas nenhum deles se digna ir para la. E a Coreia do Sul é uma ilha luminosa, que brilha em pleno contraste. Muitas imagens evidenciam como os melancias têm à sua espera o reino de Deus, nesse canto inacessível. Mas para todos aqueles que querem mais imagens inspiradoras, podem também ver o aspecto de todo o planeta à noite (retirada daqui), embora a imagem não seja visível na maioria do software porque tem 15000x30000 pixels. E nesta sequência animada podem ver mais imagens do planeta à noite, enquanto este não regressa à Idade Média...

sábado, 31 de março de 2012

A Endesa verde fóssil


Um excelente exemplo de uma empresa verde, que não o é, é a Endesa. É uma alternativa comercial à EDP, mas que produz a maior parte da sua energia através da térmica clássica e da energia nuclear. Em Portugal é liderada pelo verde, Nuno Ribeiro da Silva, que recentemente observamos na peixeirada do Prós e Contras.

A consulta do site da Enel Green Power, companhia do grupo Enel (que adquiriu a Endesa) dedicada ao desenvolvimento e gestão da geração de energia a partir de fontes renováveis a um nível internacional, permite-nos constatar que em Portugal nem tudo é verde. Aliás, há muita coisa negra, fóssil como dizem os melancias... Senão vejam a lista das instalações de cogeração em Portugal, com os dados relevantes, retirados das respectivas páginas, referenciadas em cada um dos links:

DistritoProdutorPotênciaProduçãoEntrada funcionamentoCombustívelVapor
Viana do CasteloCamposgen4320197344201997Fuel-oil
BragaAtelgen3620146429192005Natural Gas8170000
BragaEnerlousado5123 Kwe3.278 MWh / year2006Natural Gas120344 Ton / year
BragaFeneralt3220149802692005Natural Gas11395200
BragaMundo Textil6510305338001996Fuel-oil9334935
BragaOliveira Ferreira4000178906352000Natural Gas9334935
BragaRonfegen4000178906352000Natural Gas9334935
BragaSoternix2730124966502000Natural Gas7034665
PortoCarvemagere2188 Kwe9955933 KWh / year2004Natural Gas6391 Ton / year
PortoEnercampo5474 Kwe18439 Mwh/year2000Natural Gas0 Ton / year
PortoEnerviz5520 KW22574340 KWh2007Fuel-oil8230 Ton / year
PortoFábrica do Arco8400 Kwe23323699 Kwh / year2002Fuel-oil8848 Ton / year
PortoRibeira Velha4646 kWe20150010 kWh / year1996Fuel-oil3247284
PortoSerrado5920 kWe26012057 Kwh / año1998Natural Gas9017401
LisboaCTE8208 Kwe2826336 KWh / year2000Natural Gas20003 Ton / year
LisboaPowercer7112 Kwe39525 MWh / year2004Natural Gas159772 Ton / year
SetúbalEnercor417017796808 Kwh1998Fuel-oil
SetúbalHectare4280163348601998Natural Gas
SetúbalLusol6500283707581997Fuel-oil6715000
SetúbalTagol7288418510002002Natural Gas124245000

A interpretação dos dados pode não ser linear, dado que alguns valores aparecem, por exemplo, repetidos. Todavia, consolidando os valores, obtém-se os totais de potência e produção:

CombustívelPotência (MW)Produção Anual (GWh)
Fuel-oil40.07162.48
Natural Gas63.16236.12


Estes valores são particularmente significativos! Segundo este documento da ERSE, o preço médio pago em 2011 no domínio da cogeração não renovável foi de 118.9 €/MWh, enquanto o custo médio da energia foi de 51.84 €/MWh. Tal significa um sobrecusto médio de 67.06 €/MWh. Multiplicando este valor pelo total da produção da cogeração, indicado pela Enel/Endesa, chegamos a um valor de sobrecusto de 26.7 milhões de euros por ano!

E não é só o valor que deve preocupar. Numa empresa dita verde, estar-se a utilizar particularmente fuel-oil, é um grande pecado! Valores baixos, ou mesmo nulos, de produção de vapor dão igualmente que pensar! Tudo isto são algumas das verdades inconvenientes de Nuno Ribeiro da Silva...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Candeeiros a petróleo

Enquanto os Pimentinhas vão mamando, a EDP lucra milhões, e os melancias falam de perus bêbados, e alguns não fazem a menor ideia do que propõem, há alguns poucos jornalistas que nos dão uma visão real do que se passa neste País. Num País em que se morre muito mais de frio, o Jornal i fez mais uma reportagem importantíssima. Ao contrário dos outros jornais, quase todos eles orientados à visão alarmista, o Jornal i tem dado provas ultimamente de que nos relata a realidade, em vez da ficção...

Na terça-feira, o jornalista Sérgio Soares entrevistou Carlos Silva, que trabalha na casa Higino & Fragoso, fundada em 1937 no centro de Oeiras. Nesta Economia Verde, o que está aparentemente a dar são os candeeiros a petróleo! A seguir transcrevo apenas parte do artigo, que recomendo leiam na íntegra, para perceber onde nos trouxe esta Economia Verde:

Quando lhe perguntamos se o seu estabelecimento vende muitos candeeiros a petróleo, Carlos Silva explica o inesperado sucesso de vendas de forma lapidar: “Encomendo aos 150 candeeiros de cada vez e desaparece tudo.”

“Algumas pessoas têm vergonha quando vêem comprar candeeiros a petróleo para iluminação e dizem que é para decoração, mas na semana seguinte cá estão de novo a comprar mais um litro de petróleo”, diz, acrescentando que um candeeiro completo custa 40 euros.

Mas vendem-se assim tão bem?, insistimos: “Se se vendem bem? Ó amigo, o que vier desaparece logo!”

Carlos Silva garante que há pessoas em situação ainda pior e que nem candeeiros a petróleo usam em casa. “Tenho uma cliente que já só usa velas para iluminação. Só gasta um pouco de gás para cozinhar. Para comer, nem de noite usa electricidade. No fundo, até é romântico”, graceja, arrependendo-se de imediato da piada.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Pimentinha

O enfant terrible do ambiente em Portugal, Carlos Pimenta, aliás o Pimentinha, foi dizer das suas ante-ontem na Rádio Renascença. Fui alertado por um leitor atento, que me apontou na direcção desta entrevista concedida a José Pedro Frazão. Este mostrou querer fazer as perguntas certas, mas foi constantemente enrolado pelas manobras habituais do Pimentinha. Ainda assim, mostrou-se mais preparado que a maioria dos entrevistadores das melancias. A entrevista na sua totalidade pode ser ouvida aqui.

Mas o Pimentinha esteve no seu pior! Começou logo a atacar, aos 2:40, com o seguinte:

Olhe, o que se tem feito no País de incendiar as pessoas contra as renováveis eu posso dizer que é quase um crime contra a Economia nacional, o crime contra a nossa continuidade enquanto Nação.

Quem não argumenta, e sabe que está a aldrabar os seus concidadãos, tem que atirar esta areia para os olhos dos Portugueses! Mas ele é um dos que mama da microgeração, como aliás refere aos 23:54, e que nós sabemos ser a forma mais anti-social de geração de energia em Portugal! Sabemos também que é o responsável máximo pela "EDF EN Portugal", o que significa que, muito simplesmente, os enormes subsídios que mamam dos contribuintes/consumidores portugueses vão direitinhos para a empresa francesa. Como José Pedro Frazão diz aos 10:20, saem do lombo do contribuinte! E não geram sequer emprego em Portugal, como já evidenciamos neste post, a não ser os de presidentes de empresas estrangeiras, e provavelmente mais uns quantos assessores. Portanto, é fácil concluir quem é que está a cometer crimes contra a Economia nacional...

O Pimentinha só quer é mamar mais! Aos 25:30 surge mais uma pérola. Já havíamos visto na peixeirada que ninguém quer assumir como se pode baixar o custo da electricidade. Vejam o embuste do Pimentinha:

José Pedro Frazão: Como é que se pode baixar a factura da electricidade?
(...)
José Pedro Frazão: O que é que propunha??? Realisticamente para baixar a factura da electricidade?
(...)
Carlos Pimenta: Mas, repare, você está a fazer um erro! E se eu lhe responder assim? (...)

A entrevista está cheia desta lógica nonsense, mas que o Pimentinha verborreia sistematicamente. Como a do Inverno deste ano, com muito calor, como ele disse aos 37:40. Em que País esteve ele este Inverno? Em Portugal, onde se fartaram de morrer pessoas de frio, não foi de certeza... Enfim, dá para perceber que ele está cada vez mais gago. José Pedro Frazão contribuiu muito para isso, e esteve quase a ponto de calá-lo. Faltou-lhe o quase...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lógica simples de Xiça

Num post de hoje do Blasfémias, o comentador Xiça referiu umas notas particularmente interessantes. Pela sua relevância e simplicidade, merecem aqui a sua referência, para meditação de todos aqueles que acham que isto de ser pioneiro nas renováveis valeu a pena:

Se agora já se fazem contratos abaixo dos 70€MWh então era só agora que deveríamos estar a começar a instalar e não ter o país já coberto de milhares de torres com rendas garantidas durante 15 anos e que tem muito menos potência que as mais recentes . Aposto que são pequenos operadores que tiveram que se desenrascar com tarifas tão baixas, os grandes papões, duvido muito.
E não me venham com a conversa dos early adopters e dos clusters, os 30 ou 40 mil empregos que dizem que seriam criados no sector são 2 ou 3 mil, e ninguém faz as contas a quantos empregos o preço da electricidade destruiu em Portugal.

terça-feira, 27 de março de 2012

Rendas da electricidade

Um leitor habitual mandou-me uma digitalização de uma tabela que saiu no Público do passado 17 de Março. Dois leitores já me tinham referenciado o artigo, de duas páginas, extenso, e escrito pela alarmista do costume, Lurdes Ferreira. Depois de receber a digitalização, e pesquisando pelas palavras correctas, lá se encontra o artigo num documento de clipping (pag. 53 e seguintes). O que o artigo tem de mais extraordinário é uma pequena tabela, onde se enunciam as rendas de que se falam, e que é visível à esquerda.

O que é verdadeiramente extraordinário na tabela é o facto das energias mais caras aparecerem primeiro, e as mais baratas no final. Então, a do fotovoltaico é escandalosa! Reparem ainda nos valores negativos das três primeiras, na coluna Diferença, a indiciar que são, coitadinhas, as mais prejudicadas?

Se foi esta a análise com que Mexia se insurgiu, há que dar-lhe toda a razão! Se estas são as bases que estão a ser tidas em conta pelo Governo, vem aí merda da grande!

O custo do capital é um tema financeiro muito complexo, a que a ERSE dedica extensos relatórios. Em termos muito simples, é a taxa de juro a que a empresa se consegue financiar. E de uma forma também simples, quanto maior é o risco, tipicamente maior é o custo do capital. Já uma taxa de remuneração significa o lucro que uma empresa consegue gerar em função do investimento, sendo de uma forma simples calculada pela divisão do lucro pelo capital investido.

Voltando a olhar para a tabela chegamos à conclusão óbvia: nem com subsídios escandalosos as energias alternativas são financeiramente interessantes! E as taxas efectivas de remuneração são baixas, porque também são tecnologias ineficientes! Só a mamar à custa dos consumidores/contribuintes é que conseguem sobreviver...

Paulo Pinho demolidor

No Fiel-Inimigo já surgiram os vídeos da intervenção de Paulo Pinho no Olhos nos Olhos. Foi demolidor, conforme já havíamos previsto ante-ontem. Quem não viu ontem, não perca:

segunda-feira, 26 de março de 2012

A analogia dos transportes públicos

Bruno Carmona, no Luz Ligada, escreveu hoje uma analogia, em que compara a produção e distribuição da energia eléctrica na Península Ibérica, com o sector dos transportes. É uma forma de se mostrar, de uma forma simples, como isto anda tudo engatado. Aproveito para pedir aos leitores que deixem alguma contribuição no blog de Bruno (eu vou já lá a correr), para que possa surgir uma versão ainda mais utópica desta analogia:

Imaginemos que o sector electroprodutor é a rede urbana de transportes públicos. De um lado temos taxis eléctricos que são as fontes renováveis intermitentes. Do outro a rede de autocarros que equivale à produção ordinária (termoeléctricas e barragens).

Os utentes são obrigados por lei a utilizar o taxi sempre que um esteja disponível mesmo que estejam numa paragem. Apesar do custo ao quilómetro do taxi ser superior ao do autocarro o preço de transporte não é diferenciado. Existe um bilhete válido para os dois tipos e o seu preço varia apenas com a distância percorrida e não o meio de transporte.

O preço deste bilhete não cobre os custos de transportar pessoas de taxi por isso o Estado paga aos operadores de taxi um valor fixo por esse serviço (subvenções às renováveis - FIT). Estes custos de se obrigar as pessoas a usar taxis quando podiam ir de autocarro são passados para os consumidores ao serem incluídos numa parcela do preço chamada Custo de Interesse Económico Geral (CIEG). Existe ainda outra parcela para manutenção de paragens, praças de taxi equivalente aos custos de rede eléctrica.

Os taxis têm uma capacidade limitada de passageiros transportados (baixa densidade de produção) e os taxistas têm horário livre (intermitência). O fluxo de utentes é conhecido mas o de taxis não. Isso faz como que o parque de taxis tenha de ser sobredimensionado ao mesmo tempo que a sua disponibilidade é aleatória. Para não provocarem engarrafamentos quando existem demasiados a circular existem parques de estacionamento que os acolhem (bombagem em baragens). Para mitigar falta de taxis a utilização da frota de autocarros não é optimizada para a procura. Está constantemente a circular independentemente de haver utentes nas paragens. Os operadores de autocarros recebem compensações sempre que circulam sem lotação esgotada, são os CMEC. Quanto mais taxis circulam e menos utentes necessitam de autocarros o valor de CMEC, FIT e aluguer de estacionamento aumenta.

Apesar do maior custo de se usar taxis eléctricos em vez de de autocarros o Estado considera vantajoso pois isso permite poupar na importação de combustíveis fósseis necessários ao funcionamento dos autocarros. No entanto, como quase toda a frota de taxis que opera em Portugal foi importada na realidade o serviço fornecido pelos taxis (equivalente à eelctricidade produzida pelas fontes renováveis) tem uma componente de importação tão ou mais elevada quanto os autocarros (fontes convencionais).

domingo, 25 de março de 2012

Paulo Pinho no Olhos nos Olhos

O professor universitário Paulo Pinho, da Universidade Nova de Lisboa, vai participar amanhã no "Olhos nos Olhos" da TVI24. Este programa televisivo, que tem apresentação de Judite de Sousa, e participação permanente de Medina Carreira, vai para o ar amanhã, segunda-feira, pelas 21:30.

O programa vai abordar o tema das rendas excessivas na electricidade. Encaro a participação de Paulo Pinho com muita expectativa, até porque as suas posições públicas nesta matéria são de enorme crueldade. E essas posições vem de trás, como já abordei nestes dois artigos anteriores. E ao contrário de muitos comentadores, este ex-adminstrador da REN fez tais comentários em plena ditadura do Trocas-te. Não deixem de ver este programa, porque quem nele vai estar presente escreveu o seguinte, a propósito da visão da Troika sobre o sector da Energia (realces da minha responsabilidade):

Onde o Memorando de Entendimento se revela mais ambicioso é no desafio que levanta relativamente à redução dos sobrecustos resultantes de opções de política energética pagos por todos os consumidores – estejam no mercado livre ou regulado – através das tarifas de acesso às redes. Estes custos representam cerca de 50% da factura energética de um consumidor doméstico. Uma leitura atenta desta secção do Memorando revela uma crítica demolidora às opções de política energética dos últimos anos. Prevê que se repensem as opções sobre os investimentos em energias renováveis “não maduras” – leia-se solar fotovoltaico, energia das ondas, entre outras. E para toda a área das renováveis – incluindo a eólica e a cogeração – prevê a descida das tarifas a pagar em futuros empreendimentos, assim como (e aqui entra uma corajosa iniciativa) a renegociação das que são pagas aos centros electroprodutores já existentes. Haja coragem para o fazer.

O Memorando prevê igualmente a renegociação dos CAE (contratos de aquisição de energia) e CMEC (custos de manutenção de equilíbrio contratual). Na prática, estes contratos colocam uma componente substancial da produção eléctrica ordinária num regime de (elevada) rendibilidade garantida, sem risco. Mesmo que se encontre obsoleta e redundante. A sua existência importa um custo elevado para todos os consumidores. As empresas invocam direitos adquiridos para evitar tal renegociação. Por seu lado, os cidadãos perdem com este acordo um sem número de direitos adquiridos, pelo que não se percebe porque haverá de ser diferente no caso das empresas. Mas quando se procedeu à substituição de CAE’s por CMEC no maior produtor nacional, este obteve uma garantia de cash-flows futuros maior do que a que resultava dos contratos iniciais. Tudo por causa do exercício, a custo irrisório, da opção de extensão da operação das centrais hidroeléctricas que ali foi discretamente introduzida.

Veremos se o Estado português terá sabedoria para aproveitar esta oportunidade que lhe é dada para estimular a competitividade da economia, quebrando os “lucros excessivos” da componente regulatória e economicamente mais arcaica do sector: a produção.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O caduco e extinto Instituto de Meteorologia

Quando os alarmistas portugueses falam, os estúpidos Medias portugueses papagueiam. O Instituto de Meteorologia, para todos os efeitos extinto, por altura da celebração do Dia Mundial da Meteorologia, entendeu mandar cá para fora mais uns sustos. O papaguear foi nauseabundo (1) (2) (3) (4) (5) (6).

O mais papagueado, e que merece maior atenção na análise, é o parágrafo seguinte:

Com efeito, este número que era inferior a 100 na década de setenta do século passado, tornou-se superior a 450 na última década. Igualmente os prejuízos relacionados com estes desastres eram na década de setenta inferiores a 10 mil milhões de dólares/ano, tendo na última década o valor médio anual estimado sido superior a 80 mil milhões.

Não se lhes ocorrerá que as tecnologias de detecção e relato de desastres melhorou significativamente ao longo das últimas décadas? Para quem tiver dúvidas, não deixem de consultar esta excelente lista no WUWT.

Não se lhes ocorre que estes supostos desastres, que eles ficam a saber pelos populares, tenham subido substancialmente porque os populares têm mais máquinas fotográficas e de filmar, ligações à Internet, ou mesmo estações meteorológicas? Não se lhes ocorre que no passado eram sobretudo relatados os eventos em apenas locais de maior dimensão, escapando completamente os das populações isoladas?

E não ocorre a ninguém ir observar os números? Na lista dos maiores desastres naturais do Wikipedia, por mortes, nos cinco primeiros com mais mortes, o mais recente é justamente de 1970, quando o ciclone Bhola matou cerca de meio milhão de pessoas! Será que esse não contou para a década de 70? E nos dez primeiros da lista só aparece um da última década, o tsunami de 2004, que manifestamente nada teve a ver com o Clima! Se se olhar apenas para a lista de ciclones, então na última década apenas aparece um nos primeiros dez, e olhando para as outras sub-listas, as poucas presenças da década anterior são insignificantes face às reais tragédias da História!

O IM depois entusiasma-se com a onda de calor de 2003, durante a qual se estima que o número de mortos tenha ultrapassado os dois mil. Errado! Segundo o estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, cuja análise rigorosa abordamos aqui, o excesso global de óbitos foi de 1953, o que na minha matemática continua a ser inferior a 2000. O IM não refere, pela sua inconveniência, que já em 1981 havia ocorrido uma onda de calor semelhante, que matou na altura cerca de 1900 pessoas (página 33 do mesmo estudo anterior). Porque esconde esses factos? Porque não refere as mais de 4000 mortes em excesso que ocorrerem em função da onda de frio do mês passado?

E continua com as cheias da Madeira, que havíamos contextualizado aqui. Uma referência muito oportuna, até porque a tragédia teve os custos que teve, sobretudo por culpa do próprio Instituto de Meteorologia, que foi incapaz de prever o que quer que fosse, conforme as referências no link anterior. Mesmo em termos históricos são uma nódoa, sendo muito mais interessante o blog de José Lemos, que havíamos também referenciado...

Enfim, um caduco Instituto a querer sobreviver...

Actualização I: Parece que o próprio IM nem sequer olha para os documentos da Organização Meteorológica Mundial. Na página 21 estão os gráficos abaixo, onde é claro que o número de mortes desceu significativamente, embora tenham aumentado os custos, perfeitamente normal em função de vários indicadores económicos (valor dos bens, inflação, etc.). Sintomático é o que a própria OMM diz:

Are disasters increasing?

Climate change has to an extent, created a public perception that the number of natural disasters is rising. The truth is more complex. While scientific studies of meteorological data are starting to show increases in the occurrence of some weather extremes, an important component lies in the exposure of communities.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Climigra

O Instituto de Meteorologia divulgou ontem que vai coordenar o projecto Climigra, que visa estudar o impacto das variações climáticas nos movimentos migratórios em Portugal continental e Regiões Autónomas. Pretende dar uma visão histórica das variações climáticas, utilizando-se "o legado histórico da informação climática em Portugal existente no IM, enquanto única informação climática validada para o território nacional". Para além do IM, participam "algumas Universidades, Centros de Investigação e Institutos Públicos nacionais, no continente e Região Autónoma dos Açores".

Mas, o que eles querem sei eu! O que eles querem é martelar os dados, para que seja reconhecido que as Alterações Climáticas, ou o Aquecimento Global, são piores do que se imaginava! Se eles estivessem verdadeiramente interessados na temática, libertavam esse legado histórico para o público, e comunidade científica, e garanto-vos que também eu participava! Assim, a minha primeira participação neste domínio, vai ser a de desmontar os interesses instalados neste projecto.

Pouca mais informação existe na Internet. O Governo Regional dos Açores antecipou-se uma semana na divulgação deste projecto fraudulento. Ao invés do IM, diz lá que muitos mais coordenam! E diz lá também que a História Climática vai começar, neste País com muitos séculos de existência, apenas em meados do século XIX!

Por isso, vou começar o projecto Climentiras. Ele visa conhecer as verdadeiras alterações climáticas, ao longo de toda a História de Portugal, mesmo anterior à nossa Independência em 1143. Para expor as mentiras que se propagam por aí, e que se vão intensificar com este projecto. Alguns dos posts anteriores podem ser aproveitados, como a investigação sobre David Melgueiro, a referência à Real Fábrica do Gelo, e muitas outras que estão agrupadas na etiqueta História. Conto também para isso com o contributo dos leitores, que possam sugerir pistas, ou mesmo escrever parte desta nossa História desconhecida, e esquecida...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Greve dos príncipes e fidalgos

Amanhã, é garantido que mais uns poucos, vão infernizar a vida de muitos! Os muito poucos são os trabalhadores públicos do sector dos transportes públicos. Os príncipes são de tal forma importantes, que o Metropolitano vai fechar. São estas estratégias que têm enterrado esta empresa pública, que devia em 2010 qualquer coisa como 3800 milhões de euros. Cada um de nós deve cerca de 380 € por causa das mordomias destes fidalgos do Metropolitano de Lisboa.

Mas não é só no Metropolitano que se notará a greve. Em todos os locais onde mais se chucha os contribuintes, é garantido que a greve será mais sentida. Para somar à dívida do Metro, na CP e Refer deve-se mais de 10000 milhões de euros, ou seja 1000 euros para o leitor, e outros 1000 para mim, e para cada um dos Portugueses, crianças e velhinhos incluídos! E como se isto fosse pouco, também não pagam aos fornecedores, aumentando ainda mais a dívida encapotada...

É por isto que todos nós nos temos que insurgir contra estes grevistas que apenas visam manter as regalias de muitos poucos, em detrimento de todos nós. Que pagamos para manter esta boa vida destes trabalhadores, que mal agradecidos, ainda nos brindam com mais um dia de miséria! Por isso, estes serviços têm que ser privatizados o mais rapidamente possível. As suas regalias principescas têm que acabar imediatamente, pois não é aceitável que quem aufere rendimentos baixos, e que são a maioria dos Portugueses, andem a alimentar estes príncipes que ganham milhares de euros por mês!

Porque nunca ouvi falar disto nos jornais, deixo aos leitores um gráfico que ilustra de forma eloquente porque são sempre os mesmos a fazer greve. Reparem no gráfico abaixo (cliquem para ver melhor), retirado deste documento do Banco de Portugal, e confirmem como os salários do sector público eram muito mais elevados que os dos privados, em 2005. Reparem como a função de densidade do sector público se deslocou muito mais para a direita desde 1996, e como a diferença de valores médios (dados pelas linhas verticais) aumentou entre o público e o privado. E vejam como os elevados salários praticados nas empresas públicas, nomeadamente de transportes, ainda acabam por compensar a curva dos salários dos privados! Imaginem, finalmente, onde estas funções se encontram hoje, e perguntem porque são sempre os mesmos a fazer greve?



Actualização: A notícia teve que ser editada relativamente à dívida da CP e Refer. O link que havia providenciado está manifestamente incorrecto, como se pode confirmar por notícias de anos anteriores, onde o valor já era manifestamente superior. Obrigado ao Rui Rodrigues pela correcção.
Actualização II: O sector público mencionado no estudo do Banco de Portugal, referenciado no último parágrafo, é entendido pelos autores como o conjunto da Administração Local, Regional e Central do Estado. As empresas públicas foram enquadradas no sector privado. O último parágrafo foi, por isso, ligeiramente alterado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Entrevistas do Prof. Molion

No blog Verde: a cor nova do comunismo descobrimos uma página espectacular com uma compilação de entrevistas do Prof. Luís Carlos Molion. Já o havíamos referenciado no passado neste e neste post, mas este reúne mais um conjunto de vídeos. São relativos a vários anos e mostram um verdadeiro e esclarecido cientista:


sábado, 17 de março de 2012

Preço do gás natural

O tema do gás natural tem sido recorrente ao longo dos últimos tempos no blog. Há ainda exemplos em que não o referi, como foi o caso da peixeirada do Prós e Contras, em que se falou do tema no programa, mas que não o abordei. Há mais de um ano, abordava o maná que constitui o surgimento do novo gás natural. E referenciava como não aproveitamos os nossos recursos...

Na China, sabemos existirem reservas para 200 anos! Recentemente, a Polónia bloqueou a loucura das propostas europeias de redução de emissões, porque se sabe que tem reservas enormes, embora aparentemente inferiores às inicialmente estimadas. Em Portugal, já demos conta das potenciais reservas, mas ninguém parece estar interessado em que fiquemos menos pobres. Enfim, enquanto não houver uma inversão no desnorte europeu, podemos ir olhando para o gráfico do preço do gás natural nos Estados Unidos, nos últimos 20 anos, que observei inicialmente no blog de Antón Uriarte:

sexta-feira, 16 de março de 2012

Custo da electricidade em Espanha

Enquanto cá nos queixamos do custo da energia eléctrica, e da politiquice associada, também os nossos vizinhos espanhóis, tão verdes, ou mais verdes, que nós, fartam-se de pagá-la! Lá, como cá, o custa da energia propriamente dita é apenas uma parte da factura. O mesmo podem constatar neste simulador, que está a deixar nuestros hermanos tão abananados como nós. Experimentem e vejam como eles pagam 4 vezes mais na factura eléctrica, de que o verdadeiro custo da energia! E vejam também os restantes elementos, clicando neles, pois aparece mais detalhe sobre cada um dos valores. Eles vão agora começar a perceber que têm de pagar pelos excessos do passado, incluindo a monstruosa dívida que herdaram do Zapatero...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eólicas dão cabo da nossa água

Numa troca de palavras com Rui Rodrigues, ele apontou-me para uma reportagem da SIC (ver abaixo), que aborda a temática da qualidade da água nas barragens do PNBEPH. Ora, como as novas barragens são necessárias por causa do excesso de eólicas, aqui está mais um efeito nefasto dos excessos da política das ventoinhas, dos melancias deste país. Não bastava serem caras, vulneráveis, poluirem e matarem; agora podemos culpabilizá-las também pela diminuição da qualidade da água, que as futuras barragens tenderão a causar.



É conhecido o impacto que as barragens têm na qualidade da água. Água parada é diferente de água corrente. Mas, é claro que este domínio é complexo. Veja-se o exemplo da Quercus, que considerou que a "água do rio Guadiana, na zona de Serpa, passou de “boa” em 2008 para “excelente” em 2009". Ou seja, mesmo com o Alqueva, a qualidade da água é excelente... Mas nem tudo é assim tão simples. No Relatório Ambiental do PNBEPH, percursor à escolha definitiva das barragens do PNBEPH, já era referenciado de forma clara:

Em termos de quantidade dos recursos hídricos, esta Directiva estabelece o seguinte: “Assegurar o fornecimento em quantidade suficiente de água de boa qualidade, conforme necessário para uma utilização sustentável, equilibrada e equitativa da água”, meta esta que o PNBEPH deverá ajudar a cumprir.
O PNBEPH vai, em termos de qualidade da água, em sentido oposto aos objectivos da DQA, que tem como principal objectivo evitar a continuação da degradação e proteger e melhorar o estado dos ecossistemas aquáticos, e também dos ecossistemas terrestres e zonas húmidas directamente dependentes dos ecossistemas aquáticos.
No entanto, de acordo com a mesma Directiva, esta não é violada desde que os empreendimentos sejam justificados como uma actividade necessária ao desenvolvimento humano e que “sejam tomadas todas as medidas exequíveis para mitigar o impacto negativo sobre o estado da massa de água”.
(...)
A criação de novos planos de água será equivalente à criação de novas reservas de água. Estas novas reservas de água poderão servir também para disponibilizar maiores caudais de água para acções de higiene, primeiros cuidados de saúde e salubridade. A sua mobilização poderá contribuir também para minimizar quaisquer doenças derivadas da menor qualidade da água e sobretudo da falta de fiabilidade de funcionamento dos sistemas de Águas de Abastecimento e de Águas Residuais.
Contribuição para o cumprimento dos objectivos preconizados no domínio do aproveitamento de águas termais, desde que antes da construção das barragens se proceda ao estudo das águas termais existentes e se proceda à análise das suas possíveis utilizações no âmbito do PNAAS.

Curiosamente, o que os melancias e todos associados ao processo parecem querer esconder é que provavelmente o maior problema da água das novas barragens do PNBEPH, será igualmente a consequência da necessidade de bombear a água para as barragens a montante, com utilização da energia eólica. O próprio estudo da ARCADIS, para a Comissão Europeia, e que tanto júbilo incutiu nos melancias, não faz uma única referência ao problema! Em 400 páginas, não arranjaram sequer um parágrafo para falar do problema!!! Curiosamente, o estudo considera mesmo (Tabela 6, página 293) que a existência de bombagem é "mais favorável" em termos de impacto ambiental!

São muito os potenciais problemas de andar a bombear a água, com a energia do vento. Tal será mais frequente no Verão, que no Inverno. Uma miríade de problemas ocorrem-me em segundos, mas sem que se vejam referidos pelos melancias, porque eles sabem que todas estas consequências resultam unicamente da energia eólica:
  • maior aquecimento médio das águas, nas albufeiras, e a jusante;
  • disrupção da estratificação térmica;
  • maior turbulência em termos de sedimentos;
  • mais frequentes e rápidas alterações de níveis de água;
  • maior erosão devido às ondas criadas em ambos os reservatórios;

Destes problemas derivam imediatamente outros. Outros problemas surgem com a localização de determinadas barragens reversíveis, como é o caso de Foz Tua, que vai passar a incorporar água do rio Douro. Toda a poluição que vem pelo Douro abaixo vai passar a ser bombeada para cima, para o rio Tua. Porque é que nenhum ecologista ainda falou nestes problemas? Porquê?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Emigrar para a Costa Rica

No mesmo artigo do DN em que se descobre que Francisco Ferreira já não é dirigente da Quercus, descobrem-se mais umas pérolas surpreeendentes. Para Francisco Ferreira, o paraíso na Terra está na Costa Rica! Vejam porquê:

Só há um país, a Costa Rica, que está acima do limiar de desenvolvimento humano e, ao mesmo tempo, tem uma pegada ecológica sustentável. Se vivêssemos todos como a Costa Rica chegaria um mundo.

O que é que tem a Costa Rica, que eu não saiba? Tem crocodilos. 80% da energia que produzem vem das barragens, coisa que eles detestam cá, mas que é aceitável no paraíso? Por isso, muita da energia é renovável, o que explica os cortes de energia e subidas expressivas dos preços. A Costa Rica tem também outras histórias ecológicas interessantíssimas...

Resumindo, o Francisco Ferreira que vá para a Costa Rica, e que nos deixe em paz! E que leve os restantes ecochatos com eles, que até já conhecem o sítio, que não nos fazem cá falta... E levem também os médicos lá do sítio, que cá apreenderam o que é trabalhar de forma sustentável!