domingo, 8 de abril de 2012

Electricidade Verde

A mui competente Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, ressucitou mais um daqueles conceitos popularuchos, que tão medíocres resultados deu no passado! Ainda esperei um tempo para ver se havia reacção da malta, ie. das melancias, mas nada!

A electricidade verde não é a electricidade verde que o leitor julga, mas sim a electricidade destinada aos agricultores, e que é comparticipada por todos nós! Ou seja, aquela electricidade verde que sai das ventoinhas, e que já subvencionamos dupla ou triplamente, vai passar a ter mais um encargo para os contribuintes/consumidores! Está tudo definido na Resolução do Conselho de Ministros nº 37/2012.

O que mais me surpreende no meio disto tudo é que já esteja esquecido para que serve a electricidade verde. Em Fevereiro de 2006, o Ministério da Agricultura havia detectado uma taxa de irregularidade de 45 por cento na sua utilização, tendo sido extinto em 2008. Não admira que no sector mais subsídio dependente do País, se utilizasse a electricidade verde, de origem verde, para regar, por exemplo, os verdes campos de golfe... A medida entretanto regressou em 2010...

Destas pequenas decisões percebemos quem é esta Ministra mais do mesmo. A regurgitar propostas anteriores, e tudo porque a verdadeira electricidade verde, aquela que sai das ventoinhas, foi a responsável, em primeiro lugar pela subida de preços. Em vez de resolverem esse problema de vez, andam a enrolar, a alimentar uma verdadeira bola de neve. Eu e o leitor continuamos a sustentar com 5 milhões de euros, esta palhaçada; pelo menos espero que dê umas tacadas!

sábado, 7 de abril de 2012

Para onde caminha a China?

Via Terrorismo Climático, apercebemo-nos que os Chineses se mantêm lúcidos em termos da sua estratégia energética. Enquanto por cá pensamos que eles compraram a nossa EDP pelos seus lindos olhos, esquecendo-nos que serão agora para eles que irão os nossos ovos taxas de ouro, por lá a estratégia energética é clara!

Num relatório governamental de 5 de Março, o Primeiro Ministro Wen Jiabao está determinado em apostar na utilização de um mix energético seguro: nuclear, gás de xisto e hidroeléctrico. E está determinado em acabar com a expansão cega da energia solar e eólica!

Tais avanços são confirmados num relatório da Agência Internacional da Energia Atómica, que perspectiva um aumento da energia nuclear em 100% nas próximas duas décadas, suportado num crescimento na Ásia, e especialmente na China e Índia. Tal permitirá um crescimento substancial das centrais nucleares chinesas, que podemos ver no mapa acima, retirado daqui.

No domínio do gás de xisto (shale gas), as expectativas são ainda maiores. Em 2015 a produção de gás de xisto deve atingir os 6.5 mil milhões de metros cúbicos, e pelo menos 10 vezes mais em 2020! Os Chineses incentivam as suas empresas a procurar empresas no estrangeiro com tal tecnologia, mas a EDP não é certamente uma delas... Segundo a notícia, também para aqueles lados o preço do gás tem vindo a descer, sendo que praticamente apenas na Europa vamos pagando mais por ele!

Segundo a notícia original, na área das energias renováveis, o que vai dar são as novas barragens, que serão responsáveis por dois terços do aumento de capacidade. Eles planeiam adicionar 20GW de potência hidro-eléctrica, um aumento de 57% ao ano!

E por cá, na Europa, ainda ficamos a tentar perceber porque os Chineses estão a crescer, e nós nos estamos a enterrar? Não há dúvidas que os nossos políticos andam completamente a dormir...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pedro Viterbo à nora

Ontem, os Media voltaram a nausear-nos com referências a um conjunto de supostas conclusões de Pedro Viterbo, do extinto Instituto de Meteorologia. Recordemos que ele é um dos dois representantes de Portugal no IPCC. Resumidamente, é dito uma série de barbaridades sobre como serão os próximos Invernos em Portugal, mas para as enquadrarmos, temos que ver o que foi dito antes...

Na Bíblia das Alterações Climáticas em Portugal, o SIAM II, o Aquecimento Global traz claramente menos precipitação a Portugal. Mas vejam o que o livro diz sobre a precipitação no Inverno, na página 72 do PDF (76 do livro) (realces da minha responsabilidade):

No que se refere ao ciclo anual de precipitação, a maioria dos modelos projecta para os meses de Inverno um aumento ligeiro da precipitação acumulada no ponto Norte no período 2070-2099 em relação ao período 1961-1990, tomado aqui como período de referência.

Mais à frente, na página 74 do PDF (78 do livro), refere-se o seguinte:

No Inverno, para os cenários A2 e A1F1, as anomalias de temperatura variam entre +1.5ºC e +4ºC e as anomalias de precipitação entre -25% e +20%. A maioria dos modelos prevê um aumento da precipitação de Inverno em Portugal Continental, principalmente na região Norte.

Todo este texto é confirmado pela imagem da Fig. 2.52, que aparece na página seguinte, e que se visualiza abaixo. O Inverno está no canto superior esquerdo da imagem, e não há dúvidas que as previsões são de aquecimento substancial, e uma previsão favorável de precipitação, sobretudo quando comparado com as restantes estações do ano:


É claro que os tretas invocarão que isto são previsões para 2070-2090, quando a maior parte deles já cá não estarão. Mas olhando por exemplo para a Fig. 2.19 do SIAM II, não há dúvidas que a tendência é praticamente linear! E olhando para as previsões do IPCC, também não há grandes dúvidas que os Invernos vão ser mais quentinhos, embora em termos de precipitação haja alguma redução prevista mais para o sul do País:


É neste contexto que temos portanto que analisar as conclusões de Pedro Viterbo. Vou ter como referência o artigo da TVI24, que parece ter sido o primeiro a sair, sendo certo que parecem cópias chapadas de um texto da LUSA. O parágrafo introdutório prevê Invernos secos e mais frios em Portugal, o que vai manifestamente contra o que o IPCC e o SIAM propagandeiam:

A redução do gelo no Oceano Ártico devido ao aquecimento global pode provocar um aumento de invernos secos e mais frios em Portugal, disse hoje à Lusa Pedro Viterbo, do Instituto de Meteorologia (IM).

Mas não julguem que Pedro Viterbo se passou para os lados dos cépticos! Vejam como o Aquecimento Global é a justificação para a redução do gelo no Oceano Árctico, outra frase infeliz, sobretudo quando nos últimos dias a anomalia de gelo no Árctico foi das mais próximas da normal, nos últimos sete anos! Perante as contradições, Pedro Viterbo começa logo a enrolar-se:

«Há uma indicação de que poderá haver maior frequência destas situações de invernos secos e de secas, mas não sei até que ponto posso dar significância estatística a isto», sublinhou Pedro Viterbo.

E a confusão continua... Será que o IPCC está mesmo certo?

O especialista considera que o estudo estabelece uma tendência, mas não consegue explicar «o facto de os dois últimos anos terem sido muito chuvosos», sendo que o de 2009/2010 foi mesmo o «mais chuvoso de sempre» em Lisboa.

Logo de seguida, Pedro Viterbo dá uma martelada nos poucos argumentos que poderia ter, e que referi acima, e que reside nas previsões serem a tão longa distância. Quando dão jeito, é já a seguir:

Pedro Viterbo admite que o «gelo do Ártico está a diminuir a uma taxa muito superior àquilo que os próprios modelos de clima dizem» e considera que «as previsões de um grande decréscimo na segunda metade do século XXI, provavelmente vão já acontecer na primeira metade do século XXI».

E porque o Aquecimento Global tem que explicar tudo, dá-se o pino final:

De acordo com o estudo, desde que a superfície do gelo caiu para um nível recorde, em 2007, quedas de neve nitidamente mais abundantes do que o normal foram observadas em vastas regiões norte-americanas, na Europa e na China.

Nos invernos de 2009-2010 e 2010-2011, o hemisfério Norte registou a segunda e terceira acumulações de neve mais fortes desde o início dos registos.

Não há dúvidas que estes pseudo-cientistas estão completamente à deriva! Dizem uma coisa e o seu contrário... O problema é que à medida que forem produzindo estudos e mais estudos a granel, serão cada vez maiores as contradições! E nestes tempos da Internet, bastam apenas alguns minutos para desmanchar estes fantoches da Ciência.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tartaruga chéché a 199

Como praticamente todos os leitores já saberão, a notícia do dia é Mário Soares ter sido apanhado a 199Km/h. Parece que ele terá dito que "o Estado é que vai pagar a multa", ou seja e o leitor, e os restantes contribuintes... Como seria de imaginar, o senil ex-Presidente reagiu mal e foi «bastante mal-educado», o que significa em Português, que se fosse outro, iria preso... É nisto que dão as merdomias!

Eu, já há muito deixei de ligar alguma coisa a Mário Soares. Como quase todos os Portugueses, já percebi há muito tempo que ele foi um dos maiores farsantes da nossa Democracia. O problema é que estes artistas dizem umas coisas e fazem outras. Como referi anteriormente, neste artigo e neste outro, já ninguém tem paciência para aturar estas coisas da senilidade... Mas, se era como Soares dizia, que a mão inconsciente e desastrada do homem, que agride e maltrata o planeta e compromete os seus equilíbrios naturais, então os Portugueses vão ter assim, de castigo, uma Páscoa fria... Toma!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva era, até ao último congresso do PSD, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Agora, Jorge Moreira da SIlva passa na prática a número dois do PSD, passando a ser o novo coordenador político do PSD. O País já se tinha safado no passado de o ver como Ministro do Ambiente, que só não foi por uma questão de quotas...

Mas quem é este Jorge Moreira da Silva, um completo desconhecido do público? Sempre foi basicamente um burocrata associado ao que de pior podemos imaginar da fraude do Aquecimento Global e Alterações Climáticas. Veja-se o que ele dizia em 2002, enquanto relator, negociador e autor da Directiva que estabeleceu o novo Sistema Europeu de Comércio de Emissões (todos os realces da minha responsabilidade):

conditions are created that Climatic Change and the Kyoto Protocol are no longer only theoretical items but will constitute in future an important pillar in economic and environmental politics. The Carbon Economy is born. Those who are able to produce with less greenhouse gas emission will be the winners.

É claro que ele se enganou redondamente! Quem está a ganhar são aqueles que mais CO2 emitem, com a China naturalmente à frente, e a Europa justamente no final dessa lista, e com Portugal na última posição! Quase tudo o que ele defende é de meter repulsa. Veja-se outro caso bastante evidente, do que Jorge Moreira da Silva dizia em 2003:

Jorge Moreira da Silva, who is steering a bill through the parliament which will cap industrial emissions of carbon dioxide (CO2), said Europe would have to pay to cut the emissions seen as a contributor to global warming but the EU could show the world it can be done without bankrupting the economy.

"In the short term we will pay. Our products will have the environmental costs included in the price," the centre-right politician from Portugal told Reuters in an interview at the Brussels-based assembly.
(...)
Moreira da Silva said if the scheme can be made cost-effective and credible, it could eventually help convince the United States to come back to the international climate change table.

"If we can prove that this scheme will remove emissions at lower cost, if we prove it works in Europe and it works in the rest of the world when we link it to other (emissions trading) schemes, I guess the U.S. administration might find a reason to ratify Kyoto," he said.

Moreira da Silva believes that, as the climate change problem becomes more evident, eventually all countries will have to reduce CO2 emissions and those that learn how to do so earlier, like the EU, will be at a competitive advantage.

"It might not be now, not in five or 10 years, but some day we will all be obliged to (cut emissions)," he said.

Todas estas afirmações foram desmentidas pelos factos. Não só os Estados Unidos não aceitaram Kyoto, como outros saltaram fora. Obviamente, a única coisa que se provou com o esquema das emissões europeu, foram as incontáveis fraudes que proliferaram no mercado de carbono. E que finalmente o está a afundar à Titanic... E obviamente no problema das alterações climáticas, o que é cada vez mais comum é os ratos saltarem fora do barco.

É provavelmente o que aconteceu a Jorge Moreira da Silva. Saltou fora do cargo de director-geral das Nações Unidas da área de Economia das Alterações Climáticas, no Grupo de Energia e Ambiente, para aturar agora, entre outros, os caciques locais, preparando nomeadamente as próximas eleições autárquicas. Sempre são novos ares, mais perigosos que os do CO2. E como nas eleições os eleitores começam a gostar de desancar naqueles que lhes trouxeram taxas de carbono, talvez o Jorge Moreira da Silva comece a piar mais fino...

Actualização: Um leitor mandou-me vários apontadores recentes que confirmam a análise do salta-fora. A China saltou fora da encomenda de umas dezenas de aviões Airubus europeus. A Q-Cells, outrora o maior fabricante de paineis solares fotovoltaicos, saltou fora do mercado, declarando insolvência. E para comemorar o meu post, o mercado de carbono deu um trambolhão de 14%!

domingo, 1 de abril de 2012

A hora da Terra

A hora da Terra foi comemorada ontem entre as 20:30 e 21:30. Eu, da minha parte, comemorava-a consumindo a electricidade lá de casa sintonizada no Estádio da Luz... Mas tal como há dois anos atrás, esta hora tem que ser comemorada pensando sempre nos desgraçados que vivem na Coreia do Norte. Sempre que esta ideia da WWF recorre por aí, é neles que eu penso, a que se junta agora todos aqueles que em Portugal também comemoram todas as noites esta ideia patética de viver sem electricidade...

A imagem acima (retirada daqui) documenta como a Coreia do Norte é um deserto luminoso, o estilo de local que inspira os ecologistas da treta. Mas nenhum deles se digna ir para la. E a Coreia do Sul é uma ilha luminosa, que brilha em pleno contraste. Muitas imagens evidenciam como os melancias têm à sua espera o reino de Deus, nesse canto inacessível. Mas para todos aqueles que querem mais imagens inspiradoras, podem também ver o aspecto de todo o planeta à noite (retirada daqui), embora a imagem não seja visível na maioria do software porque tem 15000x30000 pixels. E nesta sequência animada podem ver mais imagens do planeta à noite, enquanto este não regressa à Idade Média...

sábado, 31 de março de 2012

A Endesa verde fóssil


Um excelente exemplo de uma empresa verde, que não o é, é a Endesa. É uma alternativa comercial à EDP, mas que produz a maior parte da sua energia através da térmica clássica e da energia nuclear. Em Portugal é liderada pelo verde, Nuno Ribeiro da Silva, que recentemente observamos na peixeirada do Prós e Contras.

A consulta do site da Enel Green Power, companhia do grupo Enel (que adquiriu a Endesa) dedicada ao desenvolvimento e gestão da geração de energia a partir de fontes renováveis a um nível internacional, permite-nos constatar que em Portugal nem tudo é verde. Aliás, há muita coisa negra, fóssil como dizem os melancias... Senão vejam a lista das instalações de cogeração em Portugal, com os dados relevantes, retirados das respectivas páginas, referenciadas em cada um dos links:

DistritoProdutorPotênciaProduçãoEntrada funcionamentoCombustívelVapor
Viana do CasteloCamposgen4320197344201997Fuel-oil
BragaAtelgen3620146429192005Natural Gas8170000
BragaEnerlousado5123 Kwe3.278 MWh / year2006Natural Gas120344 Ton / year
BragaFeneralt3220149802692005Natural Gas11395200
BragaMundo Textil6510305338001996Fuel-oil9334935
BragaOliveira Ferreira4000178906352000Natural Gas9334935
BragaRonfegen4000178906352000Natural Gas9334935
BragaSoternix2730124966502000Natural Gas7034665
PortoCarvemagere2188 Kwe9955933 KWh / year2004Natural Gas6391 Ton / year
PortoEnercampo5474 Kwe18439 Mwh/year2000Natural Gas0 Ton / year
PortoEnerviz5520 KW22574340 KWh2007Fuel-oil8230 Ton / year
PortoFábrica do Arco8400 Kwe23323699 Kwh / year2002Fuel-oil8848 Ton / year
PortoRibeira Velha4646 kWe20150010 kWh / year1996Fuel-oil3247284
PortoSerrado5920 kWe26012057 Kwh / año1998Natural Gas9017401
LisboaCTE8208 Kwe2826336 KWh / year2000Natural Gas20003 Ton / year
LisboaPowercer7112 Kwe39525 MWh / year2004Natural Gas159772 Ton / year
SetúbalEnercor417017796808 Kwh1998Fuel-oil
SetúbalHectare4280163348601998Natural Gas
SetúbalLusol6500283707581997Fuel-oil6715000
SetúbalTagol7288418510002002Natural Gas124245000

A interpretação dos dados pode não ser linear, dado que alguns valores aparecem, por exemplo, repetidos. Todavia, consolidando os valores, obtém-se os totais de potência e produção:

CombustívelPotência (MW)Produção Anual (GWh)
Fuel-oil40.07162.48
Natural Gas63.16236.12


Estes valores são particularmente significativos! Segundo este documento da ERSE, o preço médio pago em 2011 no domínio da cogeração não renovável foi de 118.9 €/MWh, enquanto o custo médio da energia foi de 51.84 €/MWh. Tal significa um sobrecusto médio de 67.06 €/MWh. Multiplicando este valor pelo total da produção da cogeração, indicado pela Enel/Endesa, chegamos a um valor de sobrecusto de 26.7 milhões de euros por ano!

E não é só o valor que deve preocupar. Numa empresa dita verde, estar-se a utilizar particularmente fuel-oil, é um grande pecado! Valores baixos, ou mesmo nulos, de produção de vapor dão igualmente que pensar! Tudo isto são algumas das verdades inconvenientes de Nuno Ribeiro da Silva...