sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cortar nos luxos e excesso de voluntarismo

As audições na Comissão de Economia e Obras Públicas terminaram há minutos, com muitas novidades! Estiveram presentes o ex-Secretário de Estado da Energia, e o actual Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade. Fico com um mixed feeling sobre as suas declarações, sendo que Henrique Gomes continua com a sua guerrilha com António Mexia. As suas declarações, bem como a divulgação dos estudos confirma que Gomes estava obcecado com Mexia, e não com resolver verdadeiramente o problema. Enfim, hoje até reconheceu que "deveríamos ter feito os investimentos nas eólicas com mais cuidado", mas o resto foi um ataque cerrado a quem é responsável por apenas parte do buraco.

Artur Trindade avançou com algumas ideias claras, que tenho defendido aqui no blog. Relativamente ao PNBEPH, referiu que "existe e é para cumprir, agora não me venham pedir mais subsidios, o plano é para cumprir mas não para onerar mais a factura", o que significa que a minha interpretação da garantia de potência é correcta, e desmistifica totalmente as contas da GEOTA e companhia.

Na vertente da cogeração, Artur Trindade referiu que "temos que atalhar o problema dos falsos produtores de co-geração e que cuja actividade se centra na remuneração fixa". Referiu que "a redução é muito significativa, em torno de 100 milhões por ano, em ano cruzeiro, mas isso nao chega". Pois não, e pelos casos que temos levantado no blog, muitos cortes haverá aqui a fazer!

Na vertente das energias renováveis, Artur Trindade também não poupou nas palavras, embora tenha sido cauteloso. Segundo o Secretário de Estado, o Governo não tem "nada contra as energias renováveis. Mas deve haver moderação nos custos e na forma de remuneração, porque o país não tem capacidade de pagar luxos e excesso de voluntarismo" e que as "remunerações são muito acima da média". Falta saber se vão tomar medidas, ou se isto é apenas para parlamentares ouvirem...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os melhores sacos do lixo

A Quercus voltou à carga com a história dos sacos de plástico. Sempre que aparecem notícias destas, lembro-me logo da história do Verde Otário. E fico a pensar quando a nossa Cristas, das taxas vergonhosas, desenterrará a proposta anterior da taxa dos sacos de plástico.

Nem de propósito, há uns dias o leitor Rui Monteiro, de Montemor-o-Velho, havia-me enviado a sua perspectiva acerca dos sacos de plástico. Ele e eu, usamos-os para meter o lixo. Um exemplo notável de reciclagem, que certamente é seguido pela grande maioria dos leitores e Portugueses! Mas o Rui foi mais longe e fez as contas, muito importante nestes tempos de crise!

E as contas são muito simples: um saco do Lidl custa 4 cêntimos. E são bem melhores que os do Continente, que são os que eu uso para o lixo. Apesar de serem piores, é verdade que os meus saem de borla, pelo que não me queixo. Mas o Rui foi ver quanto custam os sacos do lixo no Lidl, e 30 sacos de lixo de 25 litros, sensivelmente da mesma dimensão dos sacos da caixa, custam 1.29 €! No Continente, metade, 15 sacos de 30 litros, denominados "Ecobag Fecho Fácil", da Vileda, nome apropriado para ecologista triste comprar, custam neste momento 3.59€, ou seja quase 24 cêntimos por saco!

Conclusão, nada como continuar a pagar os da caixa, embora como o Rui refira e bem, que agora tem que pagar aquilo que dantes lhe davam! Quando a Cristas se lembrar de os taxar, podemos ter a situação inversa, que é comprar os do lixo, e abri-los logo ali, para levar as compras para casa!

Agora, expliquem pf. o que ganha o Ambiente? Quais são os melhores sacos para enfiar o lixo? É que os do Continente e Vileda tẽm a inscrição de que são degradáveis, mas como os sacos do Lidl não dizem nada, e os que se pagam são mais rijos, aposto que demoram mais tempo a degradar-se que os meus do Continente, que são bastante frágeis. Afinal, tenho quase a certeza, os sacos de borla são os melhores para o Ambiente!

terça-feira, 24 de abril de 2012

A mina de ouro do mercado de carbono

Antón Uriarte disponibilizou ontem um link para um artigo muito interessante do El Pais. O artigo refere como o mercado das emissões de carbono é um negócio de ouro para a Indústria, e uma ruína para o Estado.

Em Espanha, as cimenteiras e as várias indústrias ligadas à construção foram das que mais beneficiaram. Em quatro anos, venderam direitos de emissão avaliados em 1279 milhões de euros. Enquanto isso, o Estado espanhol comprou no estrangeiro 770 milhões de direitos, e necessitará de uns 500 milhões adicionais. As empresas perceberam que era mais rentável deixar de produzir e ganharem dinheiro com isso. Na realidade, em Espanha, com a queda da construção, a queda da produção até deu jeito!

Mas mais interessante que observar o disparate em Espanha, é começar a escavar no disparate Português. Como é habitual, a informação sobre estes esquemas não abunda. A Judiciária anda no terreno à caça do esquema do carrossel, um esquema que já leva vários anos noutros países. Entretanto, andamos entretidos a comprar direitos noutros países...

Um bom sítio para começar a recolher informação é no sistema de registo europeu, onde podemos encontrar informação por país. Nesta folha de cálculo temos a lista das empresas portuguesas que mamam deste esquema. As que têm maiores direitos são as eléctricas e as cimenteiras. A consulta da listagem revela um conjunto de 212 empresas, que descobriram esta verdadeira mina de ouro...

Os estúpidos dos responsáveis pelo esquema europeu, porque não têm outro nome, ainda se vangloriam de que este esquema contribuiu para a quebra de emissões. Pudera! Então se é mais barato mamar do que produzir, de que estavam à espera? Agora que, com este esquema, a indústria europeia, e especialmente a portuguesa, está desaparecida, e habituada à chucha, não se quiexem da crise!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Lóbis da Fátima Campos Ferreira

Alertado por um leitor, dei uma vista de olhos à entrevista no DN de hoje, a Fátima Campos Ferreira. A apresentadora do Prós e Contras, que recentemente referenciamos, a propósito da Peixeirada no "Insustentável Custo da Energia", levantou a questão dos lóbis que dominam maquiavelicamente a nossa Sociedade. De quem se foi ela lembrar quando lhe pediram para concretizar?

A atual conjuntura social e económica de Portugal trouxe novos temas e problemas para discutir. Ainda há temas tabus?
Há temas onde há muitos lóbis. Sou, atualmente, um grande observatório da nossa sociedade...
Quais as áreas a que se refere?
Há lóbis em todos os sectores. Acontece, por exemplo, na área ambiental e até na preservação do ambiente.

domingo, 22 de abril de 2012

Restrições na microprodução

Já abordamos várias vezes no blog o problema da microprodução, a forma mais anti-social de geração de energia em Portugal. Com imensos esquemas envolvidos, agora damo-nos conta que a banda continua alegremente a tocar neste domínio, mesmo quando o País já se está a afundar! Mas outras notícias dão-nos conta que a festa estará a acabar...

O Decreto-Lei nº 25/2012, de 6 de Fevereiro infelizmente não suspendeu a atribuição de licenças de microprodução. Elas continuam a ser emitidas a grande velocidade, conforme se pode ver pela listagem do final do mês de Março. A velocidade de instalação destes sangue-sugas é tão grande que, nalguns locais já foi ultrapassado o limite de 25 % da potência do respectivo posto de transformação, conforme os números 6 e 7 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 363/2007. A lista de locais onde tal já aconteceu está disponível neste link do site Renováveis na hora.

Olhando para a listagem, há vários aspectos que saltam à vista. Em primeiro lugar, o facto da maior parte das restrições se aplicar a locais do interior. Tal pode significar a existência de postos de transformação mais pequenos. Numa amostragem rápida no Google Maps, o que observei foi essencialmente um conjunto de localidades com habitações dispersas e muitas moradias. Mas isto não deve explicar tudo, pelo que não me admirava muito que esta praga resultasse de dinamismo local... Talvez algum dos leitores conheça a realidade de algum destes locais, e me queira explicá-lo!

sábado, 21 de abril de 2012

A vergonha do PNAER e PNAEE

Na sequência da estratégia de envergonhar os lobbies que se posicionam para continuar a mamar e chuchar no bolso do contribuinte e consumidor, e que teve uma reacção assinalável de muitos leitores, há agora uma outra via muito interessante de todos contribuirmos para tentarmos por alguma ordem nisto.

Está em discussão pública a nova proposta do PNAEE e PNAER, que se designa de “Linhas de orientação para a revisão dos Planos Nacionais de Ação para a Eficiência Energética (PNAEE) e para as Energias Renováveis (PNAER)”. O documento, que descarreguei ontem do site da DGEG, e ainda está disponível neste link, é dado no site da DGGE como estando indisponível, por motivos de ordem técnica. Agarrem uma cópia, porque ou muito me engano, ou vai ter uma segunda versão melhorada.

Eu já dei uma vista de olhos de 5 minutos e encontram-se algumas, poucas, ideias esperançosas. Mas continua cheio de disparates! E as próprias reacções saídas na Imprensa dão-nos conta de como os lobbies estão incomodados. Ou porque o Governo trava eólicas e corta energia solar em mais de 60%, ou porque o apoio à microprodução tem os dias contados. Sente-se o pânico no ar, o qual já contagiou os burocratas de Bruxelas, que esperam manter a nossa caminhada na direcção da Idade Média...

O PNAER e PNAEE estão em consulta pública até 18 de Maio, mas até essa informação foi retirada do site da DGEG. Algo de muito extraordinário em termos de pressões se deve estar a passar, mas o ideal é documentar a situação actual, porque no futuro tudo isto desaparecerá:


Entretanto, o Plano das Festas será o seguinte: Nas próximas duas semanas analisarei o documento, e recolherei as opiniões dos leitores. Uma semana antes de terminar o prazo dos comentários/observações, farei um resumo dos pontos que serão importantes considerar neste documento, que condicionará de forma muito significativa a estratégia energética dos próximos anos. Então, convidarei os leitores a envergonhar o status quo actual, submetendo comentários/observações de que eles estarão pouco à espera...

Actualização: O link do documento já não funciona. Quem quiser, é só pedir por email (canto superior esquerdo)...
Actualização II: Podem ler os comentários ao PNAER/PNAEE aqui.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Portela + 1 = Alverca

Anda por aí a grassar, novamente, a polémica do aeroporto de Lisboa. Já havíamos abordado a polémica há dois anos, mas está na altura de voltar ao tema. Como é evidente, os lobbies procuram fazer vingar as suas teses, esperando mamar do erário público.

Em primeiro lugar, como referi no artigo de há dois anos, a Portela ainda tem muito para dar. É só fazer as duas obras minúsculas referenciadas então. Com a Easyjet a estrear hoje a sua base em Lisboa, e com a Ryanair a querer trazer milhões de passageiros, o que é perfeitamente possível, dado que para o Porto transportaram mais de 2 milhões de passageiros em 2011, há que todavia fazer uma outra aproximação.

Como não podemos ficar à espera, nem temos dinheiro para a megalomania de um novo aeroporto, há que adaptar um, e depressa. As alternativas que se colocam em cima da mesa são Alverca, Sintra e Montijo. Para todos aqueles que defendem que Beja e Monte Real são uma alternativa, só posso dizer que estarão bêbados de qualquer coisa, provavelmente regionalismo. Basta ver a aberração mais recente de Beja , para perceber a estupidez e alucinação em que vivem os mentores desse aeroporto...

Das três alternativas, defendo claramente a de Alverca. É aquela que tem todas as características adequadas para resolver o problema. Monta-se um barracão (inspiração: barracão do Terminal 2 do aeroporto de Malpensa em Milão) e umas passadeiras rolantes até ao comboio, a 150 metros! Recordemos que a Linha do Norte tem justamente do Oriente até Alverca quatro vias de circulação, pelo que não há quaisquer limitações na introdução de um shuttle rápido até ao Oriente (vel. máxima de 200 Km/h de Alverca até Moscavide, praticamente a totalidade do trajecto), ao contrário do que dizem alguns mal-informados. Tudo num tempo inferior a 10 minutos! Junta-se o equipamento técnico, e está feito! Tal simplicidade é impossível de imaginar para Sintra ou Montijo. E não alimenta os lobbies, como seria o caso da Lusoponte e Ascendi! E não tem o historial de casos do Montijo 1 2 3.

Ademais, tal como nas outras duas opções, não é preciso serviço de fronteiras, limitando-se os voos ao espaço Schengen. Serviço de bagagens é básico, dado os voos serem ponto a ponto, e a grande maioria dos passageiros transportar a sua própria bagagem. É ainda possível fazer a saída dos aviões pelos seus próprios meios, sem push-back, e colocar os passageiros nos aviões pelos seus próprios pés, tudo para gaúdio de todos!

É claro que depois há as supostas incompatibilidades com o aeroporto da Portela... Na verdade, as incompatibilidades, são muito maiores no caso do aeroporto do Montijo. No enfiamento da 08/26, temos o Cristo Rei, e o enfiamento da 03/21 da Portela. Acresce não estar orientada em função dos ventos dominantes, um problema que também afecta, em menor grau, a pista 14/32 de Sintra. A 01/19 do Montijo é melhor, mas mais curta que a de Alverca, sem grande capacidade de crescimento, e interfere na 17/35 da Portela.

Como pode então funcionar Alverca? Há tantas hipóteses. Exige apenas planeamento! E não nos esqueçamos que vai ser um aeroporto secundário, pelo que a quantidade de movimentos não vai ser naturalmente muito elevada!

Quando o vento é o dominante, de norte, o problema não se coloca nas descolagens. Como Alverca irá servir praticamente apenas a Europa (excepções: low-costs para as ilhas), os aviões descolam daí normalmente, enquanto a descolagem da Portela se faz igualmente de forma normal, privilegiando porventura os voos que levantem e voltem à esquerda (especialmente ilhas e continente americano). Adicionalmente, a pista 35 da Portela pode perfeitamente ser utilizada em simultâneo. O problema coloca-se nas aterragens. Note-se que o enfiamento das duas pistas, dada a pequena diferença de ângulos, é evidente. O problema é agravado pelo facto de Alverca estar a uma cota 100 metros inferior à da Portela. Todavia, os aviões que serão destinados a Alverca não são propriamente A340s/747s, tendo muita maior capacidade de manobra, e menores restrições. Existindo limitações, não são substanciais.

Quando o vento é de sul, a Portela utiliza as pistas 21 e 17. Aqui o problema é essencialmente simétrico, mas não totalmente, derivado das limitações associadas a uma aterragem abortada em Alverca. Esta possibilidade, que tem sempre que ser considerada, reduz marginalmente a capacidade de operação da Portela. Nas descolagens, há igualmente limitações, mas mais uma vez as características técnicas dos aviões a operar em Alverca, associado ao facto de transitarem na sua grande maioria para a Europa, praticamente não cria problemas.

Enfim, as justificações para "enterrar" Alverca servem apenas para esconder o facto de que com muitos poucos milhões de euros se resolve o problema. Sem benefício dos lobbies. É por causa destes lobbies que os técnicos encontram problemas, em vez de soluções! Então se compreenderá que Alverca constitui claramente o melhor complemento para o Aeroporto da Portela, e uma solução que agradará certamente à Ryanair & companhia.

Actualização I: Um leitor enviou-me um link interessante para fotos de aviões em Alverca, a maioria suponho que do Museu do Ar.
Actualização II: Outro leitor alertou-me para o facto de que, já hoje, os comboios directos entre Alverca e Lisboa demoram apenas 10 minutos. A consulta da página da CP revela que há hoje, 2012-04-20, 15 ligações directas de 10 minutos, num total de 87 ligações diárias entre Alverca e Lisboa. No sentido contrário há 90!!!
Actualização III: Um terceiro leitor enviou-me referências para dois vídeos do Youtube. O primeiro é de um Airbus a aterrar em Alverca, e o outro é de um pequeno jacto a levantar da Portela e a aterrar em Alverca. Dá para perceber perfeitamente o voltar inicial para a direita, e depois para a esquerda, bem como a exequibilidade de voos simultâneos, desde que nas condições referenciadas no post.

Actualização IV: Um leitor atento alertou-me para a troca nas referências às pistas 17 e 35, entretanto corrigida. Tinha-me baseado na elaboração deste post no mapa deste documento, que também está errado...
Actualização V: Um leitor evidenciou que o Aeroporto de Alverca ficará quase tão perto do centro de Lisboa, quanto o da Portela, se considerarmos a deslocação por Metro. Na verdade, a linha do aeroporto da Portela levará cerca de 5 minutos a chegar ao Oriente, apenas um pouco menos que um shuttle rápido de Alverca. A continuação da linha de Metro entre o Aeroporto e o Campo Grande está apenas prevista. Este é ademais uma evidência que Alverca será claramente a melhor posicionada, quando se considerar o tempo necessário para interligar os dois aeroportos, e que em cenários óptimos, poderá permitir a um passageiro colocar-se no outro aeroporto em 20 minutos!
Actualização VI: Ao contrário do que se possa pensar, a Portela está longe do esgotamento. Vejam a disponibilidade de slots disponíveis neste site, e comparem com outros aeroportos... Carreguem em "Runway Availability", depois em "Week", escolham o aeroporto "LIS", e introduzam uma data. Escolham, por exemplo, uma das piores semanas, "23JUL". O resultado é a primeira imagem abaixo. A segunda imagem abaixo, à direita, mostra o que é um aeroporto verdadeiramente congestionado, o de Heathrow, em Londres (clique para ver melhor):

Actualização VII: Um leitor enviou-me mais uma desvantagem de Alverca: é que o pessoal do aeromodelismo gosta de se divertir para aqueles lados, e não vão querer perder direitos adquiridos... E não é que uma pesquisa pelo Youtube revela inúmeros exemplos, como revela o primeiro vídeo abaixo? Já agora, no segundo vídeo abaixo, podemos ver um desses modelos a filmar a área envolvente... Não admira que não queiram libertar o espaço!