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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pedro passadus

O semanário Sol, na sua edição deste fim-de-semana, dá uma ideia da macacada em que vivemos. Mas não foi a leitura das primeiras páginas que mais me marcou. Antes, o artigo de José António Lima na última página impressionou-me muito mais. Então não é que Steven Chu é uma grande inspiração para o Pedro Passos Coelho? Ou seja, depois de Sócrates, ficamos a saber que, se Pedro Passos Coelho chegar a algum lado, no dia seguinte, tudo o que ele disser pode ser desdito!

A associação de ideias que Pedro Passos Coelho cita no último capítulo do seu livro é absolutamente confrangedora. Steven Chu havia afirmado em Setembro de 2008 que "Somehow we have to figure out how to boost the price of gasoline to the levels in Europe". Nessa altura, o galão de gasolina estava a 8 dólares na Europa... Mais tarde Chu até admitiu no Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, a estupidez da sua argumentação:

REP. STEARNS: No. But somehow, your statement, “Somehow we have to figure out how to boost the price of gasoline to the levels in Europe,” doesn’t that sound a little bit silly in retrospect for you to say that?
SEC. CHU: Yes.

Chu é igualmente um vidente/astrólogo. Gosta muito de afirmar as certezas sobre como será a Terra daqui a 100 anos: "At no other time in the history of science have we been able to say what the future will be 100 years from now.". Nem Nostradamus foi tão assertivo!

E depois, ele é o cientista louco. Desde pintar os telhados de branco, passando pelos seus pesadelos carbónicos, até às seus assustadoras previsões sobre furacões e subida dos níveis dos mares, que todos sabemos não se estarem a verificar, Chu é um verdadeiro palhaço nesta discussão dos temas climáticos.

É claro que na Internet o gozo é geral. Depois do efeito Gore, descobriu-se o efeito Chu. Se ele diz qualquer coisa, o inverso começa rapidamente a acontecer. E é isto que inspira Pedro Passos Coelho???

terça-feira, 30 de março de 2010

Mais inspiração para Pedro Passos Coelho


Depois de termos aqui referido que Pedro Passos Coelho é inspirado por Steven Chu, há mais razões para Coelho continuar inspirado. Como se pode ver no video acima, em que Steven Chu fez uma apresentação no Laboratório Nacional de Oak Ridge, ele não consegue esconder o embaraço das descidas de temperaturas em algumas das décadas passadas:

It’s fair to say we don’t understand these ripples. We don’t understand the downward trend that occurred in 1900 or in 1940. We don’t fully understand the plateau that's happened over the last decade.

Mas o que entenderá este Secretário da Energia? De História não é de certeza, porque afirma que as temperaturas anteriores ao século passado foram basicamente estáveis. Ele nunca ouviu falar da Pequena Idade do Gelo, ou do Período Quente Medieval, só para enumerar dois períodos dos últimos mil anos. De manipulação sim, até porque o gráfico é aquele já desmascarado no âmbito do Climategate.

Todavia, estes desconhecimentos não o impedem de dizer que os períodos de Aquecimento são devidos aos Humanos. Será que os outros são devidos aos extra-terrestres? Definitivamente, o Pedro Passos Coelho tem cá uma fonte de inspiração!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O buraco sem fim

No dia de hoje, a analogia gráfica que melhor se enquadra é a que referencio ao lado. Sobre Sócrates, já todos sabemos que cada dia que passa em São Bento, só contribuiu para a nossa infelicidade colectiva. Esta cambada que nos desgoverna já lá não devia estar, mas nós Portugueses gostamos de sofrer! Gostamos dos aumentos do ano passado, e não escutamos a Velha. Agora, pagamos!

Mas o PSD não está propriamente melhor! Este mês lançou o site www.cortardespesas.com. Como era minha obrigação, coloquei lá a sugestão de cortar nas tarifas feed-in. É uma opção muito mais realista do que aumentar o IVA ou cortar nos salários, e ainda tornaria a Economia Portuguesa mais competitiva. E sempre vão ser 700 milhões de euros este ano... O PSD lançou depois o Relatório Síntese das propostas recebidas, mas a minha proposta, apesar da sua dimensão, nem sequer lá apareceu. Ainda pedi uma explicação por escrito, mas obviamente posso continuar à espera!

Nada que não me admire! Afinal o PSD, e especialmente Pedro Passos Coelho, também se alimentam das energias renováveis... A Fomentinvest é um dos players nesta área, sendo bem conhecida a ligação anterior de Pedro Passos Coelho. Aliás, já aqui no passado tínhamos observado que Pedro estava passado com as suas inspirações! Conseguem topar onde ele está no filme?

sábado, 9 de abril de 2011

Mais do mesmo

Esta tarde, em casa de um amigo, vendo a Visão de 10 a 16 de Março passado, verifiquei as propostas que o PSD supostamente vai avançar. Na área do Ambiente, a única aposta parece ser a de "apostar no turismo de natureza, cultural, e ecoturismo e estudar o paradigma da Nova Zelândia e da Austrália para os Açores e Alentejo". Estudar? Francamente! Mas o que deita tudo a perder nestas propostas é mesmo a penúltima:

Apostar nas eólicas offshore [em mar alto] dando concessões a empresas nacionais e estrangeiras.

Já tínhamos observado que Pedro Passos Coelho tem fortes interesses neste domínio... E neste domínio a sua estratégia parece ser a de prosseguir a mesma estratégia explosiva do Socras: arrecadar dinheiro agora, e deixar os contribuintes/consumidores pagar com juros depois! Se a eólica offshore não é viável em regiões com potencial de vento muito forte, como o esperam que seja ao largo da costa portuguesa, onde a intensidade do vento é muito menor, como a imagem acima documenta?

domingo, 8 de maio de 2011

Política energética do PSD

A minha alma está parva! Tenho sido bastante crítico de Passos Coelho neste blog. Mas olhando rapidamente para o programa eleitoral do PSD, rapidamente deparei-me com uma verdadeira pedrada no charco:

Os objectivos estratégicos para a área de energia tendem a ser universalmente aceites, semelhantes entre países e constantes ao longo do tempo. Uma política energética integral e completa visa alcançar três grandes desígnios:
  • Segurança no abastecimento energético;
  • Competitividade e crescimento económico;
  • Sustentabilidade ambiental.
O peso relativo de cada um destes factores, esse sim, varia entre países e dentro dos países ao longo do tempo. Por exemplo, os EUA têm recentemente posto bastante ênfase na segurança de abastecimento energético, com um esforço profundo de aumento das fontes internas de energia primária (ex. gás natural), enquanto a Europa tem posto muito do seu esforço na concretização de objectivos ambientais relacionados com as energias renováveis e a redução das emissões com gases com efeito estufa (Ex. Objectivos 20-20-20), e a Ásia se tem concentrado em garantir o acesso a energia da forma a mais económica possível.

Nos últimos anos, a primazia da política energética portuguesa esteve conceptualmente apontada para a sustentabilidade ambiental, descurando significativamente o objectivo de assegurar um modelo energético que promova a competitividade económica e o crescimento económico. Assim, Portugal foi aumentando a capacidade instalada renovável até ao ponto em que 1/3 da capacidade instalada se encontra em Regime Especial, foi mantendo uma intensidade energética das mais elevadas da Europa e foi criando uma tendência de preços crescentes de energia para empresas e famílias, apesar da acumulação de défices tarifários sistemáticos.

Como o programa é muito detalhado, não é possível avaliá-lo rapidamente. Já lá vi referências a acabar ou limitar as tarifas feed-in. A aposta nos nossos recursos! O reforço da nossa competitividade... É uma enorme surpresa, e pela positiva, este programa! Iremos analisá-lo em maior detalhe, para ver se merecerão nomeadamente o meu voto...