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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The ClimateGate Secret Meeting

A usual reader of the blog sent me yesterday an interesting news from a Portuguese newspaper. It deals with the classic Medieval Warm Period problem, in the most green Portuguese newspaper. I immediately recognized one of the worst environmental journalists in Portugal, dealing with one of my favorite issues. Interestingly enough, Ricardo Trigo, a portuguese climatologist, was trying to explain the pseudo-science behind climate change and global warming, confusing things like Greenland's vikings and Maunder's Minimum.

But what really interested me in the story was a reference to Phil Jones, the person in the center of the ClimateGate controversy. And references to a conference in Portugal, regarding the Medieval Warm Period. I spent some time trying to figure out what had happened. Turned out that I had not read the news with attention: the conference had happened a month before!

Between 22 and 24 of September, a symposium entitled "The Medieval Warm Period Redux: Where and When was it warm?" was organized in Lisbon, Portugal. The Climategate mob was here, including Phil Jones, Michael Mann, Malcolm Hughes and Raymond Bradley. I bet the main point on the agenda was how "to get rid of the Medieval Warm Period". The abstracts for the conference are available here. Probably, the best abstract of the symposium was for Malcolm K. Hughes (highlights are my responsibility):

We meant the title of our 1994 review “Was there a Medieval Warm Period, and if so Where and When?” (Hughes and Diaz, 1994) to be read in two ways. Firstly, it was to be read quite literally. Secondly, it was meant to be ironic. The literal reading was rewarded by an attempt to identify and synthesize records thought to be appropriate to this task. Irony was used to imply that, since a clear and simple answer was not forthcoming from the review, it might be useful to reformulate the question. Please read the title of this abstract in the light of this explanation of the 1994 title.

The trajectories of these two concepts (“Medieval Warm Period” and “Medieval Climate Anomaly “) will be traced. A case will be made for the abandonment of both of them, on the grounds that they are inappropriate, uninformative, and that they very probably divert attention from more revealing ways of thinking about the Earth’s climate over the past two millennia.

It is clear from many recent publications, especially many of the abstracts submitted for this meeting, that high-resolution paleoclimatology has moved firmly from the mode of descriptive climatology to that of physical climatology. As a result, there is little utility in picking over definitions of the geographic and temporal extent of putative epochs, especially in the Late Holocene. The pressing questions concern the dynamics of the climate system, and the relative roles of free and forced variations, whether the forcings are anthropogenic or not.

All the information I've got till now makes me believe that this was an almost secret meeting. No news transpired, not even here in Portugal. Given the abstracts, and the one seen above, their intentions are clear! If Ricardo Trigo kept his mouth shut, nobody would probably hear about it. So I wish to thank my loyal reader for bringing this to our attention.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Período Quente Medieval de regresso

A notícia de mais uma machadada, porventura definitiva, no hockey-stick, está há dois dias no Watts Up With That. Os leitores sabem que eu raramente duplico aqui posts do site de referência dos cépticos, mas neste caso temos que abrir uma excepção.

O artigo, a publicar na próxima edição de "The Annals of Applied Statistics", de Blakeley B. McShane e Abraham J. Wyner, chama-se "A Statistical Analysis of Multiple Temperature Proxies: Are Reconstructions of Surgace Temperatures Over the Last 1000 Years Reliable?". Para todos os efeitos, o artigo resulta claro apenas pela leitura do seu abstract (realces da minha responsabilidade):

Predicting historic temperatures based on tree rings, ice cores, and other natural proxies is a difficult endeavor. The relationship between proxies and temperature is weak and the number of proxies is far larger than the number of target data points. Furthermore, the data contain complex spatial and temporal dependence structures which are not easily captured with simple models.
In this paper, we assess the reliability of such reconstructions and their statistical significance against various null models. We find that the proxies do not predict temperature significantly better than random series generated independently of temperature. Furthermore, various model specifications that perform similarly at predicting temperature produce extremely different historical backcasts. Finally, the proxies seem unable to forecast the high levels of and sharp run-up in temperature in the 1990s either in-sample or from contiguous holdout blocks, thus casting doubt on their ability to predict such phenomena if in fact they occurred several hundred years ago.
We propose our own reconstruction of Northern Hemisphere average annual land temperature over the last millenium, assess its reliability, and compare it to those from the climate science literature. Our model provides a similar reconstruction but has much wider standard errors, reflecting the weak signal and large uncertainty encountered in this setting.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Por mares nunca de antes navegados

A história dos nossos antepassados tem muito de histórico, e muitos dos seus descendentes renegam tais feitos. Por estes dias, em Copenhaga, uma das consequentes desgraças mais repetidas é a do potencial subida do nível das águas do mar. O exemplo de Tuvalu já aqui foi referido.

Voltando à nossa história, já aqui nos referimos ao processo da subida que se vem verificando nos últimos milhares de anos. Aliás, as maiores taxas de subida foram observadas há alguns milénios, no Óptimo Climático do Holoceno.

Estes segredos encontram-se aparentemente bem escondidos dentro da comunidade académica. Da nossa comunidade académica portuguesa. Vejam este relatório, produzido num seminário organizado na Universidade do Porto a 19 de Setembro de 2005, intitulado "Sea Level Changes". Nele se encontram várias evidências de níveis do mar mais elevados na costa portuguesa, no Período Quente Medieval e no Óptimo Climático do Holoceno. Para além de evidências muito mais antigas na História. Que não aproveitamos, ao contrário de outros.

Ora, se assim é, como se pode invocar que é a actividade do Homem que está a levar à subida dos mares no presente? A menos que se justifique isto com o facto de que foram as fogueiras dos Homens das Cavernas, ou talvez da Inquisição, que levaram à subida dos mares no passado?

http://web.letras.up.pt/asaraujo/Trabalhos/Sea%20level%20changes.pdf

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

As respostas de Miguel Ambio

Miguel Araújo, do blog ambio, conseguiu que um artigo seu fosse publicado na versão online do Expresso. Tentou rebater a argumentação de Delgado Domingos, num artigo absolutamente espectacular que havíamos aqui anteriormente referido. Todavia, para além de confirmar envergonhada e subrepticiamente muitas das afirmações de Delgado Domigos, o problema dele é que não deve ler o Ecotretas, senão teria visto que a sua argumentação é infeliz e errada:
  • Miguel refere que O que se afirma no relatório de 2007 (página 281, Capítulo "The Physical Basis") é que se estima que os furacões do atlântico poderão tornar-se "menos frequentes mas mais intensos"
    mas isto já foi demonstrado errado aqui, sendo que a realidade é que o valor do ACE (Accumulated Cyclone Energy) é o mais baixo dos últimos 30 anos!
  • Miguel refere que Ora todos sabemos que as projecções de tendências têm associadas a si uma variação inter-anual que é de carácter estocástico (melhor dizer, não se pode explicar à luz do conhecimento actual), e que escolher um ano quente para depois demonstrar uma evolução é negativa é certamente uma boa forma de produzir argumentos retóricos
    mas o que Miguel pretende ignorar é que o IPCC posiciona convenientemente os seus gráficos depois de períodos frios, como foram a década de 1970 e a Pequena Idade do Gelo. Nestas circunstâncias, a subida é garantida!
  • Miguel entende que é abusiva e carece de demonstração, a possibilidade de ter havido uma fraude que compromete a ciência climática no seu conjunto
    mas esquece-se, como aqui já referimos, que Phil Jones, o cientista no centro do escândalo, é o quarto autor mais citado, em investigação no âmbito das mudanças climáticas, no período 1999-2009. Se excluirmos os domínios da biologia e ciência marítima, é mesmo o mais citado!
  • Miguel refere que A verdade é que hoje se questiona que o Período Quente Medieval tenha sido um fenómeno global
    mas esquece-se de dizer que este é um artigo de Michael Mann, o autor do hockey-stick, repetidamente desmascarado no passado! O Miguel devia dar uma vista de olhos a www.co2science.org/data/timemap/mwpmap.html onde facilmente constata que dados publicados por 772 cientistas distintos, de 458 instituições de investigação, de 42 paises diferentes, confirmam a existência do Período Quente Medieval por todo o planeta Terra!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Malhar no Aquecimento Global

Os alarmistas entram em pânico sempre que sai mais um artigo peer-reviewed que contribui para o reforço de que os tempos que vivemos não são extraordinários, em termos das temperaturas registadas. Como dizia o outro, os cientistas estão a tomar-lhe o gosto, e a malhar no Aquecimento Global!

Um dos estudos revelados esta semana, no primeiro link abaixo, tem um título muito sugestivo, e que aponta para a evidência de um período mais quente durante os séculos XII e XIII, na ilha de Southampton, em Nunavut no Canadá. As temperaturas inferidas são-no para o mês de Agosto, que são importantes até no contexto da extensão do gelo do Árctico. Rolland et al. chegaram à conclusão que temperaturas mais elevadas foram registadas entre os anos 1160 e 1360, os quais correspondem ao Período Quente Medieval. Tais temperaturas foram ligeiramente mais elevadas que as registadas há uns anos atrás. O estudo determinou também, com clara evidência, os sinais da Pequena Idade do Gelo, da qual há igualmente muitos registos históricos.

No outro artigo, no segundo link abaixo, observou-se uma relação entre o crescimento dos anéis de árvores no norte do Reino Unido, e a densidade de fluxo da radiação cósmica! O estudo foi efectuado com base em árvores recentemente cortadas e dados climatológicos registados numa estação próxima. Ou seja, os raios cósmicos tiveram mais impacto no crescimento das árvores de que a temperatura ou precipitação!

O que é que estes dois estudos significam? O segundo demonstra que a evolução das temperaturas históricas, que são maioritariamente baseados nos anéis das árvores, pode estar completamente engatado. E o primeiro reforça efectivamente a verdade histórica, e não a de simulações!

www.cen.ulaval.ca/paleo/Publications/Articles/Rolland.2009b.pdf
http://www3.interscience.wiley.com/journal/122597017/abstract

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bomba na climatologia

Durante este fim de semana, Steve McIntyre voltou a fazer das suas. A vítima é novamente o hockey-stick, que os alarmistas pretendem impôr a toda a força. O gráfico do hockey-stick, nomeadamente utilizado pelo Al Gore e pelo IPCC, pretende demonstrar que as temperaturas elevadas do final do século XX não tem precedentes históricos, apagando assim os conceitos do Período Quente Medieval, e da Pequena Idade do Gelo.

Resumindo uma questão que é muito complexa, Briffa et al. publicaram vários artigos, nomeadamente na Science. Como é costume, os dados utilizados não foram revelados, apesar dos insistentes pedidos de Steve. Há dias Steve reparou que os dados haviam sido disponibilizados, mas não divulgados. Um estudo de apenas alguns dias, parece ter desmascarado completamente os gráficos de temperaturas utilizados até aqui pelos alarmistas.

O conceito é muito simples. A imagem acima tem três curvas. A curva a vermelho é a referenciada por Briffa. Utilizou 12 amostras seleccionadas especificamente para mostrar um aquecimento global no final do século passado. A curva a preto é o das restantes amostras, excluindo as 12 amostras de Briffa. Note-se como é uma função que inverte completamente o comportamento da curva a vermelho, no século XX. A curva a verde é o somatório de todas as amostras, e mostra que afinal não existe nenhum Aquecimento Global...

Este estudo tem tudo para ser uma bomba (atómica) na climatologia. Vamos esperar para ver!

www.climateaudit.org/?p=7168

domingo, 14 de junho de 2009

Período Quente Medieval e IPCC

Num artigo importante, publicado no "Climatic Cange", Jan Esper e David Frank questionam o relatório de 2007, do grupo de trabalho 1 do IPCC, no que toca ao aumento da heterogeneidade do clima durante o Período Quente Medieval. A conclusão do artigo é surpreendente:

"Given the wide acceptance of the AR4 and the notion of a more chaotic climate towards the Dark Ages, it thus seems relevant to recall that we currently do not have sufficient widespread, high-resolution proxy data to soundly conclude on the spatial extent of warmth during MWP."

www.wsl.ch/staff/jan.esper/publications/Esper_2009_CC_IPCC.pdf

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Investidas Vikings

Confesso que admiro os Vikings. Tenho abordado igualmente bastantes vezes a realidade da Gronelândia, terra da qual os ecologistas pouco gostam. Porque esconde muitas verdades!

Um dos maiores arqueólogos Canadianos, Pat Sutherland, afirma que acabou de ser descoberto um local, na ilha de Baffin, com ruínas atribuíveis aos povos nórdicos, que durante o Período Quente Medieval, colonizaram a Gronelândia, e pelos vistos, os arredores. Esta é uma descoberta extraordinária, e seria a segunda localização conhecida no Novo Continente de uma construção Viking. O que é extraordinário é que esta localização é 1500Km a norte da outra única localização!

Num local onde ainda hoje é dificil sobreviver, como será que os Vikings sobreviveriam? Será que estava mais quentinho?

www.canada.com/technology/science/Vikings+visited+Canadian+Arctic+research+suggests/1635865/story.html

domingo, 4 de janeiro de 2009

Aquecimento Global sinónimo de progresso

Num artigo extraordinário, publicado na Science, em Novembro de 2008, Zhang et al, com base em dados de uma estalagmite de uma caverna de Wanxiang, que permite recuar no tempo 1810 anos, avaliaram um conjunto de correlações muito importantes:

-A monção de Verão correlaciona com a variabilidade solar, temperaturas do hemisfério norte, e a retirada dos glaciares alpinos.
-Foi mais forte durante o Período Quente Medieval e mais fraco durante a Pequena Idade do Gelo.
-Foi igualmente fraco durante as décadas finais das dinastias Tang, Yuan, e Ming, todas caracterizadas por problemas sociais sérios.
-Foi forte durante as primeiras décadas da dinastia Song, um período de incremento de cultivo do arroz e incremento dramático da população.

Dá que pensar na crise que aí vem!

www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/sci;322/5903/940

sábado, 6 de setembro de 2008

Aquecimento Global no Inferno

O Expresso de hoje dá uma boa leitura. Na Revista, nas Divinas Comédias, o João Pereira Coutinho coloca o Aquecimento Global, no Inferno. Porquê? Na falta de um link, transcrevo aqui algumas das frase paradigmáticas:

-"Duas notícias que exemplificam, na perfeição, como a história do aquecimento global está tristemente mal contada."
-"Dependem de variações naturais, qua a ciência largamente desconhece mas que a História curiosamente, regista: não apenas durante a Baixa Idade Média (em que o mundo aqueceu) ou entre os séculos XVII e XVIII (em que o mundo arrefeceu)."
-"Se ignorarmos os períodos históricos mais recuados, resta a pergunta: se os homens arruínam o clima por suas activades fabris e febris, não seria de esperar um apocalipse em crescendo desde, pelo menos, a Revolução Industrial?"
-"Por uma vez, talvez não fosse inútil recomendar às patrulhas um pouco mais de humildade em matérias sobre as quais repousa ainda ignorância ou cepticismo. A ciência não se faz aos gritos."

Apoiado!

PS: Parece que afinal há link:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/399135