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terça-feira, 24 de abril de 2012

A mina de ouro do mercado de carbono

Antón Uriarte disponibilizou ontem um link para um artigo muito interessante do El Pais. O artigo refere como o mercado das emissões de carbono é um negócio de ouro para a Indústria, e uma ruína para o Estado.

Em Espanha, as cimenteiras e as várias indústrias ligadas à construção foram das que mais beneficiaram. Em quatro anos, venderam direitos de emissão avaliados em 1279 milhões de euros. Enquanto isso, o Estado espanhol comprou no estrangeiro 770 milhões de direitos, e necessitará de uns 500 milhões adicionais. As empresas perceberam que era mais rentável deixar de produzir e ganharem dinheiro com isso. Na realidade, em Espanha, com a queda da construção, a queda da produção até deu jeito!

Mas mais interessante que observar o disparate em Espanha, é começar a escavar no disparate Português. Como é habitual, a informação sobre estes esquemas não abunda. A Judiciária anda no terreno à caça do esquema do carrossel, um esquema que já leva vários anos noutros países. Entretanto, andamos entretidos a comprar direitos noutros países...

Um bom sítio para começar a recolher informação é no sistema de registo europeu, onde podemos encontrar informação por país. Nesta folha de cálculo temos a lista das empresas portuguesas que mamam deste esquema. As que têm maiores direitos são as eléctricas e as cimenteiras. A consulta da listagem revela um conjunto de 212 empresas, que descobriram esta verdadeira mina de ouro...

Os estúpidos dos responsáveis pelo esquema europeu, porque não têm outro nome, ainda se vangloriam de que este esquema contribuiu para a quebra de emissões. Pudera! Então se é mais barato mamar do que produzir, de que estavam à espera? Agora que, com este esquema, a indústria europeia, e especialmente a portuguesa, está desaparecida, e habituada à chucha, não se quiexem da crise!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Poluição na China

Os alarmistas estão sempre tão preocupados com o CO2, seu impacto no clima, e nas formas de reduzir as emissões. Mas quando se fala da China para eles, toca a ajoelhar, porque é um tabu sagrado! Já várias vezes abordei o tema da poluição na China aqui, como por exemplo neste caso da poluição associada aos minerais verdes, ou nestes casos associado à poluição de chumbo ou de mercúrio.

Alarmistas como James Hansen, que ontem recebeu a medalha de Edinburgo, equipara a questão moral das alterações climáticas à da escravatura. Ele está preocupado com uma central na Eslovénia, mas nunca se lhes viu nenhuma preocupação com as mais de uma central que os Chineses activam por semana! Na verdade, Hansen mais não é que um escravo dos Chineses. Mas estes, indiferentes à palhaçada do escravo, estão conscientes dos problemas com a poluição, que afinal eles respiram em primeiro lugar, e por isso têm uma estratégia energética apropriada para o futuro.

Mas enquanto as centrais nucleares, a gás e as novas barragens não chegam, a poluição continuará a ser muito significativa. Nesta página, podem ver como é a desgraça da poluição na China, donde as duas imagens seguintes foram retiradas:


Nas duas imagens seguintes, retiradas deste site da NASA, temos imagens de satélite do início do ano, que mostram como a poluição chinesa é visível do espaço, e como as condições variam de um dia para o outro. Nada que não tenha sido já observado no passado. No presente, há mesmo informação em tempo real sobre a poluição em Pequim, que está disponível no Twitter.


Enfim, da próxima vez que ouvirem um ambientalista, alarmista, ou outro qualquer a falar de CO2, perguntem-se porque não falam eles da poluição Chinesa?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva era, até ao último congresso do PSD, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Agora, Jorge Moreira da SIlva passa na prática a número dois do PSD, passando a ser o novo coordenador político do PSD. O País já se tinha safado no passado de o ver como Ministro do Ambiente, que só não foi por uma questão de quotas...

Mas quem é este Jorge Moreira da Silva, um completo desconhecido do público? Sempre foi basicamente um burocrata associado ao que de pior podemos imaginar da fraude do Aquecimento Global e Alterações Climáticas. Veja-se o que ele dizia em 2002, enquanto relator, negociador e autor da Directiva que estabeleceu o novo Sistema Europeu de Comércio de Emissões (todos os realces da minha responsabilidade):

conditions are created that Climatic Change and the Kyoto Protocol are no longer only theoretical items but will constitute in future an important pillar in economic and environmental politics. The Carbon Economy is born. Those who are able to produce with less greenhouse gas emission will be the winners.

É claro que ele se enganou redondamente! Quem está a ganhar são aqueles que mais CO2 emitem, com a China naturalmente à frente, e a Europa justamente no final dessa lista, e com Portugal na última posição! Quase tudo o que ele defende é de meter repulsa. Veja-se outro caso bastante evidente, do que Jorge Moreira da Silva dizia em 2003:

Jorge Moreira da Silva, who is steering a bill through the parliament which will cap industrial emissions of carbon dioxide (CO2), said Europe would have to pay to cut the emissions seen as a contributor to global warming but the EU could show the world it can be done without bankrupting the economy.

"In the short term we will pay. Our products will have the environmental costs included in the price," the centre-right politician from Portugal told Reuters in an interview at the Brussels-based assembly.
(...)
Moreira da Silva said if the scheme can be made cost-effective and credible, it could eventually help convince the United States to come back to the international climate change table.

"If we can prove that this scheme will remove emissions at lower cost, if we prove it works in Europe and it works in the rest of the world when we link it to other (emissions trading) schemes, I guess the U.S. administration might find a reason to ratify Kyoto," he said.

Moreira da Silva believes that, as the climate change problem becomes more evident, eventually all countries will have to reduce CO2 emissions and those that learn how to do so earlier, like the EU, will be at a competitive advantage.

"It might not be now, not in five or 10 years, but some day we will all be obliged to (cut emissions)," he said.

Todas estas afirmações foram desmentidas pelos factos. Não só os Estados Unidos não aceitaram Kyoto, como outros saltaram fora. Obviamente, a única coisa que se provou com o esquema das emissões europeu, foram as incontáveis fraudes que proliferaram no mercado de carbono. E que finalmente o está a afundar à Titanic... E obviamente no problema das alterações climáticas, o que é cada vez mais comum é os ratos saltarem fora do barco.

É provavelmente o que aconteceu a Jorge Moreira da Silva. Saltou fora do cargo de director-geral das Nações Unidas da área de Economia das Alterações Climáticas, no Grupo de Energia e Ambiente, para aturar agora, entre outros, os caciques locais, preparando nomeadamente as próximas eleições autárquicas. Sempre são novos ares, mais perigosos que os do CO2. E como nas eleições os eleitores começam a gostar de desancar naqueles que lhes trouxeram taxas de carbono, talvez o Jorge Moreira da Silva comece a piar mais fino...

Actualização: Um leitor mandou-me vários apontadores recentes que confirmam a análise do salta-fora. A China saltou fora da encomenda de umas dezenas de aviões Airubus europeus. A Q-Cells, outrora o maior fabricante de paineis solares fotovoltaicos, saltou fora do mercado, declarando insolvência. E para comemorar o meu post, o mercado de carbono deu um trambolhão de 14%!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Calçada portuguesa é sumidouro de carbono

Um amigo enviou-me uma sugestão engraçada para valorizar o nosso património cultural. Com o tema do Fado e do Alto Douro Vinhateiro na moda, esta proposta só tem uns problemazinhos: é que é um pouco complexa, porque envolve umas fórmulas de química simples e também porque o preço do carbono continua em queda livre... E depois, o esquema seria rapidamente subvertido, como já evidenciei neste artigo anterior.

Atendendo a que o Fado já é Património da Humanidade (imaterial), eu iria propor que Lisboa aproveitasse a onda favorável e propusesse também a calçada portuguesa para património da humanidade (material), porquê?:
1 - A calçada Portuguesa é um ótimo sequestrador de carbono e de dióxido de carbono, pois sendo formada essencialmente por CaCO3 (carbonato de cálcio) tem uma proporção de cerca de 46% de CO2 em peso (CaCO2+O2 = 44/(40+44+12));
2 - A UE, a ONU e Durban andam desesperadamente à procura de sumidouros de CO2, aqui está a solução;
3 - A CMLisbos receberia dinheiro por cada tonelada de calçada colocada, sendo uma forma de saldar dívidas e pensar em futuros superavit. Note-se que a 20€/ton de CO2, cada tonelada de calçada teria uma subvenção por serviços prestados de 9,2€/tonelada.
4 - Lisboa com esta receita teria concerteza outra pinta e subiria no ranking mundial de cidades atractivas;
5 - Lisboa poderia utilizar argumentos persuasivos tais como: se não atribuirem o dito galardão ameaça queimar a calçada portuguesa e pôr Lisboa em "cal viva".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Gases diabólicos da TSF

Um leitor enviou-me uma referência para umas pérolas da TSF, e da forma como esta estação emissora relatou os sucessos de Durban. No noticiário de ontem, pelas 8 da manhã, foi possível ouvirem-se autênticas barbaridades, sendo a seguinte apenas uma amostra, a partir do minuto 11:11 (realces da minha responsabilidade):

A principal conquista ou marco estabelecido nesta reunião de Durban, o facto de todos os países presentes se terem comprometido até 2020 a definirem um roteiro para travar os gases diabólicos.

A TSF continuou a dar-lhe com os "cowboys do carbono", numa reportagem de José Milheiro, envolvendo a temática dos REDD. Não admira que todos percamos a nossa confiança nos Media, quando se utiliza esta abordagem totalmente estupidificante! São mais uns a pregar os Mandamentos da Religião Verde, contra os Diabos e os cowboys...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Resultados de Durban

Depois de mais escaramuças ontem, tão típicas deste circo, está a terminar mais uma cimeira do Clima, em Durban. Para terminar em grande estilo, até um documento falso andou a circular, tendo sido levado a sério!!! Não vai ser agradável o que se vai seguir. Neste aspecto, até o tretas Pachauri tem, por vezes, momentos de lucidez. Vejam só o que ele disse, transcrito daqui:

Actually, to be honest, nobody over here is paying any attention to science.

É impressionante como todos culpam os Estados Unidos e se ajoelham perante a China. Sobretudo os ecologistas! Sabendo-se que são os maiores emissores de CO2 do Mundo, ninguém se atreveu a dar-lhes um fóssil do dia em Durban!!! É a prova provada da forma como os ecologistas são manobrados, e o que realmente está em causa. Temos aqui exposto repetidamente as Verdades Inconvenientes dos Chineses (eg. este vídeo elucidativo), mas o que vemos e temos acesso, é apenas a ponta do icebergue. Vejam por exemplo este artigo, que nos mostra imagens à la Terminator, mas que não impressionam os ecologistas...

Enfim, o que resulta deste enorme desperdício de recursos é assustador! As propostas em cima da mesa são uma loucura... Tendo terminado agora a reunião do AWG-KP, é evidente que algum texto de compromisso vai ser aprovado. Tinha que ser, pois era inconcebível saírem de lá sem nada. Mas não tenham dúvidas: o regresso dos cães raivosos não vai ser bonito!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carbon trading in crash mode

It's nothing new. It started over a year ago, when US carbon trading crashed. Two weeks later, it closed. Now, it's our turn in Europe. It had already started earlier this Summer. But now, as can be seen in the left graphic, obtained from Bloomberg, carbon prices are diving even more! And this is yesterday's graph, as today, as I write, it is diving another -10.773% to € 7.040.

I've been monitoring this for weeks, and today it has set it's minimum value for at least the last five years, which was for € 7.96, on the close of Feb 12, 2009, as can be seen in the graph below (from Bloomberg). The dive seems clearly related to the Climategate 2.0 revelations, since it closed at € 9.04 on Tuesday, diving more than 20% since then. These are definitely good news for Durban...

For more insight on the issue, the following news might be interesting:
Update: 16:30 CET The minimum price was reached slightly after this post was published, at € 6.95, but has been recovering since then, halving the loss.

sábado, 19 de novembro de 2011

História do Clima da Terra

Antón Uriarte é um geógrafo espanhol, que tenho referenciado no Ecotretas, e cujo blog CO2 está incluído na lista de blogs de cépticos internacionais. Antón editou uma compilação online da História do Clima da Terra, e que é de leitura obrigatória para todos aqueles que desejam saber como foram as Alterações Climáticas do passado. Mesmo sendo em Espanhol, a sua leitura é muito fácil.

Abaixo se reproduzem a lista de capítulos do livro, para referência rápida dos leitores. Adicionalmente, abaixo encaixo um vídeo onde ele explica diversas questões associadas ao CO2.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Comércio de Emissões é Crime contra a Humanidade

Até agora, os esquemas envolvendo as negociatas à volta do comércio de emissões de CO2 eram basicamente crimes financeiros 1 2 3. Agora passaram a ser um crime contra a Humanidade. Há pouco mais de uma semana ficamos a saber que 20 000 Ugandeses tinham sido escorraçados das suas terras, para dar lugar a plantações "verdes", para redimir os pecados carbónicos dos mais ricos do Planeta. O artigo conta mesmo a história de um miúdo de 8 anos queimado até à morte, por querer defender a sua cabana! A empresa inglesa envolvida neste caso é, segundo o artigo do NY Times, a The New Forests Company. A investigação original é da OXFAM, e a leitura do documento que lançou esta realidade para os Media ocidentais é das leituras mais deprimentes com que me deparei até hoje nesta vertente do ecologismo!

Pouco mais de uma semana depois surge a notícia de que 23 agricultores Hondurenhos foram "limpos" para dar lugar às plantações Verdes. Ao abrigo do CDM (Clean Development Mechanism), em Bajo Aguán, no norte das Honduras, esses 23 agricultores foram assasinados, a que se deve somar mais um jornalista e parceiro, segundo este documento que já data de Julho deste ano! Segundo o documento, estas mortes verificaram-se entre Janeiro de 2010 e Março de 2011. Segundo outras notícias, a realidade é ainda mais negra!

Como é que pessoas como o português Barroso ou a verde Hedegaard vão continuar impávidos e serenos, a sancionar estes crimes? Quando é que a Sociedade vai acordar contra estes crimes que se começam a descobrir, e que não serão os últimos? Ainda este Domingo morreu mais um, conforme se pode ver no primeiro vídeo abaixo. Da próxima vez que ouvirem falar das emissões de carbono, lembrem-se que há pessoas a serem assasinadas por causa disso, e que há viúvas e órfãos que ficam para trás para contar a sua história, conforme podem ver no segundo vídeo:

sábado, 6 de agosto de 2011

As tretas do Álvaro

Terminei hoje a leitura do Portugal na Hora da Verdade, do actual Ministro da Economia, Álvaro. O livro parece dar-nos uma ideia clara do fosso em que estamos mergulhados, e até concordo com a análise que o Álvaro fazia aqui há uns meses atrás, sobre as renováveis (todos os realces da minha responsabilidade):

É verdade que as energias renováveis ainda são relativamente caras em relação a outras fontes de energia. Ainda assim, a aposta nelas deve continuar, desde que se satisfaçam duas condições. Primeiro, os subsídios e os apoios extraordinários que têm vindo a ser concedidos às eléctricas nacionais têm de ser gradualmente retirados. Segundo, a estratégia de incentivo às renováveis não pode inibir uma maior concorrência no sector. Se estas duas condições não estiverem presentes, não valerá a pena continuar a apoiar as renováveis, pois a factura do apoio será sempre demasiado cara. Por outro lado, se os subsídios e os apoios extraordinário forem retirados e se uma maior concorrência no sector da energia for garantido, penso que teremos toda a vantagem em continuar a investir nele.

O problema começa quando começamos a ler outras tiradas. A seguinte do Álvaro é verdadeiramente desprezível. Mas tem uma virtude: evidenciar que os impostos de carbono não tem nada a ver com a salvação do clima:

Outra possibilidade para melhorarmos a competitividade das nossas exportações seria utilizar a nossa fiscalidade para conseguirmos a tão almejada redução dos custos unitários do trabalho. Como? Reduzindo as contribuições fiscais e sociais afectas ao factor trabalho em contrapartida de um aumento dos impostos sobre o consumo e/ou da criação de um imposto verde (um imposto sobre as emissões de carbono).

Curiosamente, também hoje, um leitor alertou-me para uma entrevista do Álvaro ao Financial Times:

Portugal has sought to reassure wind energy producers that measures to cut costs and subsidies, required under the country’s €78bn financial rescue agreement, will not affect the value of their assets or financing agreements.

“We will not break any contracts” Álvaro Santos Pereira, economy minister, told the Financial Times. “The rule of law is sacred to us.”

He was responding to the concerns of some wind farm owners that plans to reduce the cost of subsidising green energy production could affect the terms of project finance contracts totalling about €3bn.

Enfim, mais um troca-tintas! Talvez o Álvaro queira desconsiderar o enquadramento legal do subsídio de Natal. Pode-se cortar nesse, mas não nas vacas sagradas associadas às renováveis. Assim, não vamos lá!

sábado, 30 de julho de 2011

Abaixo o Fundo Português de Carbono

Já aqui nos referimos no passado ao Fundo Português de Carbono. Um sumidoiro de dinheiros públicos, que interessa terminar tão rapidamente quanto possível! Para que fiquem com uma ideia dos buracos que se criam com este Fundo, analisemos uma das suas medidas mais emblemáticas: MAe3 – Melhoria da eficiência energética ao nível da procura de electricidade

Segundo o link anterior, foram oferecidas ou subsidiadas, em 2008 1725278 lâmpadas de baixo consumo, e 2062203 lâmpadas em 2009. O estoiro de dinheiros público continuou em 2010, conforme se pode ver nos detalhes desta notícia da EDP. Segundo a Resolução do Conselho de Ministros n.º 1/2008, só o Programa de Eficiência Energética lançado pela ERSE terá tido um orçamento de 10 milhões de euros/ano.

Acresce a isso a introdução de taxas e taxinhas, de que são exemplos o Decreto-Lei 108/2007, Portaria 54/2008 e a
Portaria 63/2008. A quantia exacta de dinheiro que foi extorquida aos Portugueses por esta via não a encontrei.

A parte curiosa desta medida é que ela tinha um objectivo: reduzir em 2010, 1020 GWh no consumo de electricidade. O grande problema é que nunca como em 2010 se consumiu tanta electricidade em Portugal!!!

sábado, 2 de julho de 2011

Enxada mal encabada

Hoje deparei-me com uma capa surreal na revista Única do Expresso. A nova Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território obviamente não estava talhada para isto, e isso percebe-se logo pela capa da revista, como se observa ao lado! Com luvas novas, uma enxada nova, ainda por cima mal encabada, e um vestido de festa, está-se mesmo a ver o que ela percebe do assunto. Aliás, ela nem o pode esconder:

Não percebo nada destas áreas, em profundidade.
(...)
Como toda a gente sabe, não percebo da matéria.

Que contraste, por exemplo, com um Nuno Crato, que chega e começa a decidir! Para um partido como o CDS, que tanto se bate publicamente pelas áreas abrangidas por este Ministério, ser apenas capaz de propor Assunção Cristas, e não ter alguém preparado, é uma fraude! Mais valia ter proposto o Daniel Campelo, que mesmo assim chega a Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural... Enfim, está-se mesmo a ver o que vai acontecer! Basta olhar para a primeira medida na área do Ambiente, do programa do Governo, para ver como a Ministra já está a ser enrolada pelos ambientalistas:

Combater as alterações climáticas e desenvolver uma economia de baixo carbono, apostando na mitigação através da redução das emissões nacionais e na participação nos mecanismos internacionais;

sábado, 25 de junho de 2011

CO2 tumbling down

Once upon a time, carbon trading was supposed to be the salvation for Earth's climate problems. But as time went on, people started realizing that something was wrong. As usual, financial markets anticipated the move. Late last year, US carbon trading crashed. Two weeks later, it closed.

In Europe, the price of CO2 emissions even flourished earlier this year. The European Union pushed for stronger policies towards renewables. And Fukushima pressed German's chancellor Angela Merkel to abandon nuclear, with some imagining that renewables would fill in the gap.

Last week, Greece started auctioning their EUAs (European Union Allowances). They need the money, and probably other countries will follow, including Portugal. But they were not that lucky! Of the 1 million permits, only 6000 EUA were sold. The reason: nobody is buying...

In the meantime, Poland has blocked an EU deal on CO2 emissions. They are the largest producer of hard coal in the EU, and the share of coal in electricity generation (92% in 2004) is the highest among the EU Member States. They are also pushing for shale gas. The result for them: the biggest GDP growth in 2009 and the third in 2010, amongst the 27 European member states.

Finally, Yvo de Boer has confirmed what everyone knows: the Kyoto Protocol is dead!

The result: This week, Bluenext's EUA phase 2 2008-2012, went tumbling down. It closed at 12.21 €, down from 15.41 € a week before, a 20% drop in a week! And after all, carbon markets are not actually helping to combat global warming and climate change, and are open to the kind of speculation and fraud that led to the global financial crisis of 2008...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

kWh a 2600 euros

Um leitor interessado enviou-me um conjunto das ideias mais estúpidas associadas aos Ecologistas. Uma das mais estúpidas foi uma campanha realizada o ano passado pelo Crowne Plaza Hotel de Copenhaga, e que segundo a BBC, oferecia uma refeição a quem pedalasse numa de duas bicicletas do Hotel, ligadas a um gerador! A ideia era manter os hóspedes em forma, reduzindo simultaneamente a pegada de carbono do hotel!?

Para que tivessem direito a um cupão de 26 euros, os hóspedes teriam que pedalar durante uns estimados 15 minutos, produzindo pelo menos 10 Wh (watt-hora)! Este é claramente o valor mais elevado que vi pagar pelo kWh até hoje, e que atinge os 2600 euros por kWh. Para terem uma ideia de comparação, hoje em Portugal paga-se 0.1326 euros (+ IVA) por kWh na tarifa simples, o que significa que o Hotel paga pela energia produzida pelos seus hóspedes aproximadamente 18000 vezes mais do que o seu valor para o consumidor português!!!

Enfim, a estúpida campanha parece que correu de 19 de Abril do ano passado, durante um ano, ainda segundo a notícia da BBC. Ainda tentei ver se algum hóspede tinha relatado a experiência no tripadvisor, mas não tive pachorra para andar a expandir os muitos comentários... Mas segundo este site, já houve pelo menos 300 hóspedes a suarem as estopinhas para conseguirem a merecida refeição... Incluindo Stella Kamb, que podemos ver no vídeo abaixo:



Actualização: Pinto de Sá, em A ciência não é neutra, refere um exemplo mais interessante de produção de energia renovável em bicicletas, em Maricopa, arredores de Phoenix, EUA.

domingo, 5 de junho de 2011

Rosas de uma companhia verde

Quando esta semana vi a notícia da oferta de flores ao sindicato da TAP, lembrei-me logo do post que fiz sobre o CEO da Ryanair. Como nunca voei em Ryanair, porque infelizmente só voa a partir do Porto e de Faro, fui investigar um bocadinho mais esta companhia. O que descobri foi um conjunto de Verdades Inconvenientes!

Primeiro, um enquadramento, que eu desconhecia. A TAP tinha em 2009 56 aviões e 13397 funcionários. No mesmo ano, a Ryanair tinha 6369 funcionários, para 181 aviões. Com menos de metade de funcionários, a Ryanair tem mais do triplo de aviões! De que se queixarão os sindicatos da TAP? De contribuirem para o enterro do País?

Depois, descobri uma companhia que é verde, o que seria de esperar numa companhia irlandesa. São várias as técnicas que utiliza para minimizar o consumo de combustíveis, fazendo-nos recordar que também o hypermiling tem os seus adeptos nos céus. Todos os seus aviões são extremamente recentes, e dos mais eficientes da Boeing. Todos já têm winglets, mas outras técnicas permitiram uma redução superior a 55% no consumo de combustíveis e emissões, no período entre 1998 e 2007.

Medidas mais extravagantes até podiam ter vindo dos ambientalistas, mas não! Ideias como viajar de pé, uma ideia original dos Chineses que referi aqui, cobrar mais a clientes mais pesados, ou pela ida à casa de banho, são tipicamente verdes. Mas, aqui a lógica é mais empresarial, e não propriamente a pensar nas malditas emissões... Talvez os Verdes possam considerar esta a sua companhia!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

+ Pegada de carbono do PS

Não há pachorra para os truques baixos do PS. Via A aba de Heisenberg ficamos a perceber como é possível encolher um pavilhão, na presença do nosso mentiroso-mor! E lá se vai intensificando exponencialmente a pegada de carbono destes xuxalistas, prescidindo-se das bancadas originais, transportando-se outras, de um lado para o outro! Assim ficam todos mais aconchegadinhos. E enganam-se os jornalistas, conforme se pode ver no resumo no link acima, como os do Público, para os quais o "pavilhão ... estava lotado de apoiantes". Pessoalmente, atingi a tolerância zero para com esta pandilha, que nos anda a enganar, mentir, aldrabar, e a hipotecar o nosso futuro! Vejam por vocês, no vídeo abaixo!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pegada de carbono da campanha do PS

Soube-se este fim de semana que as poucas pessoas que afinal se juntam para ouvir o Sócrates, têm uma pegada de carbono descomunal! Recrutados no Martim Moniz, e nos arredores de Lisboa, são enfiados nos autocarros, a troco de uns lanches, e enviados para os mais diversos comícios, para comporem o ambiente... Como o diz Carlos Botelho, no Cachimbo de Magritte, Sócrates é, realmente, uma personagem politicamente repugnante. Mais valia pegar nos poucos eleitores dispostos a votar Sócrates, e trazê-los até Lisboa. A pegada de carbono seria assim menor, e Sócrates não teria que andar a acelerar pelo país...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Bruxelas suspende comércio de CO2

A notícia, que peca por tardia, começou a aparecer hoje ao final da tarde nos media, com os nossos jornalistas verdes a conseguirem antecipar-se a muitos dos estrangeiros. A Comissão Europeia suspendeu hoje o comércio europeu de licenças de emissões, aparentemente porque se verificou um novo e gigantesco roubo de direitos de emissões de CO2, desta vez nos sistemas informáticos que gerem tais licenças.

A suspensão provoca uma disrupção de mais de 2 biliões de euros, com a Comissão Europeia a dizer que impedirá transacções até 26 de Janeiro. A suspensão ocorre depois de 475000 créditos de carbono terem desaparecido do registo Checo. As fraudes envolvendo estes negócios obscuros tem sido repetidamente anotados no Ecotretas, e esta não será certamente a última!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pegada dos assessores

Via Fliscorno, chega-se a uma entrevista de Fernando Nobre para o jornal i. Que a roubalheira na política é global, não tenham dúvidas! Mas, da próxima vez que ouvirem falar de pegada de carbono, sobretudo se dito por um político, temos que lhes atirar isto à cara (realces da minha responsabilidade):

Gosto de falar de casos concretos. Tenho durante meses percorrido o país. Quando fui ao Cartaxo, por exemplo, visitei a rua comercial do Cartaxo, que estava completamente vazia. Um senhor do talho diz-me que só de vez em quando entra naquele talho uma senhora para comprar uma ou duas febras e pede-lhe um osso. E eu pergunto: "Mas o osso é para o cão?" "Não", diz-me ele, "É para fazer a sopa da família, estamos a voltar ao tempo dos meus pais e dos meus avós". E depois diz-me: "Mas todos os dias há cinco carros que vêm de Lisboa buscar cinco assessores para ministérios". Vêm de manhã, levam-nos para Lisboa, e voltam à tarde para os trazer. E eu pergunto-me se os senhores assessores não têm carro próprio para se deslocarem aos seus trabalhos.

O que eu sei é que, pelo país todo, há carros do Estado a irem buscar assessores a casa. Porque se vão cinco para o Cartaxo, também vão para Vila Franca, para Santarém... Tenho um amigo que é de um partido e ele sabe quem são esses assessores. São cinco só no Cartaxo. Está confirmado. Será que o Estado precisa de ter perto de 30 mil viaturas? Será que o Estado precisa de ter perto de 11 mil institutos? Será que o Estado precisa de recorrer tanto a pareceres externos? Eu não me candidato para que tudo fique na mesma.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fraldas reutilizáveis

Via Cabalas, chegamos à notícia de que a Quercus e o Ministério do Ambiente andam a impingir fraldas reutilizáveis às mães que deram à luz esta semana. É o chamado projecto Fraldinhas, sendo que segundo a Quercus, a "utilização de fraldas reutilizáveis evita a produção de 1 tonelada de resíduos por bebé"

O que nós sabemos destes ecologistas da treta é que eles gostariam de se livrar dos bebés... E reduzir o número de seres humanos. Como não querem admitir isto à primeira, vão atacando o problema devagarinho. Inflacionam-se uns números e diz-se que os bebés são os culpados pelas lixeiras que temos. Passa-se a mensagem aos Media, que propagam as "3,5 toneladas de resíduos de fraldas que as famílias colocam por hora no lixo" ou "a tonelada de fraldas descartáveis que um bebé produz, durante dois anos e meio".

A notícia do Público vai mais longe e cita João Figueiredo, da Valorsul (entidade que trata dos resíduos sólidos urbanos de 19 municípios, que serve um milhão e meio de habitantes). O João diz que "recebem cem mil toneladas de fraldas usadas por dia"... O João deve ser mais um dos que não sabem fazer contas: 100000 toneladas são 100 milhões de quilos. Se todos esses milhão e meio de habitantes usarem fraldas, cada um gasta 66.6 Kg de fraldas por dia? Ora, eu não uso, e aposto que o leitor da região de Lisboa, também não. Estão a ver quantos quilos de fraldas gasta cada bebé por dia???

E embora seja um problema bem real o das lixeiras, já estou habituado a que a Quercus apenas aborde uma pequena parte do problema. E quando eles começam a justificar com poupanças monetárias, fico logo com a certeza que há cabala!

Realmente, não é difícil topá-la! Na página do Wikipedia sobre fraldas, há um link para o estudo mais completo sobre o assunto, que compara fraldas descartáveis e reutilizáveis. A primeira conclusão é surpreendente!

Na página 35 do PDF, nas conclusões, observa-se que as fraldas descartáveis têm um impacto equivalente a 550Kg de dióxido de carbono, ao longo dos dois anos e meio, de utilização média de fraldas por um bebé. Para as fraldas reutilizáveis, o impacto médio é de aproximadamente 570Kg de dióxido de carbono. Mas este último valor depende ainda da forma como se lavam e secam as fraldas reutilizáveis. Se as fraldas forem lavadas a 90ºC, em vez dos 60ºC, há um acréscimo de 31% a esse valor, e se todas as fraldas forem secas na máquina de secar, então pode somar mais 43%!

E agora Quercus, em que ficamos? Não se lavam as fraldas e propagam-se os micróbios? Contrata-se uma pessoa a tempo inteiro para lavar e secar as fraldas, um trabalho a tempo inteiro, como faziam as nossas avós? Conta-se ou não os custos ambientais decorrentes, por exemplo, do cultivo do algodão, provavelmente a cultura que mais pesticidas, fertilizantes e mais água consome no mundo inteiro? Bem, há sempre a poupança monetária, mas mesmo assim, admito que as contas estejam igualmente engatadas! Qualquer um que já foi mãe/pai, e sobretudo os que já são avós, não têm qualquer dúvida sobre a opção correcta para os nossos bebés!