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sábado, 7 de abril de 2012

Para onde caminha a China?

Via Terrorismo Climático, apercebemo-nos que os Chineses se mantêm lúcidos em termos da sua estratégia energética. Enquanto por cá pensamos que eles compraram a nossa EDP pelos seus lindos olhos, esquecendo-nos que serão agora para eles que irão os nossos ovos taxas de ouro, por lá a estratégia energética é clara!

Num relatório governamental de 5 de Março, o Primeiro Ministro Wen Jiabao está determinado em apostar na utilização de um mix energético seguro: nuclear, gás de xisto e hidroeléctrico. E está determinado em acabar com a expansão cega da energia solar e eólica!

Tais avanços são confirmados num relatório da Agência Internacional da Energia Atómica, que perspectiva um aumento da energia nuclear em 100% nas próximas duas décadas, suportado num crescimento na Ásia, e especialmente na China e Índia. Tal permitirá um crescimento substancial das centrais nucleares chinesas, que podemos ver no mapa acima, retirado daqui.

No domínio do gás de xisto (shale gas), as expectativas são ainda maiores. Em 2015 a produção de gás de xisto deve atingir os 6.5 mil milhões de metros cúbicos, e pelo menos 10 vezes mais em 2020! Os Chineses incentivam as suas empresas a procurar empresas no estrangeiro com tal tecnologia, mas a EDP não é certamente uma delas... Segundo a notícia, também para aqueles lados o preço do gás tem vindo a descer, sendo que praticamente apenas na Europa vamos pagando mais por ele!

Segundo a notícia original, na área das energias renováveis, o que vai dar são as novas barragens, que serão responsáveis por dois terços do aumento de capacidade. Eles planeiam adicionar 20GW de potência hidro-eléctrica, um aumento de 57% ao ano!

E por cá, na Europa, ainda ficamos a tentar perceber porque os Chineses estão a crescer, e nós nos estamos a enterrar? Não há dúvidas que os nossos políticos andam completamente a dormir...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Peixeirada no Prós e Contras

A Fátima Campos Ferreira, no Prós e Contras de ontem, debateu com vários participantes, o tema do "Insustentável Custo da Energia". O vídeo do programa está disponível nestes links, primeira parte, e segunda parte. Também já está disponível no youtube, com a primeira de dez sequências abaixo.

O programa foi uma verdadeira peixeirada. O pior de todos foi o habitual Carlos Pimenta, que chegou a gritar e exaltar-se na parte final do programa (a partir do minuto 56:05 do segundo vídeo). Quem assim faz perde toda a credibilidade! Também exibiu os gráficos do costume, já aqui no blog completamente descredibilizados. Tal é o exemplo do custo dos MWh da energia eólica, nos 74 €/MWh (minuto 21:11 do primeiro vídeo), que desmontamos aqui, e que actualizamos aqui.

Particularmente mal esteve também Patrick Monteiro de Barros! Nem sequer iniciou a defesa da sua dama, o nuclear, com medo da mesa oposta... Ele, como todos os restantes, já perceberam que o nuclear seria igualmente um erro enorme em Portugal! No meio, por diversas vezes, a Fátima Campos Ferreira ainda tentou puxar umas palmas da audiência, para as renováveis... Mas ninguém bateu palmas!!! Mas quem deve ter ficado com as orelhas a arder foi o António Mexia, sucessivamente referido, mas convenientemente ausente...

Resumindo, o que ninguém explicou mesmo é como se baixa a factura! E como se pode ver pela reacção do público, ao minuto 36:36 do segundo vídeo, o que o Zé e a Maria queriam era baixar a tarifa da electricidade! Mas era tão fácil explicar essa parte... Considerando que há cerca de 6 milhões de consumidores de energia doméstica, devia-se:

  • Acabar com as tarifas feed-in das eólicas e solar. Representaram cerca de 556 milhões de euros em 2011. Dá uma poupança média de 7.72 euros por mês.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Microgeração, a forma mais anti-social de geração de electricidade. Custa cerca de 16 milhões de euros por ano (pag. 33 deste documento da ERSE), o que dá 0.22 euros por mês de poupança média.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Cogeração não renovável. É uma poupança de mais 290 milhões de euros (pag. 33 deste documento da ERSE), o que daria a cada consumidor uma poupança mensal de 4.03 euros.

Estas três simples medidas dão um total de poupança mensal de 11.97 €, em média para cada consumidor. E como se pode ver aos 40:20 do segundo vídeo, os Portugueses estão perfeitamente de acordo que estes "direitos adquiridos" têm igualmente que acabar! Na factura exemplo dada no Prós e Contras, no valor de 84.76 €, tal representaria uma poupança de mais de 14%. Era assim tão difícil explicar isto???



Nota: A ERSE resolveu apagar o documento que referencio neste artigo... O que terão eles a esconder??? Podem ver que ele até ainda é referenciado nesta pesquisa do Google, sendo ainda visível um previsualização desse PDF, podendo-se igualmente confirmar a sua referência noutros sites da Internet... Se alguém precisar, tenho cópia.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Manifesto e o Monstro

Depois de um primeiro Manifesto em 2010, e de uma re-edição em 2011, um conjunto de mais de 50 signatários produziram este ano um Manifesto por uma nova política energética em Portugal III.

A apresentação pública decorre hoje em Lisboa, mas havia sido antecipada por várias notícias nos Media, mas sobretudo pelo Prof. Pinto de Sá, no seu blog. O diagnóstico está bem feito, e refere-se a muitos aspectos que tenho abordado neste blog. Nesse aspecto, as referências ao gás de xisto e à biomassa são dois óptimos exemplos de recursos que não estamos a aproveitar. O Manifesto só peca por insistir no nuclear, que não é uma solução para Portugal, e que o Ministro Álvaro, na minha opinião bem, já descartou.

Mas a verdadeira mais-valia do Manifesto está na identificação do Monstro. O monstro eléctrico que come todos os subsídios, directos e indirectos. E que nos chupa até ao tutano! Mas que está bem identificado... Até a Troika exigiu inicialmente que fosse atacado até ao final de 2011. E que o Governo prometeu domar até ao final deste passado mês de Janeiro. Depois, foi adiado para 2 de Fevereiro. Vamos a ver se o Monstro se continua a mostrar mais forte...

Actualização: O Plano Estratégico da Energia foi adiado mais 15 dias...

terça-feira, 15 de março de 2011

Tretas do nuclear

Vários leitores têm-me perguntado, com algum sarcasmo à mistura, sobre a minha posição sobre os problemas com a energia nuclear que estão actualmente a acontecer no Japão. Em primeiro lugar, eu sou contra o nuclear em Portugal, como já o referi em vários posts, notavelmente este. Mas não pelas razões de segurança, porque afinal temos as dos nossos vizinhos...

O grande problema é que todos têm medo do nuclear. Sobretudo os políticos! E o que fizeram eles nos últimos anos? Fizeram como a avestruz, e enfiaram a cabeça na areia! Em vez de apostarem nas novas centrais nucleares, muito mais seguras, preferiram extender a longevidade das actuais. Em Espanha. Na Alemanha. No Reino Unido. Curiosamente, a central aparentemente mais afectada, Fukushima I-1, estava prevista ser desactivada no próximo 26 de Março!

O problema das centrais de Fukushima é que têm quase 40 anos, sendo das mais antigas do Japão. E das mais antigas no Mundo inteiro, como pode ser visto na imagem acima, retirada daqui. Que revela de maneira clara a cobardia dos políticos actuais...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Onde está ele, quando é preciso?

No Reino Unido, só agora começaram a descobrir que o vento desaparece, quando ele é mais necessário! Em Portugal, já sabemos disso há bastante tempo... Mas, por lá, consegue ser pior, até porque ao necessitarem de aquecimento, para não congelarem, as eólicas consomem mais energia do que aquela que geram...

Entretanto, descobriu-se por lá que em vez de produzir 30% da capacidade instalada, parece que a produção é apenas de cerca de 10%. O que vale é que há outras fontes de energia que ainda conseguem manter os ingleses quentinhos. Valha-lhes também que os franceses têm muita energia nuclear, o que coontribuiu também para manter os escoceses quentinhos... Portanto, eles já sabem que não podem contar com as eólicas nestas alturas do campeonato...

domingo, 13 de junho de 2010

Buraco nuclear

Os ingleses estão a topar que a energia nuclear não fornece apenas energia em quantidade e barata. O secretário de estado da energia do Reino de Sua Majestade, Chris Huhne, descobriu uma herança negativa de 4 biliões de libras, dos seus sucessivos antecessores. O valor está relacionado com a desactivação de algumas centrais nucleares inglesas nos próximos quatro anos.

Este valor é enorme para quem tem um orçamento anual de 3 biliões de libras, que era supostos serem aplicados, entre outras coisas, nas alterações climáticas... E andaram muitos anos a pagar energia supostamente barata, para agora lhes aparecer uma factura no final! Huhne, que é um céptico do nuclear, tal como eu, especialmente em Portugal, terá todavia que tratar do problema, considerando ainda que terá que meditar o que fazer quando fechar as ditas centrais nucleares. É que no Reino Unido, a produção nuclear é responsável por 20% do total de electricidade produzida.

Editado: O meu cepticismo em relação ao nuclear é, sobretudo, na aplicação dessa tecnologia ao caso português. Não é por querer o nuclear longe, mas sobretudo por não termos manifestamente competências nacionais nessa matéria, e por não termos economias de escala associadas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Fome que dá em fartura

Muitos leitores têm-me enviado emails sobre a apresentação do Manifesto. Para quem há dois anos e meio expõe publicamente estas trapalhadas das energias renováveis, os últimos dias representam a passagem do 8 para 80... Felizmente, a apresentação do Manifesto parece ter trazido para a Sociedade Civil a ideia de que andamos realmente todos a ser roubados!

Um dos melhores exemplos que constatei pessoalmente foi o do exclente fórum da TSF, ontem dedicado ao tema. Com o espírito habitual de missão, lá estive a elucidar alguns dos participantes online... Foi muito interessante ouvir a reacção dos participantes espontâneos, perante a evidência do roubo à sua carteira.

Fica muito material para ir analisando aqui ao longo dos próximos tempos! Mas o primeiro a ser desmontado é o da associação ao tema, da energia nuclear. Não sei se interessa aos promotores do Manifesto, ou aos seus opositores. Por mim, sou absolutamente contra! Para além do risco e resíduos, enferma do mesmo problema das eólicas e fotovoltaico: não temos competências nem recursos internos para desenvolver este tipo de tecnologia. Seria tudo comprado ao estrangeiro, e neste aspecto nem sequer teríamos qualquer oportunidade de nos tornar uma referência nesta vertente.

Se há realmente quem advoge o nuclear, que se chegue à frente com os respectivos argumentos. Que serão aqui rapidamente desmontados!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Inverno Nuclear

Vale tudo para enganar o próximo! Mark Z. Jacobson, professor da Universidade de Stanford University, alerta para o perigo da utilização de armas nucleares poder ser má para o clima. Mas não, não seria um Inverno Nuclear o que se seguiria...

Segundo este tretas, a utilização de 0.1% das armas nucleares do mundo poderia não ser boa para o ambiente, porque ... libertaria para a atmosfera 690 milhões de toneladas de CO2! E na óptica dele, isso seria o efeito dominante depois de um desses eventos.

Cá para mim, no caso de um evento tão infernal como o que ele sugere, ele deveria ser um dos esperados 17 milhões de mortes. Assim não ficava cá para pensar num hipotético aquecimento global!

www.guardian.co.uk/environment/blog/2009/jan/02/nuclear-war-emissions

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Nuclear para Gaia

O Luís Filipe Às Vezes, mostrou-se hoje no JN um adepto de "avanço resoluto" para o nuclear. Contra os árabes, Chávez, russos e americanos, marchar, marchar! Este autarca de Gaia, que considera o nuclear uma energia alternativa, é citado pelo JN, como citando James Lovelock, e sendo a favor da "adopção abrupta da energia nuclear por ser a única forma de romper o ciclo infernal de produção de monóxido de carbono em que se baseia a economia moderna." Monóxido de carbono???

Como se isso não fosse suficiente, o presidente da Câmara de Gaia defendeu que em Portugal "já se está à mercê de um acidente nuclear porque Espanha tem centrais nucleares e, se isso acontecer, Portugal não fica imune". E acrescenta: "Os riscos já estão aqui".

Ora, se assim é, construa-se a maldita central em Gaia. Em frente à casa dele!

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1062814

domingo, 30 de março de 2008

Science et Vie arrasa energias verdes...

A edição deste mês da Science et Vie é arrasadora para as energias ditas verdes. O dossier negro desanca nas energias alternativas, e apresenta algumas das suas verdades inconvenientes. Como a necessidade de utilização de 360 toneladas de betão para a instalação de um Gigawatt de Energia Eólica. Ou então, na necessidade de 18700 hectares de ventoinhas para produzir tanta energia (1.5 GW) quanto uma central nuclear produz em apenas 10 hectares.

Não percam o artigo por nada deste mundo...

www.science-et-vie.com/AnciensSV/1086.asp

domingo, 25 de novembro de 2007

Lar, Doce Lar do Tomás

As páginas verdes do Tomás de Montemor já aqui foram referidas, e esta semana ele investe em "desmascarar a sonsice" do nuclear. O nuclear tem muitos inconvenientes mesmo, mas o problema para os ecologistas é que é uma fonte de energia que não produz directamente CO2...

Os ecologistas, quando são apertados nestes argumentos, soltam a justificação fácil. Devíamos poupar mais no consumo de energia, utilizando os recursos de forma sustentável. Se se soubesse os seus consumos energéticos (como é o caso do Al Gore), palpita-me que este argumento cairia igualmente.

Mas o Tomás vai mais longe: quantos desses empresários do nuclear aceitariam construir a sua casa ao lado de uma central nuclear e do rio que geralmente a atravessa? Essa é uma boa pergunta, mas será que o Tomás construiria uma casa dentro de um parque eólico?