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domingo, 22 de abril de 2012

Restrições na microprodução

Já abordamos várias vezes no blog o problema da microprodução, a forma mais anti-social de geração de energia em Portugal. Com imensos esquemas envolvidos, agora damo-nos conta que a banda continua alegremente a tocar neste domínio, mesmo quando o País já se está a afundar! Mas outras notícias dão-nos conta que a festa estará a acabar...

O Decreto-Lei nº 25/2012, de 6 de Fevereiro infelizmente não suspendeu a atribuição de licenças de microprodução. Elas continuam a ser emitidas a grande velocidade, conforme se pode ver pela listagem do final do mês de Março. A velocidade de instalação destes sangue-sugas é tão grande que, nalguns locais já foi ultrapassado o limite de 25 % da potência do respectivo posto de transformação, conforme os números 6 e 7 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 363/2007. A lista de locais onde tal já aconteceu está disponível neste link do site Renováveis na hora.

Olhando para a listagem, há vários aspectos que saltam à vista. Em primeiro lugar, o facto da maior parte das restrições se aplicar a locais do interior. Tal pode significar a existência de postos de transformação mais pequenos. Numa amostragem rápida no Google Maps, o que observei foi essencialmente um conjunto de localidades com habitações dispersas e muitas moradias. Mas isto não deve explicar tudo, pelo que não me admirava muito que esta praga resultasse de dinamismo local... Talvez algum dos leitores conheça a realidade de algum destes locais, e me queira explicá-lo!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Peixeirada no Prós e Contras

A Fátima Campos Ferreira, no Prós e Contras de ontem, debateu com vários participantes, o tema do "Insustentável Custo da Energia". O vídeo do programa está disponível nestes links, primeira parte, e segunda parte. Também já está disponível no youtube, com a primeira de dez sequências abaixo.

O programa foi uma verdadeira peixeirada. O pior de todos foi o habitual Carlos Pimenta, que chegou a gritar e exaltar-se na parte final do programa (a partir do minuto 56:05 do segundo vídeo). Quem assim faz perde toda a credibilidade! Também exibiu os gráficos do costume, já aqui no blog completamente descredibilizados. Tal é o exemplo do custo dos MWh da energia eólica, nos 74 €/MWh (minuto 21:11 do primeiro vídeo), que desmontamos aqui, e que actualizamos aqui.

Particularmente mal esteve também Patrick Monteiro de Barros! Nem sequer iniciou a defesa da sua dama, o nuclear, com medo da mesa oposta... Ele, como todos os restantes, já perceberam que o nuclear seria igualmente um erro enorme em Portugal! No meio, por diversas vezes, a Fátima Campos Ferreira ainda tentou puxar umas palmas da audiência, para as renováveis... Mas ninguém bateu palmas!!! Mas quem deve ter ficado com as orelhas a arder foi o António Mexia, sucessivamente referido, mas convenientemente ausente...

Resumindo, o que ninguém explicou mesmo é como se baixa a factura! E como se pode ver pela reacção do público, ao minuto 36:36 do segundo vídeo, o que o Zé e a Maria queriam era baixar a tarifa da electricidade! Mas era tão fácil explicar essa parte... Considerando que há cerca de 6 milhões de consumidores de energia doméstica, devia-se:

  • Acabar com as tarifas feed-in das eólicas e solar. Representaram cerca de 556 milhões de euros em 2011. Dá uma poupança média de 7.72 euros por mês.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Microgeração, a forma mais anti-social de geração de electricidade. Custa cerca de 16 milhões de euros por ano (pag. 33 deste documento da ERSE), o que dá 0.22 euros por mês de poupança média.
  • Acabar com as tarifas feed-in para a Cogeração não renovável. É uma poupança de mais 290 milhões de euros (pag. 33 deste documento da ERSE), o que daria a cada consumidor uma poupança mensal de 4.03 euros.

Estas três simples medidas dão um total de poupança mensal de 11.97 €, em média para cada consumidor. E como se pode ver aos 40:20 do segundo vídeo, os Portugueses estão perfeitamente de acordo que estes "direitos adquiridos" têm igualmente que acabar! Na factura exemplo dada no Prós e Contras, no valor de 84.76 €, tal representaria uma poupança de mais de 14%. Era assim tão difícil explicar isto???



Nota: A ERSE resolveu apagar o documento que referencio neste artigo... O que terão eles a esconder??? Podem ver que ele até ainda é referenciado nesta pesquisa do Google, sendo ainda visível um previsualização desse PDF, podendo-se igualmente confirmar a sua referência noutros sites da Internet... Se alguém precisar, tenho cópia.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Parques eólicos suspensos

Um leitor fez-me chegar uma notícia agradável, em que se afirma que o Governo suspende atribuição de licenças para novos parques eólicos. Antes de mais, o Comunicado do Conselho de Ministros é:

3. O Governo decidiu suspender, com efeitos imediatos, a atribuição de potências de injeção na Rede Eléctrica de Serviço Público (RESP), ressalvando a possibilidade de poderem ser excepcionados casos de relevante interesse público, em situações a regulamentar por resolução do Conselho de Ministros.

Esta decisão decorre das orientações de política energética previstas no Programa do Governo e que apontam para a necessidade de ponderar e reavaliar o enquadramento legal da produção de eletricidade em regime especial.

Tudo isto decorre, em meu entender, de uma profunda revolução, que está em curso. Na segunda revisão do memorando de entendimento com a Troika, ficou definido que até ao final do mês de Janeiro, será analisado o regime de apoio aos produtores de energia em regime especial, bem como possíveis reduções na tarifa. E ao contrário do título da notícia, são muitos os produtores afectados, incluindo pelo menos também a energia solar, cogeração, biomassa e microgeração... Tudo parece indicar que isto vai endireitar! Entretanto, no mesmo comunicado do Conselho de Ministros, houve um outro ponto que me chamou a atenção. Deve ser tema para próxima investigação do Ecotretas:

2. O Conselho de Ministros decidiu também declarar a resolução, por incumprimento, de seis contratos de investimento e de concessão de benefícios fiscais celebrados pelo Estado Português e as seguintes empresas: Itarion Solar, Lda., e Agni Inc - Desenvolvimento de Sistemas para Energias Alternativas, S.A., Faurecia - Sistemas de Escape Portugal, Lda., Peugeot Citroen Automóveis Portugal, S.A., Têxtil Manuel Gonçalves, S.A., Itarion Solar, Lda., Agni Inc - Desenvolvimento de Sistemas para Energias Alternativas, S.A., e Globe Motors Portugal - Material Eléctrico para a Indústria Automóvel, Lda.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Protecção à fraude da microgeração

Há coisas que nem lembram ao Diabo. Um leitor enviou-me um link para um site, para eu dar uma opinião. Eu penso que o leitor sabia qual a resposta que lhe ia dar... O site chama-se Instituto do Cliente, e "oferece" protecção económica, financeira, ambiental, técnica, médica e social, por "apenas" 9 euros por mês!

A página que o leitor descobriu, visível na imagem (clique para ver melhor), é relativa à energia solar e ao esquema da micro-produção, e promete um "lucro de 50 a 500 mil euros". Vejam a explicação deste instituto (realces da minha responsabilidade):

A CE decidiu promover as energias renováveis, através dos DL 118-A/2010 e DL 34/2011, permitindo vender energia à EDP a um preço muito elevado. Por seu lado o Instituto do Cliente conseguiu para si os melhores preços, marcas e instaladores.

As contas são efectuadas de seguida (realces não da minha responsabilidade):

O retorno é de 15% a 25% durante 8 anos e de 10% a 15% nos seguintes 17 (sem qualquer investimento se usar crédito). Uma microgeração terá um rendimento de 50.000€ (65.000€ se a casa passar a A/A+). Numa minigeração o retorno será de 100.000€ a 500.000€ em 25 anos

Ora vejam lá se isto não é uma grande "protecção"! Nem me dei ao trabalho de verificar se as contas estão certas ou não; a verdade é que o esquema da micro-geração é tão fraudulento, tão anti-social, que devia ser imediatamente terminado! Pelo menos, já levou uma grande machadada!

domingo, 16 de outubro de 2011

Microgeração

A microgeração, também conhecida por microprodução, é um dos maiores escândalos da energia em Portugal. Tenho-a referido poucas vezes no blog. Conforme podem ver pela imagem ao lado, retirada deste documento da ERSE, o preço da energia paga à microprodução é VÁRIAS vezes superior aquele que pagamos efectivamente pela electricidade em nossas casas! E reparem que a imagem até engana, porque há duas escalas diferentes no eixo dos yy!!!

O esquema da microgeração é uma aberração económica. Imaginem que um quilo de batatas custa a um agricultor 50 cêntimos a produzir, e que o supermercado onde vocês fazem as compras vende esse mesmo quilo de batatas a um euro e meio. Agora imaginem que o supermercado era obrigado a comprar esse mesmo quilo de batatas a 5 euros a um agricultor verde, e a vendê-las a si pelo mesmo euro e meio. Reparem como o vilão passa rapidamente a vítima! Bem, neste caso, o vilão EDP não tem que se preocupar com o supermercado, até porque quem paga são os consumidores/contribuintes! Confusos? Não admira, é assim a microprodução!

A lata dos microprodutores é ainda maior porque todos sabemos que a grande maioria dos proprietários é da classe média/alta. Ora vejam lá se as instalações de painéis fotovoltaicos que conhecem não são essencialmente em vivendas? Como o blog Luz Ligada muito bem referiu, a microgeração é anti-social!!! Uma oportunidade de ouro para a esquerda e os seus amigos melancias reclamarem o corte destes subsídios... Mas não, porque eles são alguns dos que mais xuxam deste esquema...

Como o roubo é de tal forma descarado, sente-se alguma preocupação nas hostes. No meio de tanta fraude, os esquemas são uma evidência! Parece que houve investigação, mas dos resultados não reza a História! Por isso não admira que já existissem mais de 10 000 microprodutores a xuxar no início do ano, sendo que neste momento são já cerca de 12 000!!! E pelas listagens de registos disponibilizados, muitos mais abortos produtivos estão prontos a começar a mamar!

domingo, 12 de dezembro de 2010

171 euros por consumidor

Um leitor habitual enviou-me uma nota para mais um artigo inconveniente do Expresso, com direito a capa do caderno de Economia, tal como há duas semanas. O Expresso volta a ganhar assim um ex-leitor. A notícia referencia como cada consumidor irá pagar 171 euros pelas renováveis, em 2011. Segundo as contas do Expresso, a conta no próximo ano vai superar os 1000 milhões, para sustentar este vício do Sócrates.

O artigo desanca ainda na microgeração, cujos produtores recebem 8 vezes mais que o verdadeiro custo da electricidade ao consumidor, conforme se percebe pelo artigo interior, como podem ver ao lado. Ainda assim, o artigo peca por passar os argumentos daqueles sem razão, como os 800 milhões do Zorrinho, que são apenas 100 milhões, como desmontamos aqui. O artigo é, ainda assim, mais uma pedrada no charco!